24 de junho de 2026

Alvares deixa o voz e violão pelo eletrônico no EP AVESSO [ENTREVISTA]

 

Diferente. É uma palavra que define muito bem o novo disco de Alvares. Qualquer um percebe isso quando escuta o EP pela primeira vez. Além da voz muito forte e presente, os arranjos calmos, e ao mesmo tempo cativantes, AVESSO conta com uma peculiaridade: o som de fundo, que lembra muito o som psicodélico. É nesse ritmo, que Alvares vai se deixando levar pelo eletrônico, ao invés de somente “voz e violão”.

— O grande diferencial desse EP não é o fato de ele ter uma pegada eletrônica em si, o que torna ele uma ponte é a maneira como as canções estão sendo pensadas agora por mim. Antes, meu intuito era produzir canções intimistas com foco nos arranjos. Agora, o pensamento é de como será a relação entre as pessoas e a minha música, mais plural, voltado para a pista — explica Alvares.

 

Abaixo veja uma entrevista na íntegra com Alvares.

 

https://www.youtube.com/watch?v=Kl96DM59k10

 

 

Você diz que esse EP é uma renovação sem perder sua identidade.

Avesso é um EP derivado do primeiro ábum SALA DE ESTAR EXPERIMENTAL, VOL. 01. Por que derivado? Além de ser uma releitura de 4 faixas presentes no disco, o EP é basicamente focado em samplers dessas musicas. Ou seja, cada música do AVESSO EP começou como um recorte ou uma track do disco que eu fui desenvolvendo a partir dali. O sumo da coisa, a atmosfera e o discurso se mantêm. O que muda na entrega talvez seja a embalagem.

Eu quero me conectar com um público um pouco menos especifico na fase da minha carreira que vem a seguir. Esse EP é uma tentativa disso, ser mais acessível, mais “dançante” de alguma forma, também mais atual.

 

Por que o EP vem no formato it yourself?

Sim, esse EP foi todo feito por mim. Dos arranjos até a masterização. Bem caseiro, pra ser honesto. Isso se deu porque ele na minha cabeça surgiu em meio a eu já estar gravando meu próximo lançamento, que é um single que está sendo produzido pelo Tomas Troia. Nesse eu já exploro um ar banda, convidamos alguns músicos que admiramos e estamos no processo dessa faixa.

Eu queria muito fazer o AVESSO EP. Eu tive essa vontade numa época em que eu ouvia muito o disco 22 A MILION, do Bon Iver, que pra mim é um revolucionário. Ao final, mesmo cansativo ,o processo valeu muito a pena, foram algumas noites sem dormir no meu home studio.

 

AVESSO seria uma continuidade do EP SALA DE ESTAR EXPERIMENTAL, VL. 01?

Não uma continuidade, mas talvez um extra, algo que no futuro se eu prensar o disco pode ser “versão deluxe”. Algo como um especial. Tenho planos de no futuro fazer um volume dois do “Sala”, mas por agora meu foco é trazer o som mais pra pista.

 

Você saiu do típico “Voz e Violão” para algo mais eletrônico…

Acho que ainda estou “saindo”, amadurecendo como vou conseguir fazer isso como cantor. Eu sou totalmente apaixonado por música eletrônica, house pra ser mais especifico. Trabalho como DJ esporadicamente e produzo alguns artistas pops e remixes. Eu acho que a música popular tem migrado cada vez mais pro eletrônico. Absorvendo essa onda “moderna”, o que eu acho fantástico.

 

Você diz que as canções do EP tem o seu diferencial não somente pela questão do eletrônicos, mas também porque você pensou cuidadosamente em cada faixa.

As ideias foram surgindo, uma por uma para cada faixa. Foi bem gostoso fazer pois eu tinha um “norte”. A música eletrônica é muito rica, a infinidade de estilos dentro dela é bibliotecária! Eu sentia que AVESSO pedia um beat mais solto, um lance atmosférico, bastante ambiência e tal. Em FAIXABONUS eu explorei os bumbos da 808, uma bateria clássica no hip-hop (ok, a mais clássica), a qual eu tenho usado bastante na produção de um disco de um outro cantor pop, o BE. LEMBRA é meu xodó, um house super radiofônico e cheio de guitarras. Por último, “Loira” veio com toda a nostalgia de um som lo-fi, meio 80’s. Bastante influência do Daft Punk em alguns timbres dessa faixa.

 

Quais são as influências para esse EP?

Bon Iver, Daft Punk, Rhye, Bonobo, Postal Service e mais vários lances que tenho ouvido nessa onda nos últimos meses.

 

“Esse é um anúncio de uma nova fase, não necessariamente mais eletrônica, porém mais acessível” Comente essa frase sua.

Como eu falei ali em cima, tenho pensado hoje um pouco mais na entrega da música, na embalagem do que na canção ou no discurso em si. O que e como o ouvinte vai receber/sentir isso.

 

A ideia principal para a criação das canções foi samplear vozes e transformá-las em synths ou texturas.

Sim, o disco começou com samplers, em sua maioria de vozes, e aos poucos elas foram tomando seu lugar. Algumas viraram synths sequenciais, outras eu passei um harmonizador e soaram como pads, e por aí vai. Foi bem divertido trabalhar dessa forma, sampleando a mim mesmo.

 

Fale mais sobre o disco (Produção/gravação/criação/repertório/etc).

A vontade de fazer o disco enquanto eu ouvia outro disco e o disco em si é um grande recorte de um outro disco (no caso o meu). Acho que a produção foi tão intensa (e às vezes confusa) quanto a frase a cima.. No geral, fiquei bem feliz com toda a vibe do disco, principalmente com a ID visual também. As fotos que fiz com o Victor Polak no Raw Studio no RJ ficaram ótimas. Saldo super positivo!

 

 

 

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