17 de fevereiro de 2026

As histórias reais que influenciaram o novo EP de Luan Nobat

 

Nobat acredita que ESTAÇÃO leva seu trabalho para outros rumos. Bem diferentes dos trabalhos anteriores. O EP traz uma temática mais trabalhada e mais singular. com um otimismo solar, como o próprio músico diz, fala das chegadas a partir do nascimento e das despedidas a partir da morte. Apesar disso, ESTAÇÃO é o segundo lançamento que entra para a trilogia ESTAÇÃO CIDADE BAIXA, álbum que ainda será publicado por Nobat.

— Eu compus esse trabalho numa época muito boa da minha vida em que eu tinha o desejo de enxergar as coisas de outra forma. O NOVATO, meu disco anterior, é bem mais denso, complexo, até mais áspero eu diria. Da série “Estação Cidade Baixa”, o Estação me parece o mais aberto. Eu achava que o CIDADE era um disco mais pra cima, mas há alguns dias uma amiga me disse que achava ele meio pesado — comentou Nobat.

 

Veja abaixo uma entrevista especial que fizemos com Nobat.

 

 

Ao observar a temática das músicas, percebi que o EP tem uma poesia bem variada e que você gosta de colecionar histórias.

Sim, acredito que o ESTAÇÃO é um projeto de grandes histórias. O CIDADE, EP que já foi lançado, tem seu foco concentrado nas movimentações contemporâneas de Belo Horizonte, o ESTAÇÃO já veio com essa abordagem do encontro e da despedida, o Baixa vai trazer outras paisagens. Eu faço música a partir das minhas histórias, nunca fui muito de ficção. Todas aquelas histórias que são condutoras estéticas das músicas carregam olhares meus sobre aquilo que está ao meu redor ou sobre as experiências que atravessei.

 

A letra de MARIA CLARA parece ser de uma história real. Se sim, quem é essa garota? E se não, como chegou a essa história? O que lhe inspirou?

Todas as histórias são reais, especialmente nesse trabalho. Maria Clara é uma sobrinha que nasceu há três anos com um problema no pezinho direito – ele era levemente torto. É uma situação muito comum, mas que naturalmente preocupa muito os pais e as pessoas ao redor. Lembro que muito se falava do caminhar dela, se ela conseguiria andar, correr, fazer tudo que as crianças fazem. Maria Clara sempre foi uma guerreirinha e, apressada que é, começou a andar muito antes do que se esperava e sem nenhum problema. A música fala um pouco disso: é um desejo de boas-vindas combinada a um convite a andar, caminhar pelo mundo e viver as coisas da vida com muita fé e sem medo do novo, daquilo que vem depois. É o que a energia da Clarinha me transmite.

 

Em NOVA ERA, você fala do falecimento de uma avó, o que causou uma falta imensa na família da matriarca. Novamente, te pergunto, como chegou a essa história?

Essa é a história da minha família materna. Minha avó, Sinene, uma baiana guerreira, mulher negra, de crenças múltiplas, imensa na sua importância e na sua energia, transcendeu de uma maneira rápida e dolorosa. O vácuo que ela deixou nos abalou muito – é aí que a gente se atualiza do tamanho das pessoas. Depois de passado o luto, no processo de compreensão mais amadurecido e do reestabelecimento da ordem das coisas, eu fiz essa canção sentado debaixo de uma goiabeira numa manhã bem ensolarada. Acho que foi ali que me curei um pouco da dor e pude dar lugar à boa saudade e às novas conexões. Chorei muito ao escrever a letra, mas ganhei naquele dia como se fosse um presente dela uma fé que nunca tive nas coisas, nos processos, na minha jornada e na vida das pessoas ao meu redor. Acho que foi um momento de ampliação de horizontes e eu entendi as pessoas traspassam o espaço-tempo pra acessar outras fases desse game maluco aqui. A energia da minha avó ainda rege nossa orquestra, agora de outra forma, com outra luz. Ninguém vai embora.

 

E a história de BIA?

A letra de Bia vem de um acontecimento bem curioso. Quando ela estava prestes a nascer, há quatro anos atrás, eu estava num restaurante, sem celular e sem notícias – só sabia que a Julia, sua mãe, havia entrado em trabalho de parto desde a noite anterior. Em dado momento eu senti a chegada dela e falei com a Luísa, minha esposa, pra gente anotar aquela hora que era exatamente a hora que Bia havia chegado no planeta. Algum tempo depois chegamos ao hospital e recebemos a notícia que Bia havia nascido. Eu pedi pra ver o horário exato do parto e eu tinha acertado até mesmo o minuto. Então eu brinquei: “Seja qualquer uma a estrela de onde veio / pra pousar seu brilho aqui / eu te juro eu percebi / a primeira explosão de sua luz irradiante no planeta / eu vi!”. É uma marujada, meio marchinha, com aqueles sonzinhos de Mário World que eu adoro. Amo essa música e tocá-la tem sido divertido demais.

 

Fale mais sobre o EP (desafios, provocações, produção, gravação, criação, etc).

Esse disco é só desafio dentro dele. Estação Cidade Baixa é uma série composta por três EPs (ESTAÇÃO / CIDADE / BAIXA) e todas as músicas foram compostas no mesmo momento, porém apontado vivências e olhares diferentes. Estação é o mais generoso deles, eu amo esse disco, jamais imaginei que pudesse compor e cantar algo nessa direção e isso me deixa feliz de verdade. A nossa vida é muito moldável, basta que tenhamos confiança e a gente promove todas as transformações que precisamos internamente e externamente também, nossas vibrações tem essa potência de alterar as coisas ao redor. Daí a importância de nos cuidarmos, de estarmos juntos daquelas pessoas que amamos, de sermos um lugar de amor e de serenidade pra que o mundo lá fora seja também reflexo disso.

 

Como será essa transmissão ao vivo no dia 17? E o show?

Vamos tocar as três músicas do ESTAÇÃO no estúdio onde gravamos o disco, a Ultra Music, que nos deu essa oportunidade linda e que vem fazendo um trabalho importantíssimo com seu selo, lançando artistas novos e dando a eles a oportunidade de gravar em um estúdio bem equipado e que permita um amadurecimento dos processos todos, além da equipe mega sensível e que entra na missão junto com os artistas e bandas. Vamos tocar na sala onde gravamos muitas coisas e vai ser legal revisitar essa parte do processo que foi maravilhosa, de grandes aprendizados e que deixa uma saudade imensa. O show de lançamento do álbum ESTAÇÃO CIDADE BAIXA ainda é uma surpresa, estamos pra anunciar uma turnê bem legal pra divulgar a disco-série, por enquanto estamos lançando clipes (como o de praia_da_estação, do EP CIDADE) e outras coisitas. Convido todo mundo a acompanhar pela página no facebook as novidades que são muitas e vão vir de uma vez só.

 

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Matheus Luzi é idealizador e fundador da Revista Arte Brasileira. Está cursando o último ano de jornalismo pela AEMS (Três Lagoas-MS) e é apaixonado por música brasileira.

 

 

 

 

 

 

 

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