30 de abril de 2026

“Compor, poetar, versar e cantar é necessidade do artista”, diz Dentinho Arueira sobre seu álbum “Minha Tribo”

(Credito: Pablo Teixeira)

 

Três décadas de carreira resultaram no disco “Minha Tribo”, de Dentinho Arueira. Paranaense radicado em Santa Catarina, ele é um nome conhecido na cena catarinense. Ao misturar ritmos brasileiros e poesia em suas canções, nasceram as 10 faixas do trabalho que levam o ouvinte a conhecer e reconhecer a terra, o povo e a crença popular. São músicas com contação de causos, remetendo a um recomeço. O álbum encontra-se disponível nas principais plataformas de streaming e em formato físico.

“Nesse disco busquei traduzir em poesia e canção o contato com os costumes, saberes e fazeres do povo brasileiro. Pertencer a uma tribo é compartilhar sentimentos e emoções com a música”, define Dentinho.

O “Minha Tribo” é o terceiro disco da carreira de Dentinho Arueira, sendo o primeiro gravado em estúdio. O álbum contou com mixagem e masterização de Alexandre Siqueira, com arranjos de Dentinho Arueira em parceria com Jacson Araujo. A direção geral do projeto foi de Cris Puccini, enquanto a direção musical ficou por conta do multi-habilidoso, Dentinho. As gravações foram realizadas no Estúdio Promix, por Gilson Machado. O projeto gráfico do álbum é do El Clandestino, com foto da capa por Clarissa Herrig de Oliveira (Projeto Música de Calçada).

 

 

Como foi para você o processo de pesquisa para a criação deste álbum? Ainda nessa pergunta, há quanto tempo você vem pensando em “Minha Tribo”?

Já fazia um tempo que sentia o desejo de produzir um Cd em estúdio pois meus outros trabalhos,um gravei ao vivo e outro uma compilação de canções.

Fiz pocket shows em várias cidades do país apresentando um setlist de composições inéditas. Queria botar o pé na estrada.

Nesses pocket shows foi um laboratório: conheci várias tribos e fui amadurecendo ritmo, melodia , harmonia e arranjos. Assim quando terminaram as apresentações nasceu “Minha Tribo”.

 

O que você pretende passar ao público com este álbum? E o que o álbum representa para você e sua carreira como um todo?

Compor, poetar, versar e cantar é necessidade do artista. Este álbum me possibilitou mostrar ao público que estou em movimento com a arte.

“Minha Tribo” representa recomeços. Sou um eterno recomeçar “trazendo na mala bastante bagagens”.

 

Pelo o que estou ouvindo, “Minha Tribo” não é somente uma leitura das crenças e da cultura brasileira na questão poética, mas também na parte musical. O álbum é repleto de ritmos brasileiros…

Antes de frequentar a escola eu já ouvia música em casa, nas feiras populares, quermesses no interior do Paraná, aonde nasci e passei minha adolescência.

Quando fui para a escola tive acesso aos livros e aí a poesia nasceu quando conheci a literatura de cordel, que é uma poesia ritmada e sonora.

Minha memória afetiva é musical e cheia de poesia da cultura popular, por isso os ritmos brasileiros tão presentes nas minhas produções.

Quando cheguei ao estúdio de gravação com o repertório definido para iniciar a produção de “Minha Tribo”, cada canção foi criando sua própria imagem para cada cena cantada. O frevo na canção Jardim de Casa, a música “Meu Santo”  apropria-se dos elementos  da religião afro-brasileira que tem por base a força da natureza: o ijexá, a canção “A Caminho de Montes Claros” é uma marcha que trabalha entre o frevo e o xaxado. Definindo assim essa caravana musical.

 

Entre as dez faixas que compõem o álbum, qual delas você acredita ser o “Carro Chefe”? e por que?

A canção “Meu Santo”, faixa dois, porque é a canção que abre o pacote de sons ritmos que o disco pretende mostrar. Também por ser uma parceria com o violonista paulista André Fernandes.

 

Qual sua visão da nossa cultura e crenças?

Somos um país diverso. Em cores, ritmos, crenças, sabores e saberes. 

Está aí nossa grande riqueza. Nosso desafio é conviver em harmonia com o diferente.

“Somos feito de pau e pedra, medo nenhum do perigo”, verso da música “Boas Vindas”, faixa um do álbum.

 

Você tem alguma história ou curiosidade interessante para nos contar referente ao álbum?

Durante a gravação de “Boas Vindas”, na estruturação da música perceberam nos últimos compassos uma música incidental. Vai lá e confere.

Foi um presente prá nós no estúdio. Viva a liberdade de criação!!

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Agradeço muito pela oportunidade de falar sobre Minha Tribo. Foi meu primeiro trabalho em estúdio que me trouxe outras experiências de criação. Uma delas foi trabalhar com parcerias nas composições. Sonekka, André Fernandes e o poeta Rubens da Cunha.

Uma vez uma pessoa me disse que eu fazia música honesta. Fiquei muito tempo pensando no que ela quis dizer e o que isso representava na minha música; Hoje sei que faço música honesta: aquela que vem das minhas andanças, da minha memória, do meu coração, sem me importar se é moda ou sucesso. É honesta. Só agradeço!

 

 

 

 

 

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