8 de outubro de 2026

Em novo disco, Ricardo Vignini toca os ritmos tradicionais caipiras

Rita Perran / Divulgação.

Dois CDs de solos de viola do Índio Cachoeira, que tiveram a mão de Ricardo Vignini na produção, e a beleza dos álbuns do Gedeão da Viola, Zé do Rancho, Bambico, Helena Meireles e de Tião Carreiro, inspiraram Vignini a gravar seu novo álbum, que foi batizado como “Raiz”, e entregue ao mundo pelo selo Folguedo, com distribuição da Tratore.

O nome, por sua vez, é o retrato do que o violeiro apresenta ao longo das treze faixas que compõem o álbum, sendo que a maioria delas (no total sete), são de sua autoria, ainda que em duas, divide a composição com Juca Filho e Rafael Schimidt (um em cada música).

Apesar de ser considerado um “violeiro diferente”, que vai de Tião a Hendrix, em “Raiz”, ele faz do seu instrumento de guerra um caminho para relembrar grandes compositoras da música caipira, tais como Índio Cachoeira, Cuitelinho, Zé Mulato, Tião Carreira, e outros. Para isso, Ricardo se apegou (profundamente) nos ritmos tradicionais da cultura sertaneja, como o cururus, cateretês, chamamés e pagodes de viola.

O projeto, que já está disponível nas plataformas digitais, em CD físico, e em ebook com as partituras, foi contemplado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério do Turismo, Governo Federal.

CONFIRA OS COMPOSITORES DAS MÚSICAS

Tinha Carreiro / Olemir Candido

Chá de Gengibre / Ricardo Vignini e Rafael Schimidt

Último Adeus /José Fortuna e Carreirinho

De Butuca / R. Vignini

Batuque no Ranchão / Zé Mulato e Tião do Carro

Virei Jacaré / R. Vignini

Seleção Índio Cachoeira (Violinha Fandangueira, Artista Caboclo e Ecologia Brasileira) / Índio Cachoeira e Cuitelinho

Estrada Velha / R. Vignini

Paixão de Carreiro / Olivaldo

Rastarapé / R. Vignini

Dr Cateretê / R. Vignini

Moedão / R. Vignini e Juca Filho

Desse Mato sai Coelho / Marcelo Berzotti

Ricardo Vignini por Juca Filho

Ricardo Vignini é um violeiro diferenciado. Da raiz à antena o cara vai em todas. De Tião Carreiro a Jimi Hendrix nada escapa a esse endiabrado operário das dez cordas. Sempre em busca da originalidade através de variadas abordagens e performances, Vignini leva a viola brasileira para passear pelo mundo, testando os limites e possibilidades do instrumento de um jeito que vai além do usual. É um violeiro que não se encontra muito facilmente por aí, mesmo numa cena como a atual, cheia de bons especialistas.

Proativo e inquieto, seus trabalhos são inúmeros e sempre originais. Entre várias empreitadas musicais de variadas matizes, Vignini manteve um duo acústico “de raiz” com o grande e saudoso mestre violeiro Índio Cachoeira, a quem produziu e com quem tocou pelo mundo afora, além de ministrar, por muitos anos, um curso de viola muito prestigiado, em SP. Também mantém com o violeiro mineiro Zé Helder, outro duo bastante original, o “Moda de Rock”, que traduz para viola o repertório de grandes ícones do rock como Hendrix, Led Zeppellin, Stones, Black Sabbath, Iron Maiden, Pink Floyd, Ramones, AC DC, e com quem já dividiu o palco com grandes guitar heroes brasileiros como Pepeu Gomes e Robertinho do Recife, entre outros. (Sem esquecer de vez em quando, mandar um pout-pourri de Tião Carreiro, “pro pessoal saber que, antes de tocar aquilo tem que saber tocar isso”).

Como se não fosse pouco, Vignini ainda coloca, há muitos anos, suas dez cordas canhotas  a serviço do “Matuto Moderno”, banda que veste vários gêneros “matutos” como a catira e a folia de reis, com arranjos de alto impacto, chegados ao pop, inclusive com o uso da viola eletrificada e outros babados. Aliás, é com a viola elétrica, ou “viola-guitarra” (nome que, para muitos do meio, já seria, por si só, um sacrilégio), que Vignini performa, no formato “power trio”, o ótimo “Sessões Elétricas Para Um Novo Tempo”, um dos três CDs que ele produziu na pandemia, até agora. Os outros foram “Cubo” e “Reviola”, onde eu tenho a alegria de ter uma parceria com ele, a música “Moedão”, que não é a primeira porque, além disso tudo, Ricardo Vignini ainda compôs a música original e dividiu comigo a direção musical do curta-metragem “Toca Pra Diabo”, de 2013, escrito por mim e dirigido por João Velho. No meio disso tudo ainda grava com bastante gente, incluindo Lenine. E a coisa não para por aí, a discografia completa do sujeito ainda conta com vários trabalhos, seja com o Moda, o Matuto ou solos, como “Na Zoada do Arame”, “Rebento” e “Viola de Lata”. Para concluir vale dizer que, apesar de ser um estilista dedicado a evoluir um único instrumento, Ricardo Vignini é, na verdade, um artista múltiplo porque nas suas mãos a viola tem sete vidas. E vale por sete instrumentos.

As informações foram obtidas por meio do release oficial do artista enviado a imprensa.

Gabriel O Pensador, sempre insatisfeito em “Matei o Presidente”

Reportagem escrita por Nathália Pandeló em outubro de 2018 e editada por Matheus Luzi   Há quem diga que o.

LEIA MAIS

Sonoridades dos continentes se encontram em “Saudoso Amarais”, disco do artista campinense Leandro Serizo

O projeto solo discográfico do paulista Leandro Serizo se iniciou em 2021, quando o single “Libertas Navy” foi disponibilizado. Aproximadamente.

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS

Gabriel Acaju: “ABAIXO O ESTADO CENTRAL DE SAGACIDADINHEIRO!”

Para compreender o segundo álbum de Gabriel Acaju é necessário um mergulho na história criada pelo artista, história essa que.

LEIA MAIS

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira. Nela, convergem 3 marcos.

LEIA MAIS

 Artur Rosa: prelúdio para um só artista

Quem há de completar a obra reguei com meu pranto e suor. Henriqueta Lisboa 1. Arthur Rosa (25.06.1984) nasceu em.

LEIA MAIS

Clarice Lispector – Como seria nos dias atuais?

(Crônica de Brendow H. Godoi) Quem seria Clarice Lispector se nascida na década de noventa? Talvez, a pergunta mais adequada.

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS

Edilson Araújo: verde que te quero verde

Verde que te quiero verde.Verde Viento. Verdes ramas.El barco sobre la mar y el caballo em la montãna. Federico García.

LEIA MAIS

Maringa Borgert guia passeio pela história, cultura e artes do Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul é um estado independente e unidade da Federação desde o final dos anos 1970 quando.

LEIA MAIS