10 de fevereiro de 2026

Inspirado em crise pessoal, coletiva e da política, o rapper Rashid manda sua mensagem no disco CRISE [ENTREVISTA]

 

É certo que o novo disco de Rashid tem muito a ver com as crises. Tanto pessoais, coletivas quanto do momento atual do nosso país. Pelo menos é isso que ele tenta demonstrar, principalmente na faixa MÚSICA DE GUERRA, assim como em todas as outras 9 canções do álbum. O interessante também é o que o rapper não se deixa levar somente por essa temática, trabalhando também com temas como a vida e o cotidiano ao usufruir da pureza e da simplicidade dessas poesias.

Rashid, apesar de ter vindo da periferia, com o disco CRISE, pretende alcançar o mundo todo, como já vem acontecendo… A seguir, você verá na íntegra uma entrevista especial que fizemos com o rapper. Veja: 

 

 

O nome do álbum CRISE, faz referência tanto a sua crise pessoal como a da política. Como chegou nisso tudo? Fale um pouco sobre essas duas crises, na sua perspectiva.

Na minha visão, uma coisa está intrinsecamente ligada à outra. A crise que ocorre no nosso país e no mundo acaba gerando várias outras pequenas crises no nosso estilo de vida. É isso que tento passar no montante desse disco. As músicas contrariam umas às outras, o que representa as nossas variações de estado de espírito num mesmo dia. 
Nunca tivemos tantos jovens passando por crises de ansiedade e depressão, então o disco tem a ver com isso também, como o mundo “lá fora” tem relação com isso. Não necessariamente fala somente do Rashid, mas de qualquer pessoa.

 

O álbum traz narrativas contestadoras, não é?

Isso mora na raiz do Rap e consequentemente do meu som. A Nina Simone disse uma vez que não é possível um artista não refletir os acontecimentos do seu tempo em sua arte, e eu concordo plenamente.
Na minha música tem espaço pro amor, felicidade, celebração, mas também pra continuar colocando o dedo na ferida sempre que necessário, ainda mais por estar numa posição onde as pessoas escutam o que falo.

 

Você surgiu na periferia, e agora, fala para o mundo todo. Nesse sentido, qual o alcance que você deseja para CRISE?

Primeiro, a gente sempre espera que o novo trabalho alcance mais gente que o anterior. Segundo, que essas novas pessoas, junto com as que já me acompanhavam, possam sentir o que cada música passa e assimilem as ideias. 
Vivemos cercados de informação e conteúdo hoje em dia, então a atenção de cada um é um tesouro que devemos usar muito bem, pra não ser só tempo gasto, mas sim tempo investido. Ter um público que nos acompanhe tão fielmente quanto o nosso, é uma honra. E é isso que nos motiva a tentar melhorar nossa arte sempre.

 

O som e o Busines são dois alicerces que norteiam o álbum. Comente.

Sim, o disco foi pensado e lançado junto de uma estratégia de mercado, que acompanha a nova forma que o público consome música. Nesse meio, acredito que seja sempre necessário estudar e tentar acompanhar a evolução porque as coisas mudam rápido demais. Há menos de 10 anos, a gente estava vendendo 10 mil cópias de nossas mixtapes, hoje o CD quase não faz sentido mais, nem o download.

 

CRISE é formado por 10 faixas. Como aconteceu o processo criativo e a escolha do repertório?

Desde março de 2017, fomos lançando praticamente 1 música por mês, acompanhada de um clipe ou lyric video.
Todas as músicas partiram do zero e era preciso que elas conversassem entre si, lembrando aquele lance de cada faixa contrariar alguma outra, além de ser necessário que funcionassem sozinhas já que foram lançadas separadamente. 
Dessa forma fomos construindo esse projeto, com o público acompanhando cada passo.

 

O álbum conta com a participação de uma grande galera, certo? Como foi trabalhar com eles?

Demais. Sempre bom contar com um time que abraça o trabalho com carinho.

 

E mais, você investiu muito tempo nesse álbum. Comente.

Como o projeto foi construído e lançado aos poucos, pra gente não pareceu tanto tempo, mas a verdade é que foi um ano inteiro dedicado a isso. O mais difícil foi manter os prazos de lançamento.
Aí, no dia 19/janeiro/2018, nós juntamos as faixas lançadas com mais 2 inéditas e “finalizamos” o disco.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Acho que algo legal de comentar é que várias músicas ficaram de fora porque não se encaixavam no contexto do projeto e as 2 faixas inéditas (MÚSICA DE GUERRA e PÉS NA AREIA) chegaram na última hora e substituíram outras 2 músicas que estavam ali. Foi uma correria monstra pra terminar essas músicas a tempo e no final das contas, as 2 tracks que entraram depois foram consideradas 2 das melhores músicas do projeto.

 

 

 

 

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