6 de março de 2026

Mario Adnet em “Saudade Maravilhosa”

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“Saudade Maravilhosa” enfatiza a produção autoral de Adnet como compositor, que diz que tudo se completa, o arranjo, a composição. A criatividade deste álbum, assim como dos outros, foi sempre em função do tempo que Mario tem. As vezes, ele está com as composições inacabadas ainda, e já tem estúdio marcado. Adnet diz que essa pressão funciona muito bem com ele, e que sua criatividade fica muito mais aguçada.

Entrevistamos o músico, e ele falou um pouco sobre o disco “Saudade Maravilhosa”. Veja:

 

 

Em “Saudade Maravilhosa”, você faz o papel de arranjador e produtor, além de ser o compositor das faixas. Qual dessas tarefas foi a mais desafiadora? E Como foi para você unir essas atividades num só disco?

Na verdade, como sei o resultado que quero, no caso da produção, Antônia Adnet, minha filha, está produzindo comigo, é mais um par de orelhas pra me ajudar, então fico bem tranquilo. Me preocupei em fazer, dessa vez, um disco pra mostrar a música, menos preocupado com arranjo, embora isso já venha com as músicas quase sempre. Então fico atento ao acabamento, imagino uma frase que pode enaltecer a música, também pra não desperdiçar as possibilidades dos instrumentos e não deixar o pessoal parado. Então, tudo é desafiador. Às vezes uma música difícil parece mais desafiadora do que uma mais simples, e na verdade, tudo tem o mesmo peso. Então, foi muito fácil unir tudo isso no disco.

 

O site G1, classificou o CD como indo do choro ao jazz com bossa. É isso mesmo? Como você define o álbum?

É, na verdade, eu diria que eu sempre faço a mesma música, como aquele sanduiche de 1 KM, que você vai tirando um pedaço, só que ele vai evoluindo ao longo do tempo. E você tira um pedaço dele, é uma música, outro pedaço, é uma outra coisa, uma outra paisagem sua. Você vai aprimorando as suas marcas e persistências, e eu definiria o álbum como a melhor coisa que eu estou fazendo nesse momento da minha vida, mas sem muita pressão e sem muito perfeccionismo.

 

Você trabalha com muito sentimento em “Saudade Maravilhosa”. Num álbum como esse, você acredita que é possível unir o sentimento com a técnica?

Acho totalmente possível. Faço tudo que posso em termos de técnica, que é você levar tudo escrito, o máximo de definição nas partituras. O pessoal tem uma técnica incrível, e a gente pode parar de pensar nisso e adicionar o sentimento que é o objetivo maior de tudo, acima da técnica.

 

O que significa o título “Saudade Maravilhosa”?

“Saudade Marvilhosa”, significa, além de o trocadilho com a cidade maravilhosa, que, não sei se já existiu, mas o projeto de cidade maravilhosa está quase impossível. Então, acho que essa saudade vem bem a a calhar e tem certas saudades que são maravilhosas.

 

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Quais são as inspirações para a produção, gravação e composição de “Saudade Maravilhosa”?

Na verdade, eu procurei um conjunto de músicas que tivesse uma ligação. Tinha músicas inacabadas, guardadas em algum lugar da memória ou em algum arquivo do meu computador. Coisas de 5 anos até de vinte anos que decidi retomar. Me lembro de tentar seguir adiante com algumas dessas músicas e ficar meio travado. Ao revê-las recentemente descobri outras possibilidades de caminhos e consegui termina-las. Foi o caso de algumas músicas do disco.

 

Além de vender o CD físico, você disponibilizou o álbum no youtube. Por que tomou essa decisão?

Bom, o CD foi disponibilizado no Youtube pelo SESC. Não foi uma decisão que eu tenha tomado mas é uma prática deles. E que não acho ruim, não tem muito jeito né. Essas coisas de internet, de como a gente vai ganhar com isso, é uma coisa que ainda está se acomodando. É uma revolução nova, a música talvez tenha sido a primeira coisa a dançar nesse meio virtual. Mas está tudo evoluindo, os equipamentos estão evoluindo. A técnica está evoluindo, a engenharia eletrônica, vamos ver o que vai acontecer…

 

Você começou sua carreira musical em 1980 com o disco Alberto Rosenblit & Mario Adnet. Daquele tempo pra hoje, o que mudou na sua música? E como isso influenciou no resultado final de “Saudade Maravilhosa”?

Minha música foi evoluindo. Acho que é a mesma música que vou insistindo em fazer, vou persistindo, criando sequências de que gosto e vou colecionando esses encadeamentos harmônicos e melódicos ao longo do tempo. À medida que vou amadurecendo, as combinações vão mudando. Então, a influência disso no resultado é uma música madura, com proposta divertida também, porque se não tiver diversão, não tem graça.

 

 

 

 

 

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