7 de março de 2026

Em novo single, Sarah Abdala faz “oração para as Américas”

Sarah Abdala Oração para as Américas

(Capa do single)

 

“Olhos d’água, que proteja e liberte o meu povo / Dessa terra / Que proteja e liberte o meu povo”, clama a cantora e compositora Sarah Abdala em sua nova música. Como um mantra, “Oração Para As Américas” reflete em versos curtos questões complexas sobre a identidade dos povos latinos, sua sensação de não-pertencimento e o desejo por dias melhores. A faixa se une aos já revelados singles “Seio Azul” e “Migrante” e antecipa o novo disco da artista goiana, “Pueblo”. 

Em um formato minimalista, em que a voz, violão, guitarra, sintetizadores e percussão de Sarah se encontram com backing vocal de Tai Fonseca e synths e modulares de Rogério Sobreira (também responsável por mixagem e masterização), a composição busca no nosso complexo senso de identidade latinoamericana a inspiração para um clamor em nome dos povos historicamente sofridos, seja no Brasil ou nos países vizinhos. 

Abdala explicita essa reflexão desde o título do álbum à temática de variadas canções ao longo de “Pueblo”, que fala abertamente de origens e feridas ainda não cicatrizadas nas sociedades da América Latina. Sem abandonar uma perspectiva histórica, a artista faz um paralelo com a instabilidade política que enfrentam, atualmente, alguns dos mais importantes países do cone sul. 

“Eu fiz essa canção num momento de muita preocupação por tudo que a gente está passando no Brasil, e podemos estender essa preocupação para outros países da América Latina.  Fiz a música realmente como uma forma de pedir ajuda, como uma oração que acalma em uma hora de muito perigo”, explica Sarah.

 

 

VAMOS REFLETIR?

“Oração Para As Américas” serve, também, como provocação à identidade brasileira diante dos países vizinhos e dos povos latinoamericanos frente ao poderio cultural dos Estados Unidos e da Europa. Colocando em pauta a visão do Brasil como único país falante de Português no continente – o que, muitas vezes, serve de argumento para um distanciamento cultural -, a música evoca o “complexo de vira-lata” presente na construção de identidades nacionais que se curvam à onipresença dos produtos culturais vindos da América do Norte ou Europa.

“Muitos brasileiros acham que o que é produzido no Brasil ou na América Latina não presta, isso vai da música à ciência. A gente tem esse ranço de ser o quintal do mundo, um ranço colonial… Claro que tivemos e temos movimentos que tentaram ‘explicar’ o nosso povo a partir do nosso povo (vários escritores, músicos, pesquisadores desenvolveram trabalhos nessa área), mas isso não se tornou um pensamento de massa”, reflete a artista.

E ela continua seu discurso. Esse sentimento de que daqui não sai nada bom faz com que a gente diga ok pra muitas coisas, com se nós merecêssemos isso. E claro, não merecemos. Por isso, acredito que de muitas formas o nosso povo precisa ser libertado desse movimento perigoso, reacionário, que tomou de assalto a política e o imaginário brasileiro. Libertado de muitos preconceitos, e um deles é o preconceito que temos com nós mesmos, como latinoamericanos”, reflete Abdala. 

 

SOBRE A ARTISTA

A jornada da artista começou com “Futuro Imaginário”, lançado em 2014. A estreia apresentou ao público uma sonoridade calcada em MPB e rock alternativo, explorando arranjos bem elaborados para composições colecionadas ao longo dos anos. O disco logo ganhou os palcos e rendeu a bagagem necessária para a construção de “Oeste”, de 2017, onde ela se mostrava à vontade para explorar sensações, sentimentos e nuances tanto instrumentais quanto poéticas. 

Sarah Abdala Oração para as Américas

(Crédito: Tai Fonseca)

Após se aventurar pelos ambientes onde cresceu no álbum “Oeste”, cuja turnê lhe levou até o México, Sarah Abdala direcionou seu olhar pessoal para o mundo. A cantora se apropriou da história de sua família de origem libanesa para refletir a condição dos que buscam um novo lar na canção “Migrante” e mergulho na busca por renovação em “Seio Azul”.

O olhar e visão humanos, pensando nas diásporas latinas, formam as migrações poéticas e estéticas de “Pueblo”, previsto para o início de 2020. O álbum contará com participações de nomes como Lucas Vasconcellos e Marcelo Callado. 

 

Textos de Nathália Pandeló – Edição de Matheus Luzi

 

 

 

 

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