21 de setembro de 2026

A minha lente mente!

Sol do amanhecer de sábado, não um sábado qualquer…um daqueles que acordamos com uma energia diferente. Foi suficiente, mesmo que aparentemente é, pra que o meu melhor tênis saísse do baú e a passos largos percorresse ainda antes das nove horas (da madrugada, rsrs) os três quilômetros mais distantes que encarei nos últimos tempos.

No Parque Barigui, aqui em Curitiba, tenho a sensação de que ondas vem e vão… ondas de emoção, ondas da razão, ondas de capivaras também! Sim! Acredite, as capivaras são animais sagrados em Curitiba, e sim, elas andam entre nós… ou melhor, elas ficam paradas enquanto pessoas de todas as tribos andam, correm, pedalam, esticam o esqueleto… Essa visão que você teve agora é como uma bela fotografia, não é?

Apreciar o lago do Barigui com a bela paisagem da cidade ao fundo… e clique, clique, clique… gente, o que é isso? Uma onda de fotógrafos invadiu o Parque! Em cada 50 ou 100 metros, há um deles com aquelas câmeras com grandes lentes profissionais, a capturar fotos e mais fotos da vida como ela é…

Quase instantaneamente me vieram os versos de Cazuza da música “Lente”, interpretados por Barão Vermelho: “Mudou a minha lente, de repente ficou tudo maior / Mudou a sua lente, de repente ficou tudo menor / Mudou a nossa lente, é ficou tudo do tamanho da gente”.

E como num Ímpeto eu sai de lentos passos curiosos para uma corrida acelerada (e quase sem ar! rsrs) para eu ver cada fotógrafo de mais perto e tentar assim entender qual a visão daqueles fotógrafos por trás da lente… E a música ao fone de ouvido trouxe a resposta que eu precisava: “A lente não mente / Mente quem está detrás da lente”.

Logo pensei qual “seria a reação de um daqueles fotógrafos ao ouvir esse trecho da música?” Desacelerei a corrida, pairou novamente o ar de curiosidade em mim (e também o ar dos pulmões voltou!!! ahhhhh como é bom respirar!), olhei adiante e lá estava ele: “o personagem principal deste texto estava lá, sentado na mureta da ponte que corta o Parque, com aquele tal colete amarelo de fotógrafo, segurando uma daquelas lentes fotográficas que certamente não mentem!”


O escolhido foi Murilo Moreira Branco, 30 anos, um jovem e sorridente fotógrafo.

Murilo iniciou na fotografia por gosto pessoal, observando outros e sentindo o desejo de capturar momentos da vida através das lentes. Dedicado a fotografia esportiva, uma área pela qual desenvolveu grande paixão devido ao processo e às emoções envolvidas.

Entre um clique e outro, Murilo ouviu comigo a música do Barão Vermelho que continuava: “A lente não mente, objeto transparente / Me deixe ver o que sempre foi aparente”.

Sobre sua escolha incomum de local e olhando ali de cima ao seu lado, realmente uma visão mais ampla e diferente traziam a perspectiva ideal, ou quase ideal, a depender de quem está por detrás da lente. O meu ideal é a tradução de minha própria lente e depende do momento aparente!

“Murilo, você estranha o que vê a sua frente?”

“A verdadeira lente está nos olhos e na percepção do fotógrafo, o que torna cada foto única” (palavras do Murilo)

“E aparentemente reluzente” (minhas palavras)

“E como um objeto desejado na vitrine, mas vitrine é vitrine” (Cazuza).

E você, concorda com a gente?

Daria tudo pra registrar agora sua expressão por detrás da minha lente, a começar por qualquer coisa que eu invente! Eu estou vendo até seus pensamentos a seguir em frente, escolhendo os lugares onde deverão estar presentes: em um sorriso, um cantar, um sussurrar ou qualquer movimento aparentemente aparente!

A Lente de Murilo mente?

O rapaz com um belo e alegre sorriso (vitrine é vitrine!) responde, de forma bem-humorada, que “sim”, ela mente “muito”.

Os risos assinaram o fim dessa história neste sábado de sol…pelo menos pra ele parecia o fim! Sob o ângulo da minha lente, aqui estou a traduzir a verdade nem sempre tão aparente, mas que na minha vitrine se torna uma fotografia desenhada a luz da imaginação, mesmo eu sabendo que você, caro leitor, criou outra história detrás da sua lente, que também mente…

E não tente enganar a gente! Rsrs

Até a próxima, amigo leitor!

Toda música trabalhada nesta coluna está disponível em uma playlist no Spotify

Sobre “Playlists da Vida Como Ela É”

​A Playlist da Vida Como Ela É é uma coluna de crônica musical que deixa de lado a teoria técnica para focar na música como trilha sonora do cotidiano. O espaço explora o encontro entre o fone de ouvido e a vida real, transformando cenas do “corre” diário — como o trânsito, o café frio ou uma nova porta que se abre — em curadorias emocionais. O objetivo é criar conexão e identificação imediata, mostrando como a sonoridade certa humaniza a rotina e altera nossa percepção do mundo, servindo como uma ferramenta de sobrevivência e poesia para quem vive a vida exatamente como ela é.

Sobre a autora da coluna

Ger Paiva é cantora, compositora e escritora, movida pela missão de conectar pessoas através da arte. Gestora com sólida experiência no setor industrial e empresária, ela transita entre o rigor dos negócios e a sensibilidade dos palcos, transformando o cotidiano em crônica e melodia. Hoje, atua unindo sua visão estratégica à escrita criativa para explorar as trilhas sonoras da vida real em sua coluna na Revista Arte Brasileira.

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