8 de novembro de 2026

A minha lente mente!

Sol do amanhecer de sábado, não um sábado qualquer…um daqueles que acordamos com uma energia diferente. Foi suficiente, mesmo que aparentemente é, pra que o meu melhor tênis saísse do baú e a passos largos percorresse ainda antes das nove horas (da madrugada, rsrs) os três quilômetros mais distantes que encarei nos últimos tempos.

No Parque Barigui, aqui em Curitiba, tenho a sensação de que ondas vem e vão… ondas de emoção, ondas da razão, ondas de capivaras também! Sim! Acredite, as capivaras são animais sagrados em Curitiba, e sim, elas andam entre nós… ou melhor, elas ficam paradas enquanto pessoas de todas as tribos andam, correm, pedalam, esticam o esqueleto… Essa visão que você teve agora é como uma bela fotografia, não é?

Apreciar o lago do Barigui com a bela paisagem da cidade ao fundo… e clique, clique, clique… gente, o que é isso? Uma onda de fotógrafos invadiu o Parque! Em cada 50 ou 100 metros, há um deles com aquelas câmeras com grandes lentes profissionais, a capturar fotos e mais fotos da vida como ela é…

Quase instantaneamente me vieram os versos de Cazuza da música “Lente”, interpretados por Barão Vermelho: “Mudou a minha lente, de repente ficou tudo maior / Mudou a sua lente, de repente ficou tudo menor / Mudou a nossa lente, é ficou tudo do tamanho da gente”.

E como num Ímpeto eu sai de lentos passos curiosos para uma corrida acelerada (e quase sem ar! rsrs) para eu ver cada fotógrafo de mais perto e tentar assim entender qual a visão daqueles fotógrafos por trás da lente… E a música ao fone de ouvido trouxe a resposta que eu precisava: “A lente não mente / Mente quem está detrás da lente”.

Logo pensei qual “seria a reação de um daqueles fotógrafos ao ouvir esse trecho da música?” Desacelerei a corrida, pairou novamente o ar de curiosidade em mim (e também o ar dos pulmões voltou!!! ahhhhh como é bom respirar!), olhei adiante e lá estava ele: “o personagem principal deste texto estava lá, sentado na mureta da ponte que corta o Parque, com aquele tal colete amarelo de fotógrafo, segurando uma daquelas lentes fotográficas que certamente não mentem!”


O escolhido foi Murilo Moreira Branco, 30 anos, um jovem e sorridente fotógrafo.

Murilo iniciou na fotografia por gosto pessoal, observando outros e sentindo o desejo de capturar momentos da vida através das lentes. Dedicado a fotografia esportiva, uma área pela qual desenvolveu grande paixão devido ao processo e às emoções envolvidas.

Entre um clique e outro, Murilo ouviu comigo a música do Barão Vermelho que continuava: “A lente não mente, objeto transparente / Me deixe ver o que sempre foi aparente”.

Sobre sua escolha incomum de local e olhando ali de cima ao seu lado, realmente uma visão mais ampla e diferente traziam a perspectiva ideal, ou quase ideal, a depender de quem está por detrás da lente. O meu ideal é a tradução de minha própria lente e depende do momento aparente!

“Murilo, você estranha o que vê a sua frente?”

“A verdadeira lente está nos olhos e na percepção do fotógrafo, o que torna cada foto única” (palavras do Murilo)

“E aparentemente reluzente” (minhas palavras)

“E como um objeto desejado na vitrine, mas vitrine é vitrine” (Cazuza).

E você, concorda com a gente?

Daria tudo pra registrar agora sua expressão por detrás da minha lente, a começar por qualquer coisa que eu invente! Eu estou vendo até seus pensamentos a seguir em frente, escolhendo os lugares onde deverão estar presentes: em um sorriso, um cantar, um sussurrar ou qualquer movimento aparentemente aparente!

A Lente de Murilo mente?

O rapaz com um belo e alegre sorriso (vitrine é vitrine!) responde, de forma bem-humorada, que “sim”, ela mente “muito”.

Os risos assinaram o fim dessa história neste sábado de sol…pelo menos pra ele parecia o fim! Sob o ângulo da minha lente, aqui estou a traduzir a verdade nem sempre tão aparente, mas que na minha vitrine se torna uma fotografia desenhada a luz da imaginação, mesmo eu sabendo que você, caro leitor, criou outra história detrás da sua lente, que também mente…

E não tente enganar a gente! Rsrs

Até a próxima, amigo leitor!

Toda música trabalhada nesta coluna está disponível em uma playlist no Spotify

Sobre “Playlists da Vida Como Ela É”

​A Playlist da Vida Como Ela É é uma coluna de crônica musical que deixa de lado a teoria técnica para focar na música como trilha sonora do cotidiano. O espaço explora o encontro entre o fone de ouvido e a vida real, transformando cenas do “corre” diário — como o trânsito, o café frio ou uma nova porta que se abre — em curadorias emocionais. O objetivo é criar conexão e identificação imediata, mostrando como a sonoridade certa humaniza a rotina e altera nossa percepção do mundo, servindo como uma ferramenta de sobrevivência e poesia para quem vive a vida exatamente como ela é.

Sobre a autora da coluna

Ger Paiva é cantora, compositora e escritora, movida pela missão de conectar pessoas através da arte. Gestora com sólida experiência no setor industrial e empresária, ela transita entre o rigor dos negócios e a sensibilidade dos palcos, transformando o cotidiano em crônica e melodia. Hoje, atua unindo sua visão estratégica à escrita criativa para explorar as trilhas sonoras da vida real em sua coluna na Revista Arte Brasileira.

Goreth Caldas: um sistema de metáforas (das tantas esperas)

Entre os escaravelhos e o arbustodo peito frágil existemsegredos buscando alívioatravés de sussurros. Henriqueta Lisboa 1. Goreth Caldas (Caicó, 1958), embora.

LEIA MAIS

Ancelmo: todas as rodagens iam em direção à arte

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce o sol, e põe-se o sol,.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS

VÍCIO ELEGANTE – A história de um clássico de Belchior

  “Vício Elegante” é o nome do último álbum de estúdio do nordestino Belchior, lançado em 1996, e que sem.

LEIA MAIS

Espiritualidade de pai para filho, a mensagem da nova música do israelense Ari Fraser

ARI FRASER, músico israelense, cria uma canção de ninar comovente e profundamente espiritual nesta canção. A letra se desdobra como.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Mercedes Sosa em 241 palavras

Mercedes Sosa é uma cantora argentina nascida em 1935, na província de Tucumán. É considerada como “a voz da américa.

LEIA MAIS

Silvo Carlos: eu quero uma casa no campo, de um tamanho ideal…

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,Pergunto a.

LEIA MAIS

Editoras para publicar seu livro de ficção científica e fantasia

Para aqueles que amam a fantasia e a ficção científica, sejam leitores ou escritores, trago aqui três editoras brasileiras que.

LEIA MAIS