1 de outubro de 2026

A obra de João Turin que sobreviveu a 2ª Guerra Mundial

No Memorial Paranista, sediado em Curitiba (PR) com intuito de preservar e expor a obra do paranaense João Turin, há uma peça extraordinária, além do que pode imaginar. Se trata de uma escultura que sobreviveu a Segunda Guerra Mundial e data como perdida durante quase sete décadas. Eu explico a seguir.

Definida como uma Pietá, é de cunho religioso e foi construída na França, em 1917, quando o autor residia no país. Ela foi instalada na Igreja de Saint Martin, já que sua criação homenageava os combatentes mortos na Primeira Guerra Mundial da cidade de Condê-sur-Noireau. Esses soldados (anônimos, claro) são ilustrados em volta da imagem de Jesus Cristo e da Virgem Maria.

Milagre ou não, a escultura de pedra manteve intacta mesmo diante da igreja ter sido parcialmente destruída. Porém, com boa parte dos arquivos da cidade aniquilados, os vestígios da existência da obra se apagaram. A esse fato, explica-se o esquecimento da Pietá. A única referência seria uma foto do acervo do pesquisador Saul Lupion. Essa informação foi primordial no resgate da obra.

A Pietá esquecida durante quase 7 décadas.

O RESGATE

Em 2013, um dos detentores dos direitos autorais de Turin, Samuel Lago, confirmou as suspeitas. Era realmente o trabalho do artista.

“Encontramos nos escritos deixados por Turin uma referência dele a uma obra que foi feita quando ele andava pela Normandia. Mas quando ele relatou isso cometeu um erro de grafia no nome da cidade. Então não se conseguia encontrá-la. O professor José Roberto Teixeira Leite, autor do livro ‘João Turin – Vida, Obra e Arte’, escreveu uma carta para algumas prefeituras da Normandia. Felizmente ele recebeu resposta da cidade de Condé-sur-Noireau que confirmou que estava lá uma obra assinada por Z.Turin, em vez de J.Turin, como ele costumava assinar. O ‘Z’ é a inicial de seu nome do meio, Zanin, o que dificultou um pouco mais a busca. Mas eles acharam que poderiam ser, mandaram resposta e de fato foi encontrada a Pietá”, relata Samuel.

A partir de então, se iniciou um processo cuidadoso e difícil de tentar trazer a Pietá ao Brasil, de alguma forma.

“Foi montada uma equipe multidisciplinar com um produtor brasileiro que morava na França na época, Odilon Merlin. Mandamos para lá o escultor brasileiro Elvo Betino Damo, que coordenou a moldagem no local. Depois disso, o molde foi transportado de navio para o Brasil, onde fizemos a primeira fundição inédita em bronze da Pietá”, relata. Todo esse processo foi registrado no documentário “A Pietá de João Turin”, dirigido por Fabrizio Rosa e produzido por Samuel Lago.

SOBRE O MEMORIAL PARANISTA

O Espaço está localizado em Curitiba, no Paraná. Por lá são encontradas quase 100 obras do artista que ao longo da vida produziu um montante que ultrapassa 400. O local é divido em dois: área interna de exposição permanente com 78 esculturas em tamanho original, todas doadas pela Família Lago, a detentora dos direitos autorais do artista; e área externa com mais de 13 obras em bronze, sendo que todas estão em tamanhos ampliados, algumas com proporções inusitadas.

A ideia do Memorial é preservar e difundir a obra de João Turin.

Saiba tudo sobre no site oficial da instituição.

Obra de Turin exposta no parque do Memorial

SOBRE JOÃO TURIN

Em quase 50 anos de carreira, João Turin deixou mais de 400 obras. Há esculturas em locais públicos no Brasil e na França. Turin também está no acervo de arte do Vaticano. A escultura “Frade Lendo” foi entregue como presente do povo brasileiro para o Papa Francisco, em 2013, na primeira visita do pontífice ao Brasil.

Nascido em 1878 em Morretes, no litoral do estado do Paraná, João Turin veio ainda garoto para a capital Curitiba, iniciando seus estudos em artes, chegando a ser professor. Em 1905 foi para a Bélgica, onde se especializou em escultura. Depois passou 10 anos morando na França, até retornar ao Brasil em 1922, trazendo comentários elogiosos da imprensa francesa. Foi premiado no salão de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1944 e 1947. Faleceu em 1949.

Em junho de 2014, seu legado foi prestigiado pelas 266 mil pessoas que visitaram “João Turin – Vida, Obra, Arte”, a exposição mais visitada da história do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, que ficou em cartaz por 8 meses. Esta exposição também teve uma versão condensada, exibida em 2015 no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO

Memorial Paranista João Turin: Rua Mateus Leme, 4700 (Curitiba, Paraná).
Agendamento de visitas no site www.curitiba.pr.gov.br/memorialparanista
Redes sociais: @escultorjoaoturin e facebook.com/escultorjoaoturin
Documentário “A Pietá de João Turin”: https://www.youtube.com/watch?v=P7Xlh92EzSo
Vídeo com detalhes da moldagem: https://www.youtube.com/watch?v=LK5CVSCPo7U
Vídeo sobre o Memorial Paranista João Turin (legenda em inglês):https://youtu.be/wxxtuNEcOEM

Bethânia só sabe amar direito e Almério também (Crítica de Fernanda Lucena sobre o single

O mundo acaba de ser presenteado com uma obra que, sem dúvidas, nasceu para ser eterna na história da música.

LEIA MAIS

Tropicalismo: o movimento que revolucionou a arte brasileira

  A designação de Tropicália para o movimento que mudou os rumos da cultura brasileira em meados e fim dos.

LEIA MAIS

Livro de Autoajuda

Nem todas as pessoas que escrevem livros de Autoajuda conseguiram resolver seus próprios problemas, mas sempre tem a fórmula mágica.

LEIA MAIS

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

A Via Dolorosa de Iaperi Araujo Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce.

LEIA MAIS

Se eu gritar, ninguém vai me ouvir – lançando música em 2024

A Revista Arte Brasileira me convidou para compartilhar a experiência de lançar meu primeiro álbum, o independente “Falha Luz”, que.

LEIA MAIS

Da MPB a Nova MPB; Conheça Bruna Pauxis

Reprodução do instagram da artista. Presente nas plataformas digitais desde 2021, a jovem Bruna Pauxis tem nos fatores regionais influências.

LEIA MAIS

CONTO: Fixação Autêntica e Gêmeas Idênticas (Gil Silva Freires)

Antônio Pedro estava casado havia mais de um ano e ainda não tinha aprendido a distinguir sua esposa da irmã.

LEIA MAIS

“Os americanos acreditam que ainda se ouve muita bossa no Brasil atual”, diz o músico

8 de outubro de 1962. Aproximadamente 2.800 pessoas na plateia do Carnegie Hall, a casa de shows mais importante de.

LEIA MAIS

Pincel, o novo companheiro do cantor e compositor Bryan Behr

Reprodução/instagram do artista. Do seu atelier, Bryan Behr se mostra um artista inquieto, em constante atividade. O catarinense de 24.

LEIA MAIS

Sonoridades dos continentes se encontram em “Saudoso Amarais”, disco do artista campinense Leandro Serizo

O projeto solo discográfico do paulista Leandro Serizo se iniciou em 2021, quando o single “Libertas Navy” foi disponibilizado. Aproximadamente.

LEIA MAIS