29 de abril de 2026

[ENTREVISTA] Em DVD, Roberta Campos imortaliza canções de sucesso e lança mais duas inéditas

(Foto de Marcos Hermes)

 

Roberta Campos é uma compositora nata. Em mais de dez anos de carreira no mercado fonográfico com “Para Aquelas Perguntas Tortas” (2008), a cantora já demonstrou ser uma ponte entre vários estilos musicais, indo do pop rock, ao folk, à saudosa MPB.

Sem muitas delongas, Roberta está lançando o DVD “Todo Caminho é Sorte”, uma coletânea de seus clássicos como “Minha Felicidade”, “Abrigo”, e “De Janeiro a Janeiro”.

No DVD com duraçao de mais de uma hora, ainda há espaço para duas inéditas “Todo Dia” e “Dois Flamingos”, além da releitura de clássicos de outros artistas.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Roberta Campos sobre o DVD “Todo Caminho é Sorte”.

 

 

Roberta, muito obrigado por aceitar essa entrevista. Vamos lá, primeira pergunta, o que esses dez anos de carreira profissional representa para você, e até mesmo para os seus fãs?

Eu que agradeço o convite! Obrigada!

Esses 10 anos de carreira representam muita coisa pra mim. Eu conquistei muitas coisas, eu cresci, amadureci, assim também a minha música, minhas ideias, meus projetos, meus objetivos. 

Vim de Minas Gerais, uma cidade bem pequena, chamada Caetanópolis, uma cidade pobre, onde meus sonhos sempre foram maiores e possíveis na minha cabeça. Passei por várias dificuldades para conseguir viver esse sonho, que é vivo em mim desde muito pequena.

Fui para São Paulo em 2004, onde senti ainda mais de perto o que é a solidão. Passei por muitas dificuldades e foi aí que comecei a usar ainda mais a composição como minha melhor amiga e meu refúgio.
 Em 2008 lancei meu primeiro disco, gravado no meu quarto, de forma artesanal, muito simples, e ele foi a porta que eu precisava para entrar e mudar a minha vida.

Esses 10 anos representam vitória, determinação e resiliência.

Com certeza os fãs sentem esse crescimento, em todos os sentidos, porque reflete na minha música, assim, eles recebem uma música melhor a cada trabalho que lanço.

 

O que teve acontecido na sua carreira durante esse tempo? O que mudou de dez anos pra hoje?

Eu alcancei mais pessoas com minha música, fui a lugares que não imaginava que minha música já tinha chegado, tive 18 músicas em novelas, fiz músicas com compositores que admiro muito, como Erasmo Carlos, Hyldon, Humberto Gessinger… tive várias músicas e ainda tenho, tocando nas rádios! Concorri ao Grammy Latino, como melhor álbum de MPB de 2016! Foram muitas as conquistas!

Me vejo no meu melhor momento. Na verdade, minha carreira tem 20 anos. Comemoro 10 anos com o DVD contando de minha carreira discográfica, do meu disco independente que me deu a oportunidade de uma contratação por uma gravadora (Deck Disc) e um desenvolvimento de carreira fora da “informalidade”. Mas, na verdade mesmo, já tenho uma estrada que somada dá 20 anos, só que a primeira década dela eu tocava em bares, saraus, rodava muito por aí com meu violão embaixo do braço e meus sonhos na mochila.

 

 

Você é uma compositora ativa, que já acumula mais de 500 canções, certo? Como foi a escolha do repertório para o DVD entre as suas composições? E as regravações, como foi a escolha?

Tenho sim, muitas composições! Compor se tornou um hábito, é algo que me dá muito prazer.

A escolha do repertório não foi muito difícil, já que eu registrei canções que já tinha gravado em discos anteriores e várias delas entraram em trilha sonora de novelas, em rádios, assim não podiam ficar de fora! Músicas como “De Janeiro a Janeiro”, “Minha Felicidade”, “Abrigo”, “Varrendo a Lua”…regravações como “Casinha Branca” de Gilson e Joran, “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” de Lô e Marcio Borges e “My Love” de Paul e Linda McCartney! 
As duas canções inéditas eu já imaginava no DVD, então as separei para esse momento, que são “Todo Dia” e “Dois Flamingos”.

O DVD foi bem pensado, fazia tempo que eu queria fazer esse registro.

 

Ainda nessa pergunta, o que vocês fizeram de diferente em relação as músicas? Levaram alguma nova roupagem?

Chamei o Fabio Pinczowski pra ser o diretor musical do meu DVD. Colocamos piano, piano elétrico, synths e cello, dando assim outra roupagem pros arranjos, além da bateria, baixo e guitarra e meu violão que sempre estiveram em meus discos. O Fábio tem um ótimo gosto musical e ele entende bem minhas músicas! Os arranjos ficaram diferentes, mas ele respeitou muito a essência das músicas. Ficou lindo!

 

Em dez anos, creio que você tenha conquistado uma identidade musical. Qual seria essa?

Minha música é diferente, uma mistura de muitas coisas que já ouvi e que fui trazendo pra mim e formando meu estilo. Uma mistura de folk, pop, MPB, que acho ser bem próprio. Mas como canto em português, gosto de dizer que a música que faço é MPB.

 

E a identidade poética, qual é?

Minha escrita é fácil, simples e muito direta! Me identifico muito com o Manoel de Barros, meu poeta preferido! 
Somos irmãos de palavras e pensamentos!

Minha poesia é assim, sua riqueza é a simplicidade, que traduz muito quem eu sou.

 

Você tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o seu trabalho e o DVD?

Tenho muito amor por esse trabalho. Além de todo amor, o grande sonho de registrar e celebrar essa história, eu tive uma faringite, uma semana antes da gravação e me recuperei muito perto do dia do show!

Eu me entreguei tanto e estava tão conectada nesse momento, que quando assisti o último corte do DVD, chorei e senti um alivio, uma sensação de dever cumprido e uma emoção tão grande, que tomou a minha alma! 
Um dos momentos mais especiais da minha vida!

Eu estava repleta de amor, repleta de gratidão!

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito

Como mencionei acima, nesse DVD gravei duas canções inéditas de minha autoria: “Todo dia”, que é uma canção que fiz em 2016, que fala de um amor que vai chegar e a espera que ele fique e permaneça; e também “Dois Flamingos”, uma canção de 2017, que canto o encontro com meu eu, a volta para um lar que tá dentro da gente.

Fiz uma releitura da linda canção de Paul e Linda McCartney, “My Love”, que acabou fazendo parte da trilha sonora da minha vida, como contei acima. Sou apaixonada por Beatles e o Paul sempre foi meu Beatle preferido. A música dele sempre me tocou muito, então poder gravar uma de suas composições, sendo essa em especial uma música que retrata um momento tão único e feliz da minha vida, foi duplamente emocionante. Acho que inclusive dá para sentir a emoção na gravação, mesmo na versão em estúdio.

Assim, todo o trabalho feito para gerar esse DVD foi feito com muito esmero, muito apreço, muito amor. Então espero que o DVD seja muito bem recebido e que ele abra portas de lugares que minha música ainda não foi, que eu ainda não fui. Que mais e mais pessoas possam me ouvir, que minha música leve coisas boas e amor a elas. E que a gente possa celebrar a arte em lugares onde ela raramente tem chegado. Todos nós merecemos um pouco de arte em nossas vidas.

 

 

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS

Goreth Caldas: um sistema de metáforas (das tantas esperas)

Entre os escaravelhos e o arbustodo peito frágil existemsegredos buscando alívioatravés de sussurros. Henriqueta Lisboa 1. Goreth Caldas (Caicó, 1958), embora.

LEIA MAIS

Pacífico Medeiros: ressignificando a fotografia

No fundo, a fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.                                                              Roland Barthes Pacífico.

LEIA MAIS

Quem é Ariano Suassuna? (por Marcelo Romagnoli, diretor e dramaturgo da peça “Mundo Suassuna”)

Ariano Suassuna (1927-2014) nasceu na capital da Parahyba e sempre defendeu o Brasil profundo. Poderia ser em Macondo, mas foi.

LEIA MAIS

Danilo Martire exercita o uso saudável da IA Generativa ao gravar single com Kate, cantora

“Eu canto a beleza de ver minha filha dormindo na mais perfeita harmonia”, é esta a fala de Danilo Martire.

LEIA MAIS

O lado cineasta de Oswaldo Montenegro

  O lado musical e poético de Oswaldo Montenegro é reconhecido Brasil afora, mas o lado cineasta do artista é.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição19

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

“Quer casar comigo?” (Crônica integrante da coletânea “Poder S/A”, de Beto Ribeiro)

Todo dia era a mesma coisa. Marieta sempre esperava o engenheiro chegar. “Ele é formado!”, era o que ela sempre.

LEIA MAIS

“Sertão Oriente”, álbum no qual é possível a música nordestina e japonesa caminharem juntas

A cultura musical brasileira e japonesa se encontram no álbum de estreia da cantora, compositora e arranjadora nipo-brasileira Regina Kinjo,.

LEIA MAIS

Uma breve leitura dos festivais de ontem e de hoje

Nesta manhã de quinta-feira, dia 22 de março de 2017, acabei de ler o livro “Tropicália – A história de.

LEIA MAIS