1 de maio de 2026

[ENTREVISTA] Bob Dylan em versão Bossa Nova, é essa a proposta de Baia em novo álbum

 

São dez discos e um DVD em 25 anos de carreira de Maurício Baia. A novidade é uma surpresa um tanto inimaginável. Em “Baia Bossa Dylan”, o cantor e compositor grava oito clássicos de Dylan, em formato de Bossa Nova. Tudo isso em forma de homenagear os quase 90 anos de Dylan, que recentemente foi considerado o maior poeta ainda vivo, com o Prêmio Nobel de Literatura.

“Minha humilde intenção é, além de presentear o homenageado, alcançar os corações dos amantes de Bob Dylan e da Bossa Nova, com essa combinação alquímica de estilos”, diz o artista brasileiro radicado nos EUA desde 2017.

De maneira independente, o álbum já está disponível em todas as plataformas digitais. “Baia Bossa Dylan” será tema de turnê na Europa, nos EUA e no Brasil.

 

 

Qual a importância de Dylan na sua carreira como músico e na sua vida pessoal?

Ele tem uma grande importância na minha carreira e vida, pois é um artista inspirador. Um dos músicos mais influentes de sua geração, talvez o mais

premiado, com um Prêmio Nobel de Literatura, que mostra muito da grandiosidade poética de suas letras.

 

Partindo disso, como surgiu a ideia da gravação deste álbum?

Estava em casa, em um dia de chuva, tocando violão bem lentamente, fazendo uma levada de Samba Canção, quando comecei a cantar uma antiga balada, intitulada “You’re A Big Girl Now”. O encaixe foi perfeito, harmônico, a letra foi ganhando uma docilidade que no folk não tinha e como as estrofes se repetem melodicamente, o clima não terminava, se estendia até o final da canção. Ali, eu vi que seria uma forma nova de reler algumas baladas da sua vasta obra. Conheço bem as releituras que fizeram dele, em todos esses anos, mas nunca tinha ouvido Dylan no universo da Bossa, que no Brasil se chama Nova, mas aqui o estilo do disco é definido como Modern Bossa Jazz. Quando ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, me senti motivado a fazer, pois era uma confirmação a mais da eternidade de sua obra, que merecia uma releitura brasileira para atingir novos corações e mentes.

 

Você juntou uma equipe de músicos norte-americanos e brasileiros para a gravação do álbum. O resultado disso foi incrível…

Foi bem natural. Após a primeira canção, eu fui para outras duas do mesmo disco, “Blood On The Traks”, de 1975, que está entre meus preferidos. Mas a ponte se fez quando levei o projeto para o produtor Sandro Albert, grande músico gaúcho, que está há vinte anos em NY e trabalhou com uma infinidade de nomes como War, James Taylor, Toninho Horta, Jorge Vercilo. Ele arranjou e produziu as faixas, sugeriu a entrada de grandes hits, como “Knocking On Heavens Door” e me conectou com músicos, cantoras e técnicos americanos. Gravamos a base no Brasil, com João Viana na Bateria, Gastão Villeroy no Baixo e Keko Brandão no piano e teclados. Nos EUA gravamos Bashiri Johnson, que gravou com Michael Jackson, Madona, Whitney Houston, dentre muitos outros. As backing vocals Iara Negrette e Pam Steebler também ajudaram a dar o sotaque local e a mixagem de Kevin Killen, 8 vezes premiado com o Grammy deu o retoque final. Tem sido uma experiência inovadora em minha carreira!

 

[A direção do videoclipe de ‘Knocking on heaven´s door’ ficou a cargo de Christian Pollock]

 

Já que você trabalhou a bossa nova neste álbum, queria saber qual a aceitação do público norte americano em relação a esse ritmo?

Vamos saber melhor no lançamento oficial, que será na lendária casa The Cutting Room, em NY, dia 1 de agosto. Lá faremos o show com banda completa e outras cidades também receberão o show. Será uma experiência nova pra mim, não posso narrá-la de antecedência, mas o pocket show no Black Market Miami na semana passada mostrou grande aceitação.

 

E em relação ao álbum, qual vem sendo a reação do público como um todo?

Tem sido bem recebido, o Bob Dylan é muito conhecido e regravado aqui, mas a ambiência de “Relax Music” que o disco apresenta, torna suas baladas bem recebidas muitas vezes por pessoas que não curtem o estilo original do autor. Minha intensão passa por essa ideia de levar o Dylan a ouvintes que ainda não haviam sido tocados por ele e levar a música brasileira a adoradores do folk, rock e outros estilos ligados a ele.

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

Sim, quando comecei a trabalhar esse álbum, contei com a ajuda de um amigo, baixista e produtor com quem eu já havia trabalhado antes, o Igor Eça, que é filho do Luiz Eça, um grande nome da Bossa Nova (Tamba Trio). Depois veio a ideia de produzir fora do Brasil, então a minha vinda com a família também se efetivou e o Igor acabou não participando mais, porém é uma figura que adoro e gostaria de lembra-lo aqui, por sua participação lá no início.

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Gostaria de falar sobre o Christian Pollock. Ele fez a capa e os dois vídeos do álbum. O primeiro, já lançado, foi “Knocking On Heavens Door” e o segundo será “Jokerman”, ambos filmados em NY.

 

 

 

 

 

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