21 de julho de 2026

6º Episódio da série “Clarice no País da Putaria” de Luan FH

 

Sucesso na internet e com dois livros escritos, ‘’Vou te desenhar em braile’’ e‘’Cigarette, sex and alcohol’’, o jovem escritor Luan FH se aventura ao escrever a série escrita “Clarice no País da Putaria”, inspirado em um livro de Clarice Lispector. O projeto foi apresentado com exclusividade pela Revista Arte Brasileira, com dez episódios sendo postados todos os dias no site do veículo. Quer saber mais: clique aqui.

 
6º EPISÓDIO – “Pegação”

 

—  O que mais você gosta em mim?

— Sério que você vai tentar essa manha?
— Sim, não é nada demais, não?
— A boca. Tá satisfeito?
— Por quê?
— Dá vontade de beijá-la.
— E qual o porquê de não beijá-la?
— Você querer.
— Deixa eu calar ela, vem.
     Eu sei o que você está pensando agora. Sinceramente. Me chamando de vadia ou pensando que me entrego fácil ou sei lá. Bom, faz um tempo que estamos conversando e porra, ele é uma jogada que eu arriscaria fácil. Todas as fichas de um poker. Me tornaria milionária fácil. A gente se beijou e que beijo… Uma boca com sabor de morango e em poucos minutos, causava euforia, tesão, fogo, calor. Meu corpo tremia dizendo: ”Filho da puta, eu te amo sem querer.” Sinto que vou acabar numa cama com bolo de pote na mão e lençóis do outro lado da cama, lágrimas escorrendo junto com o nariz. Vale a pena tentar.
— Caramba, você beija muito bem.
— Obrigada. Você também.
— Vai pedir algo?
— Eu não quero comer. Só quero o vinho, pensando bem, cairia bem um açaí. 
— Tudo bem. Garçom…
— Pois não, senhor? — Fala o Garçom com elegância.
— Um vinho e duas tigelas grandes de açaí, por favor? 
— Belo pedido, senhor. É pra já. Licença. 
     O que é isso? Restaurante para rico? Vejo muita gente de pele clara, logo me pergunto: Desigualdade social? Sim. Respondo. Falta de oportunidade? Sim. É complicadissimo, mas sorrio quando vejo um Djonga, Barack Obama, Baco Exu do Blues no topo, conta bilionária. O sucesso vem de acordo com a disposição de lutar, quando paramos para ouvir críticas que destroem e levamos isso negativamente, nos fodemos. Precisamos manter o foco, acreditar na gente e levantar o peito, a cabeça e quebrar quaisquer barreiras através da nossa intelectualidade adquirida através de conhecimentos; estudos. Ou seja, lute até o fim. Lute!
Desculpa. Desabafei. 
— Você compra jornais e lê? Ou revistas?
— Eu costumo comprar sim, principalmente revistas que retratam a arte do Brasil. 
— Você parece ter um grande potencial mesmo sendo mulher. 
— Obrigada, só não seja machista. 
— Relaxa, eu apoio a causa. De verdade.
— Se você for tóxico ou demonstrar ser assim, a gente não terá mais nada, nem pegação, nem nada. 
— Digo o mesmo a você. De namorei diversas mulheres tóxicas que tentaram me proibir que amigas de infâncias. Estamos nessa, Clarice.
— É, parece que sim.
— Olha, sei que já disse isso, mas sério, você está maravilhosa. Puta que pariu. 
— Você está bem cheiroso, dá até um prazer de conversar.
— Vou assumir que passei o melhor perfume. Tinha que transparecer beleza, não é?
— Conseguiu, engraçadinho. 
    Passamos um tempo muito bom conversando hoje, ele não é igual aos outros. Finalmente. Não me chamou para o apartamento, nada disso. Falou ”Até outro dia”, me beijou novamente. Eu até estranhei, mas era isso que eu queria. Passou no teste. Respeitou. Quando o carro que eu estava, o 99pop saiu, ele mandou mensagem: ”Já estou com saudade.”, é vai ser um grande romance, eu acredito nisso.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

“O único assassinato de Cazuza” (Conto de Lima Barreto)

HILDEGARDO BRANDÂO, conhecido familiarmente por Cazuza, tinha chegado aos seus cinqüenta anos e poucos, desesperançado; mas não desesperado. Depois de.

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

O poderoso Chefão, 50 Anos: Uma Obra Prima do Cinema contemporâneo

Uma resenha sobre “O Poderoso Chefão” “Eu vou fazer uma oferta irrecusável” “Um homem que não se dedica a família.

LEIA MAIS

Filme nacional que arrecadou mais de R$ 19 milhões, “Lisbela e o Prisioneiro” foi lançado

No dia 22 de agosto de 2003, ia aos cinemas “Lisbela e o Prisioneiro”. Aposto que não sabiam, mas estavam.

LEIA MAIS

Tim Maia em 294 palavras

Ícone do pop nacional, Tim Maia nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em 1942. Antes do sucesso,.

LEIA MAIS

Por que Sid teima em não menosprezar o seu título de MC?

Sobre seu primeiro single de 2022, ele disse que “quis trazer outra veia musical, explorar outros lados, brincar com outros.

LEIA MAIS

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS

“Os americanos acreditam que ainda se ouve muita bossa no Brasil atual”, diz o músico

8 de outubro de 1962. Aproximadamente 2.800 pessoas na plateia do Carnegie Hall, a casa de shows mais importante de.

LEIA MAIS

O cemitério velho da cidade de Patu

  Seguindo na Rua Capitão José Severino até o seu final, antes de adentrar pela Praça Padre Henrique Spitz, observa-se,.

LEIA MAIS

Iaponi: a invenção de uma permanente festa de existir

As formar bruscas, a cada brusco movimento, inauguram belas imagens insólitas. Henriqueta Lisboa   1.   Iaponi (São Vicente, 1942-1994),.

LEIA MAIS