3 de outubro de 2026

[INDICAMOS] Filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964

(Cena do filme)

 

O pesquisador Eduardo Cesar Soares apresenta com exclusividade na Arte Brasileira uma série de indicações sobre filmes do cinema brasileiro dos anos 1960 e 70. “A possibilidade de analisar e indicar grandes produções cinematográficas me fez rever e conhecer ainda mais filmes desse período, que atualmente é quase nula em nossa TV é também na mídia em geral”, conta Eduardo.

O período foi recheado por mudanças e grandes acontecimentos. É por isso também que o colunista acredita que “Nesse momento, houve efervescência na cultura e história no Brasil. E não poderia ser diferente no cinema. Temos grandes obras em todos os gêneros do cinema”.

 

 

Crítica de Eduardo Cesar Soares

Com direção de Glauber Rocha, e com elenco formado por nomes como Geraldo Del Rey, Maurício do Valle, Othon Bastos, Yona Magalhães, Antônio Pinto, entre outros. O filme mescla várias criticas principalmente a critica a política e religião no sertão nordestino. O filme mostra que as diferenças entre “Deus” e o “Diabo” não são tão grandes como todos podem pensar.

O camponês, o pobre e as minorias são jogadas entre a política e a religião para todos os lados, e o resultado disso e a miséria e a fome. De certa forma o filme demonstra as ações do messianismo e o cangaço no sertão. Deus e o Diabo, o messianismo e o cangaço, portanto, embora possuam seus problemas, deveriam agir de maneira complementar.

O messianismo falhava por não oferecer soluções concretas para aliviar o sofrimento do povo. O cangaço propunha uma prática transformadora, mas à medida que ia perdendo sua humanidade descontando o seu ódio em suas vítimas. Ambos sonham com que o sertão vire mar, e o mar vire sertão; mas um o faz a partir da devoção, e o outro, da bravura.

 

 

SINOPSE

O vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) se revolta contra a exploração desenfreada pelo coronel Moraes (Milton Roda), e o mata numa briga. Então passa a ser perseguido por capangas, o que força o vaqueiro desesperadamente a fugir com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães).

Assim, o casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), cuja promessa é o fim do sofrimento por meio do retorno a um catolicismo místico e ritual. No entanto, ao presenciar a morte de uma criança, Rosa mata o beato. 

Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato.

 


 

Por Eduardo Cesar Soares (Colunista)

 

 

 

 

 

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