22 de julho de 2026

[ENTREVISTA] A psicodelia poética de Paulo Henrique

Paulo Henrique da Silva Pereira, nasceu em 6 de janeiro de 2003 em Mossoró, Rio Grande do Norte. Escritor desde onde se lembra, sua maior paixão pela escrita se deu no início de sua adolescência, quando buscava na arte medidas de enfrentar os baques da vida. Viveu sua infância em uma rua sem crianças, o que lhe diminuía o contato com pessoas de fora de sua própria casa. Paulo brincava sozinho, lia sozinho, sonhava sozinho – isso é, quando podia. Desde pequeno esteve diretamente atento e cuidadoso em relação aos problemas e necessidades de seus pais. Seu pai é surdo e cego de um dos olhos, sua mãe é dona de casa e ansiosa. A vida o exigiu maturidade suficiente para ser adulto desde pequeno.  

Sua preocupação com a situação de sua família e a falta de amigos de sua idade por perto seriam fatores que o colocariam à frente de seu tempo. Ele leria poesia pra se distrair, escreveria pra suportar mais um pouco. Sempre um dia de cada vez. Paulo aprendeu a aproveitar cada detalhe. Tudo isso antes dos 15 anos.

Um de seus poemas.

É verdade que a solidão é capaz de moldar até mesmo o mais forte e resistente dos homens, de fazê-lo conhecer a si mesmo, de liberar todos os seus anseios e pensamentos, e tornar seu coração um bunker apaixonado para abrigar toda simplicidade do mundo. Com Paulo não foi diferente.

Perdido em um mundo completamente hostil, encontrou na literatura o conforto necessário para gritar de peito aberto seus sentimentos, medos e angústias. Aprendeu a rechear a vida com metáforas e dar sentido às coisas constantemente tidas como irrelevantes.

Hoje, Paulo Henrique divulga seu psicodelismo poético nas redes sociais, principalmente pelo instagram com o perfil “@betelgeusehs”.

 

 

“vincent virou tinta

fez de si pintura

com seu

próprio sangue

 

o mundo perdeu as cores

e hoje é vítima

daqueles que o pintam

com sangue novamente”

(Poema “Rancor” de Paulo Henrique)

 

Nildo Morais: Com quantos anos começou a escrever? Teve algum motivo especifico?

Paulo Henrique: Comecei a escrever quando tinha uns 7 anos. Comecei a escrever pois eu sempre tive uma forma diferente de pensar e ver as coisas, muitas vezes eu acabava por não ser compreendido pelas pessoas, então passei a escrever, onde me sentia confortável e podia colocar metáforas da vida que só eu entendia, então passei a escrever sobre sentimentos, fases, o significado das coisas e “tal”.

 

Nildo Morais: Se você pudesse definir toda sua poesia em uma única palavra, qual seria?

Paulo Henrique: Melancolia.

 

Nildo Morais: Me conte um pouco sobre suas obras, como a melancolia é retratada, o impacto causado por ela nos leitores… afinal, escrever é moldar um coração a marteladas. Você dispara, todo mundo sente. Como você acha que a pancada chega?

Paulo Henrique: Eu retrato a melancolia da forma mais pura, procuro sempre não deixar faltar nada do que estou pensando nas minhas poesias, pois querendo ou não, ela é também uma válvula de escape pra mim. Quanto ao impacto nas pessoas, acho que as faz refletir sobre as coisas nem que por um curto período de tempo, às vezes peço algumas opiniões e me dizem que não compreenderam ou me pedem alguma explicação, mas nunca sei o que achar, já que sempre escrevi pra mim mesmo, e sempre tenho metáforas novas a cada vez que leio meus próprios poemas.

 

Mais um texto escrito pelo poeta.

 

Nildo Morais: Qual sua maior motivação, seu maior sonho?

Paulo Henrique: Acho que ser feliz, me desprender da materialização, da superficialidade das relações sociais, busco um dia poder olhar para o céu com os olhos cheios de poesia e sentimentos bons, viver uma boa vida e cultivar esses sentimentos.

 

Nildo Morais: Obrigado, Paulo. Você tem um espaço agora. Há algo que queira dizer, um recado para dar, um sentimento para os que, como você, trilham esse árduo caminho que é tentar ser feliz? Qualquer coisa. Seja você.

Paulo Henrique: Só tentem ao máximo ser verdadeiros consigo mesmo e com seus sentimentos. Buscar coisas que te completem e agreguem, aprendam com os erros dos outros e busquem evoluir como pessoa. Busquem ser completos de si mesmos, há muito mais poesia por aí e dentro de você, só precisa ser verdadeiro para encontrá-la.

A literatura feminina e os seus desafios

LITERATURA FEMININA: Eu fiquei sem escrever algo concreto por dois meses. Um bloqueio talvez ocasionado pelo meu anseio por coisas.

LEIA MAIS

A bossa elegante e original do jovem Will Santt

No período escolar do ensino médio, nasceu o princípio do pseudônimo “Wll Santt”. As roupas retrô e o cabelo black.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição19

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Tim Maia em 294 palavras

Ícone do pop nacional, Tim Maia nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em 1942. Antes do sucesso,.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

Pacífico Medeiros: ressignificando a fotografia

No fundo, a fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.                                                              Roland Barthes Pacífico.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O quê realmente faz o diretor de imagem? (com Diogo Pace)

Este episódio tem o intuito de investigar uma profissão essencial de toda produção audiovisual, como programas de entretenimento e jornalismo,.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Como nasce uma produção musical? O caso de “Lord Have Mercy” diz que vai além

O cantor e compositor norte-americano Michael On Fire tem em “Lord Have Mercy” um de seus hinos mais potentes. Michael.

LEIA MAIS