25 de maio de 2026

[ENTREVISTA] Um bate-papo com o escritor Kaique Kelvin

O jovem escritor Kaique Kelvin se autodescobriu muito cedo. Foi com a professora de língua portuguesa e literatura na escola, Isleide Cristina Sicarelli, que o primeiro incentivo nasceu. Dalí em diante, Kaique passou a se apaixonar pela arte de escrever. Ainda muito jovem, lançou seu primeiro livro de poesia, “Chão Ventoso”, de maneira independente.

Não tardou muito, Kaique lançou mais um livro, com nome de “Céu de Estrelas e Um Pouco Apaixonado”, pela Editora Multifoco, e teve importantes participações em alguns concursos literários como o Mapa Cultural Paulista com uma poesia publicada ainda na época escolar. Teve inúmeras poesias publicadas em Antologias e totalizando seis livros em sua carreira. Hoje o jovem Kaique é historiador, atua como professor e tem um programa cultural no rádio.

Matheus Luzi – Você começou a escrever por meio do incentivo de uma professora de língua portuguesa na escola. Nessa ideia, o quanto você acha necessário que incentivo ocorra com mais frequência nas escolas brasileiras?

Kaique – Sim, eu penso que é fundamental o incentivo a leitura e escrita de forma que seja prazerosa para quem prática. Costumo dizer que o exemplo é o melhor incentivo, na ocasião essa professora me incentivava de diversas formas e principalmente pelo exemplo. Acredito que tudo isso contribuiu para minha formação como pessoa.

Matheus Luzi – No gancho da pergunta anterior. Como foi esse momento para você? Como você define a emoção de se descobrir no mundo da literatura?

Kaique – No primeiro momento foi estranho, nunca me via como escritor. Ser escritor era algo muito distante, só via escritores pela televisão, quando apareciam, ou através dos próprios livros e acreditava que isso não seria possível, mas com o conhecimento que fui adquirindo, de repente me vi como escritor e com meus primeiros escritos e foi um momento mágico.

Matheus Luzi – O seu primeiro lançamento literário foi de maneira independente. Como foi todo o processo (desafios, processo criativo, publicação, aceitação do público)?

Kaique – Foi muito complicado, não conhecia muito sobre o marcado literário. O livro foi publicado nessas plataformas online e impresso poucos exemplares, que foram vendidos para amigos e familiares. Esse desafio foi importante para que eu adquirisse experiência e aprendesse mais sobre o campo literário.

Matheus Luzi – Hoje você atua como historiador, professor e radialista. Você acredita que a literatura ajudou a te levar por esse caminho?

Kaique – Ajudou muito! A literatura com toda certeza me impulsionou nesses caminhos, quando pensamos que um livro do século passado, como Dom Casmurro, representa toda uma época, um Brasil diferente do nosso hoje, isso é literatura, mas também é história. Acredito que tudo está interligado e cada coisa contribui para que a outra seja realizada.

Matheus Luzi – O que você consome no mundo da arte? Quais são suas referências?

Kaique – Eu gosto muito de poesias, não é à toa que em todo programa que faço no rádio eu trato de colocar poesia no meio, aliás música é poesia também. Mas também gosto de livros de ficção, clássicos. O cinema é minha paixão gosto muito de filmes e séries principalmente de ficção científica. Não poderia ficar de fora a música também, aprecio diferentes ritmos, mas a MPB não sai do meu coração.

Matheus Luzi – Como você encara o desafio de ser escritor no Brasil?

Kaique – Olha é muito prazeroso por um lado e as vezes complicado por outro. Porque quando a gente recebe uma mensagem de uma pessoa que leu um livro seu, nossa é um momento de muita alegria. A parte complicada é que no Brasil é bem difícil os casos que um escritor vive de seus livros, mas não é impossível. As vezes pode não parecer que aqui no Brasil há muitos leitores, sim eles existem e são muitos, só precisamos encontrá-los!

“Risque a palavra desistir do seu vocabulário coloque fé e esperança, siga em frente!”, Kaique Kelvin

Matheus Luzi – Você teria alguma(s) curiosidade(s) ou história(s) para nos contar?

Kaique – Uma curiosidade é que eu não gostava nada de Língua Portuguesa, e era bem ruim, diga-se de passagem, inclusive era muito bom em matemática, um dos melhores da turma. Mas quando conheci essa professora de Língua Portuguesa eu me descobri amante da nossa língua, acredito que o seu jeito de falar da nossa literatura foi o diferencial e por causa disso quase cursei Letras.

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para falar o que quiser.

Kaique – Deixo aqui o incentivo para que novos escritores, escrevam. Se permitam sonhar e se deixem reconhecer em meio a literatura. Não é fácil, mas com persistência e amor no que fazemos conseguimos alcançar coisas inimagináveis. Risque a palavra desistir do seu vocabulário coloque fé e esperança, siga em frente!

Celebrações pelo mundo: eventos culturais que transformam qualquer viagem

Viajar é mais do que conhecer paisagens ou tirar fotos em pontos turísticos. É também mergulhar de cabeça na alma.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: A história do samba por meio dos seus subgêneros (com Luís Filipe de

Em 2022, o violonista, arranjador, produtor, pesquisador e escritor Luís Filipe de Lima lançou o livro “Para Ouvir o Samba:.

LEIA MAIS

CONHEÇA BELZINHA DO ACORDEON

Por Fernanda Lucena – Diretamente da cidade de Buritirama, no interior da Bahia, Belzinha do Acordeon é uma menina de.

LEIA MAIS

Conceição Fernandes: a presença e a valia do silêncio na arte

1. Conceição Fernandes (Mossoró, 16.05.1957) é atualmente professora aposentada, tendo atuado como professora nas redes estadual e municipal. Dedica-se às.

LEIA MAIS

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não.

LEIA MAIS

Iaponi: a invenção de uma permanente festa de existir

As formar bruscas, a cada brusco movimento, inauguram belas imagens insólitas. Henriqueta Lisboa   1.   Iaponi (São Vicente, 1942-1994),.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS