21 de julho de 2026

Cainã Cavalcante toca Garoto em álbum que ajuda a eternizar o “gênio das cordas”

Crédito: Tainá Cavalcante / Divulgação.

Há quase sete décadas, o Brasil e o mundo foi obrigado, por ordem celestial, a dar tchau a Annibal Augusto Sardinha, o popular Garoto. Sua trajetória artística como violonista acompanhou seus 39 anos de vida. Trajetória curta na Terra, mas significante para os amantes do violão brasileiro e para a música instrumental como um todo.

Entre os milhares de discípulos do músico paulistano, está Cainã Cavalcante, que desde a infância enxerga o “gênio das cordas” como uma figura mitológica, como ele mesmo acentua. Na vida adulta, Garoto permaneceu influenciando os dedilhados e os momentos criativos de Cainã, o que o tornou um viajante pelo universo “garoteano”.

Dessa imensa magia que o rodeia há muitos e muitos anos, nasce o principal fruto: “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”, álbum já disponível nas plataformas de streaming e que traz, ao lado de Cainã, o belíssimo contrabaixo acústico de Guto Wirtti e a envolvente bateria de Paulo Braga, em uma jornada que reúne dez releituras de grandes músicas de Garoto.

Em respeito a tudo que envolve esse disco, nós entrevistamos Cainã. A entrevista, você confere a seguir.

Matheus Luzi – Quais os motivos da decisão de gravar as músicas do Garoto?

Cainã Cavalcante – A decisão de gravar o repertório do Garoto, passa por uma série de fatos inesperados, porém necessários. Ainda mais pela preservação da cultura brasileira, ao trazer o repertório do “Gênios das Cordas” para a discussão musical atual através do meu olhar. O fato é que durante o ano de 2020, em meados de abril, iniciei uma caminhada de aproximação espontânea e vital com a música do Garoto. Conforme ia tocando, a cada música várias descobertas, caminho sem volta! Meses depois, recebo uma ligação do meu amigo, extraordinário músico e produtor do disco “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”, Guto Wirtti, falando sobre o documentário “Garoto – Vivo Sonhando”, que acabara de assistir. Guto em seu entusiasmo e energia, relembrou um desejo antigo nosso, de ter um trabalho em trio (violão, baixo acústico e bateria), tendo o mestre da bateria brasileira Paulo Braga conosco. E na sequência já soltou: “Vamos gravar um disco de trio! Eu, você e o Paulo Braga tocando Garoto?!”. Então, eu que já estava vivenciando esse repertório, recebi uma proposta dessas…Percebemos ali, que havia uma sincronicidade especial para a realização desse projeto feito com tanto carinho.

Matheus Luzi – O quanto Garoto exerceu e exerce influência na sua carreira musical?

Cainã Cavalcante – Como disse o nosso grande Raphael Rabello: “Se não fosse o Garoto, nós não estaríamos aqui!”. E é verdade! Garoto foi quem começou tudo isso. Pavimentou e norteou um caminho fundamental para o violão brasileiro. E eu, como sendo continuação disso é impossível não ser receber sua influência e inspiração.

Matheus Luzi – E a influência dele na música brasileira, como você analisa?

Cainã Cavalcante – De extrema importância! Compositor genial, músico brilhante que atuou muito em sua época. Dessa forma, deixa uma contribuição robusta para a música brasileira, influenciando artistas e atravessando gerações como é o caso do nosso “Sinal dos Tempos”.

Matheus Luzi – O que você acredita ter trazido de novo para as músicas do artista?

Cainã Cavalcante – Tudo novo! Um novo olhar sobre o violão e a poesia que a música do Garoto carrega consigo, a decisão de gravar com Guto e Paulinho com a formação de trio, e assim, abrir espaço para novas harmonias, espaço para improvisação, espontaneidade na interpretação de cada música, sem perder os olhos da matriz. Além de tudo, a magia que aconteceu no estúdio, enquanto gravávamos, foi única! E eu acho isso muito valioso!

Matheus Luzi – Haveria palavras para comparar Garoto a outros mestres da música instrumental brasileira?

Cainã Cavalcante – Garoto é tão importante quanto Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos. Ambos estão no olimpo da música brasileira.

“Como disse o nosso grande Raphael Rabello: ‘Se não fosse o Garoto, nós não estaríamos aqui!’. E é verdade! Garoto foi quem começou tudo isso. Pavimentou e norteou um caminho fundamental para o violão brasileiro. E eu, como sendo continuação disso é impossível não ser receber sua influência e inspiração.”

Matheus Luzi – Você tem alguma história ou curiosidade interessante sobre o assunto?         

Cainã Cavalcante – O disco foi feito sem ensaios prévios. E eu acho isso muito maravilhoso! Encontrar Paulinho e Guto no estúdio, para o primeiro dia de gravação, foi um momento inesquecível! Música viva, feito no momento. A gente tocando as músicas pela primeira vez, como se já tivéssemos tocado juntos, durante muitos anos. A magia da música! E tudo isso está impresso em “Sinal dos Tempos – Cainã toca Garoto”.

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para falar o que quiser.

Cainã Cavalcante – Gostaria de agradecer o carinho de todos que fazem a revista Arte Brasileira, em especial ao Matheus Luzi, por abrir esse espaço para que pudéssemos falar um pouco sobre o nosso novo disco. E compartilhar a alegria que tem sido a caminhada desse trabalho feito com tanto carinho. Agradeço também, a receptividade de quem escuta e da imprensa como um todo. A quem nos lê, saúde, vacina, amor, paz e muita música! Viva Garoto! Viva o violão brasileiro! 

“Garoto é tão importante quanto Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos. Ambos estão no olimpo da música brasileira.”


FICHA TÉCNICA

Disco: “Sinal dos tempos – Cainã toca Garoto”
Artista: Cainã Cavalcante
Produzido por Cainã Cavalcante e Guto Wirtti
Produção executiva: Wilson Souto Jr. (Atração)
Gravado por Guido Pera, no estúdio VISOM DIGITAL – RJ, nos dias 01, 02 e 03
de março de 2021
Mixado no BRC estúdios – SP, por Luis Paulo Serafim
Masterizado por Gian Correa
Assistente de produção: Carla Braga
Logística: Marcelo Cabanas
Fotos: Tainá Cavalcante
Arte final: Rhudá Cavalcante (Cajueiro Comunicação)
Realização: Gravadora Atração.
Arranjos: Cainã Cavalcante.
Músicos: Cainã Cavalcante (violão), Paulo Braga (bateria) e Guto Wirtti
(contrabaixo acústico)

[RESENHA] “Machado de Assis, Capitu e Bentinho”, de Kaique Kelvin

Que Machado de Assis se tornou um clássico escritor da literatura brasileira todos sabemos, mas uma dúvida que segue sem.

LEIA MAIS

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em.

LEIA MAIS

Maria do Santíssimo e o seu caleidoscópio das coisas modestas

O  tempo farejou a fábulacontaminou-a. Projetou-atalhada à sua própria imagem.                 Henriqueta Lisboa 1. Maria Antônia do Santíssimo (São Vicente, 1890-1986).

LEIA MAIS

Gabriel O Pensador, sempre insatisfeito em “Matei o Presidente”

Reportagem escrita por Nathália Pandeló em outubro de 2018 e editada por Matheus Luzi   Há quem diga que o.

LEIA MAIS

A vida em vinil: uma reflexão filosófica sobre a jornada da existência

A vida, assim como um disco de vinil, é uma espiral contínua de experiências e aprendizados, em que cada fase.

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS

“Sertão Oriente”, álbum no qual é possível a música nordestina e japonesa caminharem juntas

A cultura musical brasileira e japonesa se encontram no álbum de estreia da cantora, compositora e arranjadora nipo-brasileira Regina Kinjo,.

LEIA MAIS

CONTO: Aqueles Cães Que Latiam e Os Visitantes Que Não Batiam (Gil Silva Freires)

Desde que se mudara, Leonardo não conseguia dormir direito. E sua insônia não era causada por problemas financeiros ou sentimentais..

LEIA MAIS

Rodrigo Tardelli, um dos destaques das webséries nacionais

Divulgação Por mais que nossa arte seja, muitas vezes marginalizada e esquecida por seus próprios conterrâneos, há artistas que preferem.

LEIA MAIS

“Pra não dizer que não falei das flores”, o hino contra a ditadura

  Dizer que a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré foi um hino contra.

LEIA MAIS