9 de maio de 2026

CRÍTICA: A contemporaneidade da obra de Cildo Meireles – por Alexandre Duarte Bassani

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A contemporaneidade da obra de Cildo Meireles – por Alexandre Duarte Bassani

 

Conhecido internacionalmente, Cildo Meireles possui uma obra extensa e consolidada, ainda muito influente dentro da arte contemporânea brasileira, seja pelas suas instalações ou pela confecção de seus complexos e heterogêneos objetos. Todos criados com a intensão de promover um forte apelo sensorial, embebedados por uma certa influência da arte conceitual (principalmente) e da arte concreta. As principais críticas dentro de suas obras, estão ligadas à modernidade, a efemeridade, as particularidades brasileiras, e o peso da dependência economia dentro da economia internacional, e a violência dentro do período da Ditadura Civil-Militar.

Dentro de sua obra, notamos um forte diálogo junto a nomes do renomado legado do neoconcretismo brasileiro, como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Elementos como a política brasileira e internacional; a percepção, relação e interação com os espaços; as distâncias entre os espaços e as pessoas que os ocupam; estão geralmente presentes dentro de suas séries, suas instalações e seus objetos.

Seu trabalho pioneiro com instalações, assim como a sua criação e produção como artista, se utiliza de uma ampla variedade de suportes, técnicas e materiais. A multimídia é uma inegável característica de sua carreira, influenciado justamente a criação de suas instalações. Iniciou seus estudos em 1963, na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília. Em 1967, se transfere para o Rio de Janeiro e desenvolve a série “Espaços Virtuais: Cantos, com 44 projetos” e em 68 criaria os trabalhos “Volumes Virtuais” e “Ocupações”. Em 1969, ajuda a fundar a Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), e lá lecionará até 1970; no mesmo ano confecciona algumas de suas obras com maior teor político, como “Tiradentes – Totem-monumento ao Preso Político”, “Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola” e “Quem matou Herzog?”.

No ano de 1971 viaja para Nova York, aonde morou por 2 anos. Voltando para o Brasil em 1973, e em 1975 finalmente grava a instalação “Eureka/Blindhotland” (desenvolvida desde quando morava em NY) no LP “Sal em carne” e termina a série “Inserções em Circuitos Antropológicos”. Ao longo desse período, desenvolve cenários e figurinos para o teatro e o cinema e mais tarde se torna um dos diretores da revista de arte ‘Malasartes’. Ao longo dos anos 80 e 90 desenvolverá instigantes séries inspiradas em papel moeda, tais como “Zero Cruzeiro”, “Zero Centavo” e “Zero Dólar”. Estas obras, desenvolvidas a partir da reprodução realista de notas de cruzeiro, e as figuras tipicamente relacionadas à História brasileira são substituídas por imagens de indígenas.

Em 2000, a editora Cosac & Naify lançou uma coletânea sobre sua obra, se baseando em uma outra coletânea lançada em Londres em 1999 pela Phaidon Press Limited. Ao longo de sua carreira, expôs em Bienais da Venezuela (1976), Paris (1977), São Paulo (1981, 1989, 2010), Sydney (1992), Istambul (2003), Liverpool (2004), Medellín (2007), e do Mercosul (1997 e 2007). Retrospectivas de sua obra já foram feitas no IVAM Centre del Carne, em Valência (1995); no New Museum of Contemporary Art de Nova York (1999); na Tate Modern de Londres (2008) e no Museum of Fine Arts de Houston (2009). Em 2009 é lançado o longa-metragem ‘Cildo’, abordando sua obra e dirigido por Gustavo Moura.

Ainda hoje, Cildo Meireles é considerado um dos mais importantes artistas brasileiros da contemporaneidade, muito embora não seja tão ‘popular’ como alguns de seus conterrâneos mais famosos. Inegavelmente, sua obra continua sendo uma das mais renomados entre os artistas brasileiros dos anos 70 e 80; suas criações continuam a circular ao redor do globo de forma extremamente viva, pulsante e inspiradora; instigando curadores, historiadores e artistas ao redor de todo mundo.

 

 

 

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