2 de maio de 2026

[POESIA] “GÓLGOTA”, de Brendow H. Godoi

no centro da cidade

um homem invadiu uma antiga loja

de moda evangélica 

estuprou os manequins da vitrine

e gritou palavras menstruadas

que bateram asas e encheram as ruas

policiais à paisana se amavam em cima dos telhados postiços sujos de urina e lágrimas

permiti que a multidão em coma me atropelasse

radicais cuspiram fogo

entoaram salmos de adoração a um Deus não específico

do chão eu pude ver prostitutas em pele e osso

a disputar latas de lixo com desembargadores criminais

trovoou

todos olhamos para cima procurando envelopes com dinheiro

e estardalhaços

alguém me beijou com fúria

meninas estúpidas pregaram umas às outras em cruzes metálicas

meus olhos se tornaram Gólgota

pois senti o peso do pecado sobre as pálpebras

possuídas pelo demônio

rituais funerários beliscaram os cus de intestinos derramados

um tamanduá bandeira foi abatido pela infantaria do exército brasileiro

anoiteceu bem diante de nossas narinas emboçadas

de cimento e vômito

senti crianças ganirem abanando o rabo dando a pata

minha garganta entupida de pentagramas recém-abortados pelo rei mago do oriente

amanhã sairá no jornal que uma mãe adolescente

vendeu seu único filho ao sinédrio judaico

por trinta moedas de prata, um campo de sangue

e meia dúzia de borboletas sem útero rasgadas ao meio.


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