16 de outubro de 2026

A Escrevivência de Alessandra Crispin no álbum “O Peso da Pele”

Contra preconceitos, estigmas e tentativas de silenciamento e ocultamento, a voz da mulher preta, lésbica e umbandista ecoa forte em “O Peso da Pele”, da cantora e compositora mineira Alessandra Crispin. São 12 faixas onde afeto, resistência e religiosidade são expressos em prol da experiência coletiva, característica presente no termo criado pela escritora Conceição Evaristo: Escrevivência. Esta é a escrita que acontece com a dualidade de mostrar a narrativa na realidade vivenciada por cada um e por si mesmo, em primeira pessoa. “O Peso da Pele” é um convite  a mergulhar em águas profundas onde o racismo demarca a invisibilidade da população negra brasileira.

A história do Brasil é marcada pela opressão e exploração do povo negro, que foi e ainda é tratado como mercadoria e inferior. Por outro lado, a cultura africana moldou o país, permeando diversos aspectos como o samba, o ijexá, o funk, o congado, a capoeira, a religiosidade e a culinária, apesar de lidar com muito preconceito de uma sociedade que não se olha no espelho. Lidar com o racismo e com a tragédia do assassinato de Marielle Franco levaram à reflexões que inspiraram o álbum.

“Infelizmente conheci a Marielle com a tragédia e o choque de tamanha violência me impactou muito. Eu tinha sofrido injúria racial e comecei a refletir toda a história dos casos que passei e toda a violência que a população negra passa. Foi a partir desse fato e destas reflexões que comecei a desenvolver ‘O Peso da Pele’. O nome do disco já deixa claro o alvo que carregamos nas costas, o que carregamos”

Alessandra Crispin

Alessandra Crispin desenvolve o projeto deste álbum desde 2018, como uma mistura de todas essas influências e como um salto além do proposto em seu primeiro álbum, “Meu nome é Crispin” (2016). O novo trabalho foi realizado pela artista com co-direção de João Paulo Lanini com apoio da Lei Federal Aldir Blanc, gerida pela Secult/MG.

“Precisamos retomar nosso lugar de realeza, o valor que temos com nossa história e nossos ancestrais. Buscamos esse olhar de festa e guerreiras, inspirado na Beyoncé, Janelle Monaé, Luedji Luna, Liniker e no visual da Tina Turner em ‘Mad Max – Além da Cúpula do Trovão’”, conta a artista

Alessandra Crispin sobre as escolhas visuais do projeto.

Faixa a faixa

Visto como um projeto de empoderamento pessoal e para que todas as mulheres pretas se reconheçam como deusas poderosas, “O Peso da Pele” é um projeto com muitas musas que deram sentimento às criações de Alessandra. É o caso de “Laranjeira”, feita para sua mãe Alaíde durante o período de isolamento da pandemia; “Leve”, dedicada à sua namorada Tainara; e “Guerreira Oyá”, música feita para Iansã, sua Orixá de Cabeça, em parceria com Clarissa Reoli. 

Ao reconhecer as desigualdades sociais, “Mulher Incomum” traz o diálogo sobre transformar a dor da opressão em força para reivindicar respeito e espalhar o bem para os que sofrem. “Filho de Oxossi” é o mistério das raízes sagradas, o abraço da natureza e das entidades que nela estão; proteção e força nas batalhas. A resistência política da existência do corpo negro se apresenta em várias formas nas canções “Malandro, Pilantra”, “Presente” (composição que inspirou o projeto), “Posição de Risco” e “Pretas Vidas”. O fim da viagem é um convite a se permitir ao afeto, a brisa do toque, da relação entre os seres.

Uma convocação à luta sem esquecer da ternura, “O Peso da Pele” é um álbum manifesto antirracista sem deixar de ser pop. O álbum está disponível em todas as plataformas de música.

Algumas faixas estão disponíveis em três de nossas playlists

Ficha técnica

Direção musical: Alessandra Crispin e João Paulo Lanini

Produção musical: Alessandra Crispin, Dj Black Josie e João Paulo Lanini

Arranjos digitais: Dj Black Josie

Violão e guitarra: João Paulo Lanini

Violão, cavaco, banjo, percussão, voz e vocal: Alessandra Crispin

Percussão geral: Almin Bah e Mari Assis

Participações:

Clarissa Reoli: letra em “Guerreira Oyá” e “Malandra, Pilantra”

Jô Brandaum: letra e voz em “Mulher Incomum”

Márcio Guelber: sanfona em “Guerreira Oyá”

Tainara Campos: texto em “Maria Bonita” e “Presente”

Captação de áudio: Renato Dias (Estúdio Sensorial)

Mixagem e masterização: Maurício Ávila (Estúdio Sonidus)

Distribuição: Sensorial Centro de Cultura

Projeto realizado com recursos da Lei Federal 14017/20 (Lei Aldir Blanc) gerida pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Foto: Equipe Difference (Janaína Oliveira, Francisco Silva e Marcella Calixto)

Capa: Raul Gonçalves

Arte do lançamento

Guer midia

Raul Gonçalves

Siga Alessandra Crispin:

Capa da publicação: Capa do álbum “O Peso da Pele” | Crédito: Raul Gonçalves

Texto de Daniel Pandeló (assessoria de imprensa)

CONTO: A ansiedade do vovô na hora que o cometa passou (Gil Silva Freires)

Seo Leonel tinha nascido em 1911, um ano depois da primeira passagem do cometa de Halley neste século vigésimo. Dessa.

LEIA MAIS

Dos livros às telas de cinema

Não é de hoje que muitas histórias de livros despertam desejos cinematográficos, algumas dessas histórias ao pararem nos cinemas até.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: uma dimensão lúdica da vida

1. Há artistas cuja obra não nasce apenas da técnica, nem do aprendizado formal das escolas de belas-artes, nem muitos.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Gabriel Gabrera e sua aliança com o blues

O mineiro Gabriel Gabrera é de afinidade indiscutível com o blues, gênero musical que conheceu muito novo, e nele permanece.

LEIA MAIS

Mercedes Sosa em 241 palavras

Mercedes Sosa é uma cantora argentina nascida em 1935, na província de Tucumán. É considerada como “a voz da américa.

LEIA MAIS

Grata à Deus, Marcia Domingues lança a canção “Feeling Lord”

“Feeling Lord” é a nova canção autoral da cantora e compositora paulistana Marcia Domingues. Com letra em inglês, ela revela.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

Uma aula sobre samba paulista com Anderson Soares

Patrimônio cultural imaterial do nosso país, o samba foi descrito e explicado por incontáveis fontes, como estudantes do tema, jornalistas,.

LEIA MAIS