18 de outubro de 2026

Resenha do filme “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”, de 1986 (por Tiago Santos Souza)

O Dia em que Dorival Encarou o Guarda

Olá a todos! Feliz ano novo! Vida longa e prospera!

Bom, a primeira obra do ano se chama “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”. Um curta metragem lançado no ano de 1986. ele foi dirigido por Jorge Furtado & José Pedro Goulart. Para quem não conhece ambos os diretores, Jorge furtado Dirigiu alguns clássicos como ‘O homem que copiava”, “Meu tio matou um cara”, “Ilha das flores e Saneamento Básico – O Filme”, entre outros. Este ultimo Já tem um artigo na revista feita por mim. O link esta aqui.

José Pedro Goulart dirigiu “Ponto zero”, “O pulso, quase tango”… entre outros.

Bom, vamos ao filme!

O filme segue um detendo numa prisão militar sufocando de calor. O mesmo pede para que que um dos recrutas (chamado de “brasa” no filme) para que o deixe tomar um banho. Ele chega ate a implorar por isso. Contudo, o guarda nega a acessibilidade alegando que são ordens. Ele perde a paciência e pede para chamar o cabo. A partir dai, a trama segue Dorival encarando as patentes do exercito para ver se consegue autorização para tomar banho.

Confesso que dei umas boas risadas com este filme. Apesar da sua trama ser simples, carrega uma mensagem muito importante. A falta de humanidade. Neste caso, eram os militares. No entanto podemos utilizar toda a humanidade como exemplo. A maneira como um desejo tão simples pode virar uma bola de neve é surpreendente. Um caso de subordinação, levou a varias outras questões. Como racismo, insubordinação, falta de empatia e varias outras questões. Mas vamos por partes.

Trama

A Trama e meio repetitiva. Mais não chega a cansar você. Por a comedia é bem escrito. Bom, em alguns pontos da drama, você pode acabar pensando “isso era necessário?”. porque parece ser um episodio de uma serie ou novela. E este fosse o meio. O começo e o final ficam perdidos. Ficamos com algumas perguntas na cabeça, como: “Por que ele foi preso?”; “Por quanto tempo ficara lá?”; “Quem é ele?”; “O que aconteceu depois?”; “Quem deu a ordem?”; “Existia mesmo uma ordem?”; “Como os outros presos então sendo tratados?”. Enfim, são tantas perguntas… e eu realmente queria muito saber as respostas. Gostaria que tivesse tido continuação. Afinal, a trama é bem interessante e inteligente.

Material original

O filme é baseado no oitavo capitulo do livro “O amor de Pedro por João” escrito em 1982 por Tabajara Ruas.

Sinopse do livro: Nos anos de chumbo, exílio é palavra corrente. Muitos são os que vivem o drama de deixar o Brasil, perseguidos pelos agentes da ditadura. Gente incomum nos ideais, mas simples nas emoções. Gente como os personagens de “O amor de Pedro por João”, de Tabajara Ruas, que mostra o outro lado da militância política: a solidão, tão contundente quanto a ponta dos fuzis; a esperança, única arma capaz de resistir à poderosa máquina repressora; e o carinho, ungüento para as feridas da luta. Como tantos brasileiros, os protagonistas do livro procuram abrigo, inicialmente, no Chile socialista de Allende. Afugentados pela revolução de Pinochet, são obrigados a partir para um novo exílio na Europa. Não há no romance dimensões heróicas — no meio dos conflitos, os personagens, apesar da truculência da perseguição, encontram tempo para venturas e desventuras românticas. Dramas e fugas para o exílio, para a insanidade ou para a morte dividem espaços com momentos de esperança, risos e solidariedade. O “Amor de Pedro por João” é o segundo romance de Tabajara Ruas. Escrito em Copenhague, durante o exílio imposto ao autor pela ditadura militar, utiliza a linguagem cinematográfica em toda a sua agilidade e fragmentação. Link para comprar o livro.

O roteiro do longa foi escrito por Cinco pessoas. Giba Assis Brasil, Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado, José Pedro Goulart & Tabajara Ruas, o autor do livro.

Curiosidade

Demorou um pouco, mas eu acabei descobrindo algo incrível. Ano passado eu assisti este filme em torno de 4 a 6 vezes. E só quando eu fui escrever o artigo, eu notei que o Dorival é o talentosíssimo João Acaibe. O Tio Barnabé!! Ele o interpretou na melhor versão do Sitio do Pica Pau Amarelo! Eu não perdia quase nenhum episodio. Eu adorava. Lembro de vários capítulos ate hoje. Eu lembro que Sirmar Artunes faz o Sargento. Zé Adão Barbosa faz o cabo. Lui Strassburger faz o Tenente e Pedro Santos faz o Soldado.

O Elenco é muito bom e as atuações convencem.

Considerações finais

Aproveitando este gancho (já que fiz um artigo sobre “Saneamento Básico”) falei sobre os outros curtas de Jorge Furtado. Inclusive, “A ilha das flores”. A obra prima máxima do diretor. Enfim, este filme é uma ótima experiência. Serve como reflexão sobre humanidade. Obrigado a todos por lerem ate aqui. Abaixo, segue o link do curta.

Prêmios

Melhor curta – Festival de Gramado de 1986

Melhor ator – Festival de Gramado de 1986

Prêmio júri popular – Festival de Gramado de 1986

Prêmio da crítica – Festival de Gramado de 1986

Melhor filme – Festival de Huelva (Espanha) de 1986

Prêmio da crítica – Festival de Huelva (Espanha) de 1986

Melhor curta – Festival de Havana (Cuba) de 1986

Seleção oficial – Sundance Festival de 1991

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