20 de outubro de 2026

Rock alternativo: banda sul-coreana The ATIC indica um caminho para a luz em “Dive”

A banda sul-coreana The ATIC lançou em 8 de outubro a música “Dive”, um rock alternativo que propõe ao ouvinte olhar-se no espelho, dedicando momentos de enfrentamento às suas próprias sombras. Para isso, o personagem da música “decide mergulhar no desconhecido para encontrar uma parte de si que vinha evitando”, como diz Ahn Seo Hyun, produtor musical da banda e produtor de “Dive”.

Eu, Matheus Luzi, me senti interessado pela obra, tanto pela sua qualidade em geral quanto pela sua capacidade de oferecer a quem a escuta a possiblidade de enxergar um novo começo, mas por meio de algo que parece ser ruim: o olhar para a escuridão. Diante disso, entrevistei o próprio Ahn Seo Hyun, que nos devolveu cinco respostas.

Em síntese, como vocês descrevem “Dive”?

Para mim, “Dive” é uma faixa de rock alternativo sobre a coragem de encarar o próprio lado sombrio.

Em vez de fugir daquilo que o assusta, o personagem decide mergulhar no desconhecido para encontrar uma parte de si que vinha evitando.

A música parte de uma imagem paradoxal: o que parece uma queda pode ser, na verdade, o começo de um voo.

Qual situação motivou a composição desta música?

O conceito surgiu da vontade de falar sobre o confronto com o próprio lado sombrio.

Quis retratar o momento em que alguém decide parar de fugir das partes de si mesmo que prefere esconder ou negar. O medo continua presente, mas deixa de impedir essa pessoa de agir.

Para mim, essa é a essência de “Dive”: não a ausência do medo, mas a coragem de seguir em frente apesar dele. Acima de tudo, é uma celebração da força humana.

O que “Dive” diz em sua letra?

Na letra, a escuridão, a tempestade e o vento frio traduzem o medo e as dúvidas que cercam o personagem.

Há um detalhe importante: o “you” que aparece no refrão não se refere a um interesse romântico nem a outra pessoa. É a parte sombria de si mesmo que o personagem rejeita e tenta esconder.

Ao decidir ir ao encontro desse “outro eu”, ele escolhe encarar aquilo de que vinha fugindo.

Assim, o mergulho do título não representa apenas a entrada no desconhecido, mas também a decisão de enfrentar a própria sombra.

Musicalmente, como vocês a descrevem?

“Dive” é uma faixa de rock alternativo a 170 BPM, que mistura guitarras distorcidas, texturas eletrônicas, efeitos de glitch e ritmos quebrados, com influências de drill’n’bass.

Uma das ideias musicais veio de uma demo de progressive house que fiz por volta de 2013, quando o gênero estava em alta. Peguei a linha principal de sintetizador daquela demo e a adaptei para a guitarra.

Na produção, trabalhei o timbre da guitarra para manter uma sonoridade próxima à de um sintetizador, mas com a energia de uma banda de rock.

Os vocais começam de forma mais contida e ganham intensidade no refrão. Por volta de 1 minuto e 55 segundos, o arranjo muda, e a bateria, o baixo tocado com slap e o solo de guitarra ganham destaque.

Há algo de curioso sobre este lançamento que vocês queiram destacar?

Uma das curiosidades está no trabalho com as vozes.

Usei uma camada vocal processada com vocoder e distorção para criar a sensação de que o abismo está chamando o personagem. Em resposta, o vocal principal solta um “Dive!” decidido.

São duas maneiras de dar sentido ao mesmo gesto: de um lado, a ideia de ser levado à queda; do outro, a decisão de saltar por vontade própria.

Quis que esse conflito aparecesse não só na letra, mas também no som.

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