19 de outubro de 2026

Resenha crítica do livro MÃOS DE CAVALO de DANIEL GALERA – Escrito por Caio Carvalho

 

“a fantasia heroica está se esvaindo, mas a imagem que tem de si mesmo na realidade não preenche os espaços vazios deixados pela fantasia.” ( p. 156)

 

Leitores do Revista Arte Brasileira!, tudo bom? Bora refletir sobre Literatura? Hoje falaremos sobre o romance Mãos de Cavalo do escritor Daniel Galera (nasceu em São Paulo, mas que passou maior parte da vida em Porto Alegre, essa informação é muito importante, rsrs!). O autor contemporâneo obteve indicação a títulos aclamados, como Prêmio Portugal Telecon Romance e Prêmio Jabuti de Livro Brasileiro publicado no exterior. Bora pro livro?

Em Mãos de Cavalo, nos é narrada a história de Hermano – ou Mãos de cavalo, para os íntimos, apelido herdado da infância, por ser alto e forte – retratando sua abalada e inquieta infância, bem como suas vivências com os colegas. No decorrer da narrativa, esse plano vai mudando e logo nos deparamos com o personagem já adulto, com suas particularidades e responsabilidades. Não entrarei em detalhes, porque vocês ainda lerão – se ainda não leram – essa obra. Bora pra crítica?

O livro possui uma narrativa alternada, ora um Hermano criança, um ciclista urbano – como nos fala o primeiro capítulo – ora um Hermano experiente, profissional. Esse fato nos permitiu observar o personagem em duas perspectivas diferentes, fazendo-nos tecer comparações entre as duas fases de sua vida: o que aconteceu em uma etapa, que desencadeou algo na outra? Essas questões são bastante reflexivas.

Não podemos deixar de falar da ambientação da trama, em que os personagens se mostram super apegados com o espaço, Porto Alegre, isso nos possibilita tanto o conhecimento em relação à ruas, lagos, bairros porto-alegrenses como sentir o apreço que os personagens possuem a esses lugares.

Embora o livro seja escrito de uma forma bem poética e sentimental, possui temática brutal, e até pessimista. O personagem central, em sua forma adulta, rememora sua infância lamentando (em alguns momentos) o passado que deveria ter acontecido de outra forma, causando uma insatisfação no seu presente, apesar de agora ser um cirurgião plástico bem sucedido.

O livro nos permite refletir sobre como o modo que o  presente interfere no porvir, o livro inteiro nos passa um clima de tensão – seja através de um garoto fascinado pelo perigo ao andar de bicicleta ou de um adulto cheio do medo de ser engolido pelas suas lembranças – que nos faz devorar a história rapidinho, e nos deixar sem dormir, até.

 

 

 

 

 

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