24 de junho de 2026

Mantendo a essência e adicionando novos elementos, Hamilton de Holanda traz canções de Jacob do Bandolim em novo álbum [ENTREVISTA]

 

JACOB 10ZZ é um daqueles discos feitos especialmente para os fãs do choro, do jazz, do samba, entre outros, e principalmente aos fãs do bandolim. Pois é isso que Hamilton de Holanda traz em JACOB 10ZZ. Mas não é só isso. O contrabaixo e a percussão dão um novo toque e mais especial ainda ao álbum, composto por 12 faixas, escolhidas entre os quatro discos de Jacob.

O nome do álbum faz referência ao bandolim de 10 cordas do Hamilton, e ao parentesco entre o Choro e o Jazz. “Procurei um título com poucas letras e um som direto, que pudesse dar significado à concepção desse trabalho. É o choro do Jacob com uma pitada de jazz. Não necessariamente todas as faixas são desse gênero, mas têm essa maneira de tocar, que utiliza muito a improvisação e solos criados no momento da gravação. O nome resumiu bem o espírito do disco” – conta Hamilton.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com Hamilton.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

 

Primeira pergunta: como começou sua história com Jacob do Bandolim? O que ele representa para você e para o álbum?

A música do Jacob toca na minha casa antes de eu nascer, na verdade. Meu pai gostava muito de choro, de bossa nova, e sempre rolava os LP’s do Jacob, e foi junto com a música do Pixiguinha, foi a primeira, então acho que é o compositor que eu sei a maior quantidade de música. Então, esse é uma super referência na minha vida musical e o Jacob representa um nome de quem criou uma escola brasileira de bandolim, é um nome que inventou o jeito de tocar bandolim no Brasil. Então, Jacob tem que ser sempre reverenciado, e esse disco é uma celebração do gênio Jacob Bandolim.

 

Neste novo trabalho, você fez versões de clássicos de Jacob. Como foi esse processo? E para você, o que mudou nas suas versões?

O processo foi bem espontâneo, a partir de partituras originas das música do Jacob, juntamente com o Guto Wirtti que é o contrabaixista e o Thiago da Serrinha que é o percussionista, criei arranjos baseado no original. Então, é música original do Jacob, com o olhar desse trio que tem um baixo acústico, percussão e um bandolim de 10 cordas, como se cada elemento complementasse o outro. O Bandolim fica com a função harmônica e melódica, o baixo também tem a função dentro da harmonia, mas um pouco mais voltado pra parte rítmica, a percussão também com o ritmo, e são instrumentos que “não brigam”, ou seja, estão sempre em harmonia um com o outro.

O repertório foi feito em cima disso. Mas sempre tentando manter mais a essência da música do que muda-la porque a gente sempre quer ter uma opinião, uma visão sobre a música, mas eu diria que existe mais uma vontade de manter a essência e colocar temperos dentro dessa essência.

 

Quais foram os conceitos usados para a escolha do repertório?

Basicamente, o repertório foi escolhido a partir das músicas que eu já tocava do Jacob. Mas basicamente eu já tinha um repertório entre 40 e 50 músicas do Jacob. E como veio o convite da gravadora, no sentido de eu fazer uma caixa, então eu fui dentro desses discos que são quatro, eu fui tentando equilibrar entre músicas mais líricas, músicas com ritmos mais balançados, outros com ritmos mais parecidos com sambas. Então, entre esses quatro discos, tem um pouco de cada faceta do Jacob do Bandolim.

 

 

Jacob era um mestre na improvisação. Em JACOB 10ZZ você faz algo parecido?

O JACOB 10ZZ é um disco onde a improvisação é fundamental. Ou seja, todas as músicas de alguma maneira eu uso do recurso da improvisação pra dar um toque especial na música. Então, a improvisação é uma característica do choro, também conhecido mundialmente através do jazz. E esse trabalho é inclusive aproximar mais esses dois gêneros que são tão familiares. Esse disco saiu com essa essência de ser improvisado, principalmente nos momentos da gravação.

 

O nome JACOB 10ZZ parece ter um conceito interessante… Comente.

O nome foi uma busca por algo que fosse curto, poucas letras e que já tivesse um som que remetesse a ideia musical do disco. Eu pensei inicialmente em Jazz, Jacob Jazz, mas queria também que o bandolim de dez fosse contemplado o nome. Então, o 10 com os dois “zz” foi a junção do bandolim de dez com o jazz.

 

 

 

 

Rosana Puccia dá voz a mais dois temas atípicos no mercado musical brasileiro

Em atividade discográfica desde 2016 quando apresentou o álbum “Cadê”, Rosana Puccia é, de verdade, uma colecionadora de canções atípicas,.

LEIA MAIS

O Ventania e suas ventanias – A irreverência do hippie

(Todas as imagens são reproduções de arquivos da internet) A ventania derruba árvores, derruba telhas, derruba vidas. Mas a verdade.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Elis Regina em detalhes (com Julio Maria)

O experiente jornalista musical e biografo Julio Maria é autor do livro “Elis Regina. Nada Será Como Antes”. A obra.

LEIA MAIS

RESENHA: Curta “Os Filmes Que Eu Não Fiz” (parte 1)

Este artigo é dividido em três partes. Esta é a primeira, intitulada por seu resenhista Tiago Santos Souza como “EU”,.

LEIA MAIS

“Sertão Oriente”, álbum no qual é possível a música nordestina e japonesa caminharem juntas

A cultura musical brasileira e japonesa se encontram no álbum de estreia da cantora, compositora e arranjadora nipo-brasileira Regina Kinjo,.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: uma dimensão lúdica da vida

1. Há artistas cuja obra não nasce apenas da técnica, nem do aprendizado formal das escolas de belas-artes, nem muitos.

LEIA MAIS

Bersote é filosoficamente complexo e musicalmente indefinido em “Na Curva a Me Esperar”

A existência é pauta carimbada na música brasileira, como apontamos nesta reportagem de Jean Fronho (“Tom Zé já dizia: todo.

LEIA MAIS

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira. Nela, convergem 3 marcos.

LEIA MAIS

“O único assassinato de Cazuza” (Conto de Lima Barreto)

HILDEGARDO BRANDÂO, conhecido familiarmente por Cazuza, tinha chegado aos seus cinqüenta anos e poucos, desesperançado; mas não desesperado. Depois de.

LEIA MAIS

Gabriel O Pensador, sempre insatisfeito em “Matei o Presidente”

Reportagem escrita por Nathália Pandeló em outubro de 2018 e editada por Matheus Luzi   Há quem diga que o.

LEIA MAIS