28 de outubro de 2026

Conheça o som singular da banda paulistana Big Up [ENTREVISTA]

Por Filipe Nevares

 

O surgimento da da Big Up é de certa forma, um tanto curioso. Na verdade, tudo começou com o fato de que os três integrantes moravam na mesma região de São Paulo, Interlagos, na Zona Sul.

O encontro entre Gabriel Geraissati com Lucas Pierro resultou em coverns da banda santista Charlie Brown Jr. Os pequenos espetáculos aconteciam em botecos.

O nome da dupla era Hard Core Ticana. Mas isso mudaria quando o Duo convidou Victor Burbach (conhecido como Grilo) para um de seus ensaios. O som ficou tão bom que os três decidiram montar a Big Up.

A banda já lançou dois EP’s e um álbum, batizado de UNI-VERSOS.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Suvas, integrante da banda.

 

Para ouvir as músicas completas, clique botão cinza no quadro abaixo.

 

Levando em consideração os cenários de onde vocês vêm (Interlagos), o quanto isso influenciou na carreira da banda?

Saravá a toda família da Revista Arte Brasileira. Obrigado pela oportunidade. Suvas aqui representando a trupe. Cara, Interlagos é um bairro nobre na periferia paulistana. Aqui tem de tudo, mansões, barracos, muitos nordestinos, muitos alemães e uma interação de diversidades culturais muito peculiar. Isso se dá demais no nosso som, levando em conta que a Big Up é quase inrotulável, somos reggae, somos rap, somos ijexa, somos Brasil.

 

É bem interessante as transformações da banda até chegar em Big Up. Conte para nós como isso tudo aconteceu e como a banda foi formada.

Sim, eu e o Pierro tínhamos uma banda de Hard Core (sub-gênero do Punk Rock) chamada Ticana, e o Ras Grilo fazia parte dum coletivo de Sound System chamado Amanajé. Um dia o Rasta (Grilo) colou no ensaio do Ticana e nós fizemos uma jam session que acabou resultando numa conversa, que se prolonga até hoje (risos).

 

Vocês três vem de estilos musicais diferentes. Como uniram tudo isso numa “coisa só’?

Eu acho que nenhum de nós tem algo que os outros não tenham, temos os mesmo gostos, mas cada estilo de som se acentua em diferentes proporções em cada um. O Pierro, por exemplo, ouve bastante Rap, eu e o Grilo ouvimos muito também, mas não como ele. Assim sou eu com a música Brasileira e o Ras Grilo com o Reggae.

Vocês são adeptos a música brasileira. Nesse sentido, quais são as influências de vocês? E como vocês trabalham com a música nacional?

Cara, a gente ama muito mesmo o Gilberto Gil, achamos a música dele muito universal, ao mesmo tempo ímpar e ao mesmo tempo totalmente representante do cenário Brasileiro no mundo, de fato é o nosso maior ídolo em comum. Mas também temos uma admiração absoluta por Djavan, Lô Borges, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Dominguinhos, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Novos Baianos, A Cor do Som e os amigos contemporâneos como o Sinara, Dois Reis, Onze:20. Acho que a música Brasileira tá tão enraizada na gente, que ela se faz sozinha no nosso trabalho.

 

Falem um pouco dos seus lançamentos (os dois EP’s e o álbum).

Os dois EP’s foram produzidos de forma independente, gravados num Home Studio nos fundos da casa do Grilo e todos os instrumentos foram tocados por mim (Suvas). O álbum é um compilado dos dois EP’s com mais algumas inéditas. As guitarras e vozes foram regravadas no estúdio EME na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e em algumas faixas contamos com a percussão do Ricardo Guerra (Novos Baianos e Pepeu Gomes) e com os baixos do mestre Magno Brito (Gilberto Gil e Sinara), além da mixagem e masterização dos engenheiros Diogo Macedo e Tuta Macedo, dois irmãos que arrancaram um som absurdo.

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva a banda?

Milhares, a maioria das histórias são bem engraçadas. (risos)
Mas vou contar uma curiosidade. Nós três moramos na beira da mesma avenida, a Av. Atlântica. Eu numa ponta, o Grilo na metade e o Pierro na outra ponta. Um dia eu e o Pierro contamos no painel do carro e vimos que dá minha casa pra casa do Grilo é exatamente a mesma distância da casa do Pierro pra casa do Grilo: 2.650 metros. Ele está exatamente no meio do caminho entre nós dois, vocês sabem o que isso significa a partir das ciências herméticas? Absolutamente nada. Significa que assim como eu, o Pierro precisa ter menos preguiça e ir de bicicleta todos os dias pro estúdio gravar as prés do próximo disco. (risos).

 

 

 

 

 

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