2 de maio de 2026

Playlist “Além da BR” #235 – Sons do mundo que chegam até nós

Além da BR

Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 235ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.

Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.

Тревога первых птиц – “Краски пустоты, by Тревога первых птиц” – (Bielorrússia)

Quem é você como artista? Trevoga pervyh ptic é um projeto indie/pós-punk da Bielorrússia. Este é um projeto totalmente DIY onde eu mesmo componho e toco as músicas. No 23º ano na Alemanha, o primeiro álbum chamado “Mrak” foi gravado e mixado. 30.11.24 lançou o single “Kraksi pustoty” com o membro da banda bielorrussa “Distância mínima” Zhenya Shum

Que história você retrata na letra dessa música e qual é sua mensagem universal? Muitas vezes sentimos uma sensação de perda quando algo querido para nós desaparece de repente. É como se uma parte de nós também tivesse ido embora. O que resta são playgrounds abandonados de memórias, locais e silhuetas de pessoas.

Musicalmente, como você descreve isso? Escolhemos as cores discretas de guitarras atmosféricas e as preenchemos com letras de perda e memórias. Para criar uma bela imagem melancólica de post rock com uma coloração otimista leve que dá esperança.

Por que você escolheu essa foto para a capa? A arte da capa do lançamento tem uma conexão muito próxima com o clima e a letra da música. Paisagem deserta com casas abandonadas cria uma imagem de lugares esquecidos da nossa infância. E o cavalete com uma pintura em forma de anel remete aos campos esportivos onde passamos muito tempo na nossa juventude. Mas agora tudo se foi e não há nada ao redor além do vazio.

Que conexão essa música tem com seu país, Bielorrússia? Aqui a referência é mais ao passado, à infância e juventude passadas na Bielorrússia, do que a quaisquer eventos reais no país.

Respostas Тревога первых птиц

Astrobal – “L’abeille pourpre” – (França)

Quem é Astrobal? Sou músico e produtor, tendo trabalhado para Laetitia Sadier (Stereolab) e várias bandas indie como Nina Savary, Pink Shabab, Marker Starling, … Vivo no sul de França, perto do mar Mediterrâneo. Astrobal é o meu projeto a solo.

Qual história você retrata na letra da música e qual sua mensagem universal? Musicalmente, como você a descreve? O meu novo álbum chama-se “L’uomo e la natura” (em italiano!) e é uma homenagem a toda a música de biblioteca que adoro, seja ela eletrónica, tropical, italiana, Japaneese…
O meu álbum é sobre o futuro (sou fã de ficção científica) e a dificuldade da humanidade em adaptar-se à mudança, e é também um panfleto anti-capitalista.
A música deste álbum é 80% instrumental, com apenas 2 canções cantadas.

Por que escolheu esta foto para a arte de capa? A capa foi desenhada pelo meu amigo oOmiak, que me deu a honra de desenhar tudo inteiramente à mão. Representa um cosmos imaginado, no qual a natureza e a tecnologia estão ligadas. É magnífica e estou muito orgulhoso dela.

Respostas Astrobal

Muskeg Mudsuck“End of Sentience” – (EUA)

Tens uns minutos para apresentar esta canção antes que alguém a ouça, o que dirias? É uma improvisação que fiz numa outra música. Estava a ter dificuldade em gravá-la, por isso, quando acabei, lancei-me nesta divertida improvisação. A outra canção chamava-se “Sentience” e exprime a minha ideia de que os animais são seres sensíveis e que as gerações futuras vão considerar as pessoas atuais como bárbaras por causa do tratamento que damos aos animais.

Qual é a melhor descrição dos arranjos? Usei um Goodtime Banjo com um captador humbucker através de um pedal EHX Muff e um amplificador Bugera V5. A minha percussão de pés é uma caixa de madeira plana com um microfone SM58.

Afinal, em que bandas, artistas e épocas musicais te inspiraste? Johnny Shines e Fred McDowell, mas também Minutemen, Motorhead e os Monks.

A canção tem um tema, uma mensagem? Como mencionei, que os animais são sensíveis. Mas esta pequena jam é simplesmente uma expressão de júbilo.

Há alguma história que queiras contar? Eu vivo no Alasca, onde há muitos corvos e orcas que são extremamente inteligentes. Penso que quando compreendermos o seu discurso, muitos humanos ficarão surpreendidos com o que eles sabem!

Respostas Muskeg Mudsuck

Luiggi Yeins“Din Don Dan (Feliz Navidad)” – (Equador)

Em especial, o que é esse lançamento? Luiggi Yeins, pelo seu ritmo e qualidade interpretativa, chega ao género musical com outra visão com uma sonoridade que representa a juventude que caracteriza o sentimento de toda uma geração.

O que dizem as letras e qual é a sua mensagem musicalmente? “Din Don Dan” é uma celebração moderna do Natal, que representa a união das famílias neste momento tão importante.

Como você o descreveria e qual a sua ligação com a música do Equador? Descrevo essa música com uma mistura de ritmos atraentes e arranjos contagiantes, captando a energia de uma nova geração no país e no mundo.

E a fotografia da capa do single, o que representa? Representa a união familiar

Há algo curioso sobre o lançamento que você queira destacar? Deixe-os ouvir minha música e tomar consciência de nossas ações para sermos melhores a cada dia.

Respostas Luiggi Yeins

Noa Hadad“the loser that i am” – (Israel)

Sobre o que é esse lançamento? Este lançamento é sobre se sentir um perdedor na vida. Não alcançar todos os outros. As lutas e a pressão da sociedade para crescer perfeito, ter todas as respostas e fazer tudo certo quando você nem sabe o que está fazendo e está apenas tentando descobrir.

O que a letra diz e qual é a sua mensagem? A letra mostra a raiva e a frustração que você sente quando todos esperam que você seja qualquer que seja a versão deles de sucesso e o medo de ser um fracasso para todos, inclusive para você mesmo.

Musicalmente, como você o descreve e qual é sua conexão com a música israelense? Com essa música, eu não diria que ela é muito conectada à música israelense. Eu tirei minha inspiração da música pop-rock americana, particularmente do início dos anos 2000 a 2010. Eu queria que essa música parecesse nostálgica.

E o que representa a fotografia da capa do single? Eu queria meio que… me expor nessa música e foi isso que eu fiz na capa também quando escrevi “o perdedor que eu sou” em uma parede de costas para a câmera. Estou admitindo que sou afetado por essas expectativas irrealistas de estar indo muito bem e ter tudo planejado até os 21 anos. Eu sei e reconheço que elas são irrealistas, mas ainda sinto vergonha de não corresponder a essas expectativas.

Há algo interessante sobre o lançamento que você gostaria de destacar? Eu queria ser direto e dizer tudo o que eu estava sentindo. Sem metáforas ou mensagens ocultas. Você não é considerado bem-sucedido se não tem um ótimo emprego, um carro novo, um parceiro. Todas essas maneiras pelas quais medimos se alguém está indo bem na vida ou não. No último refrão, eu digo que mesmo aqueles que têm todas essas coisas, eles ainda não são necessariamente felizes. Eles ainda podem se sentir um fracasso. Todos nós fazemos isso, não importa quais sejam as nossas circunstâncias.

Respostas Noa Hadad

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