13 de janeiro de 2026

Playlist “Além da BR” #301 – Sons do mundo que chegam até nós

Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 301ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.

Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.

Jonny Kerry (Reino Unido) – “Moving On”

Se você tivesse que apresentar essa música em um elevador, o que diria?

Eu diria que a música é uma mistura de Blues, Soul e Jazz com uma sonoridade ao estilo James Bond, sobre superar a insegurança e seguir em frente. A música é a faixa-título do meu novo álbum, que será lançado em 24 de outubro. Você pode ouvir e baixar o single em todas as plataformas, incluindo o Spotify.

Qual é a origem de “Moving On”, o que a inspirou?

A música fala sobre superar a insegurança, a depressão e a autossabotagem. Eu queria que a música fosse uma espécie de hino para isso. Queria que ela tivesse um som forte e confiante, com uma vibe meio James Bond. Fiquei muito feliz quando o trompete foi gravado, elevou a música a outro patamar.

Que história a letra conta, mais diretamente?

Eu queria que a letra fosse óbvia, e que logo no início da música, nas primeiras palavras, os ouvintes soubessem exatamente sobre o que a música tratava e qual era a vibe.

Musicalmente, em que você trabalhou nesta música?

Compus a música, fiz os arranjos e a produção no meu estúdio caseiro em Stamford, Inglaterra. Os músicos vieram ao meu estúdio e gravamos tudo. Foi uma experiência muito agradável gravar em casa, pois já estive em estúdios comerciais onde, para ser sincera, não me sinto muito confortável ou relaxada. Gravar em casa me permitiu entrar no clima certo e obter gravações com as quais fiquei realmente satisfeita, sem a pressão do tempo de um estúdio comercial.

Tem algo interessante que você gostaria de destacar?

Eu lanço um novo single do álbum todo mês, então me siga no Spotify e nas redes sociais para saber mais. O álbum será lançado dia 24 de outubro.

Respostas de Jonny Kerry

Jean de Aguiar (França) – “Topaze”

Se tivesse de apresentar esta música num elevador, o que diria?

Ninguém se sente 100% à vontade num elevador; há sempre aquele pequeno medo de cair ou a ideia de ficar preso entre dois andares. Então, eu diria às pessoas à minha volta: eu vou tocar uma música que vai abençoá-los — não apenas por qualquer coisa que possa acontecer
aqui, mas por toda a vossa vida».

Qual é a origem de «Topaze»? O que a inspirou?

Topaze é a segunda faixa de um projeto em que venho trabalhando há muito tempo: conectar as pessoas que amo com pedras preciosas. A meu ver, todos aqueles que amamos — pais, parceiros, filhos e assim por diante — são como diamantes puros, únicos e insubstituíveis. No
meu álbum de 2019, “Acoustica”, adicionei uma música chamada “Mica”, inspirada na minha tia espanhola, Dominica, cuja alcunha é Mica. Essa pedra — mica — é uma das gemas mais raras e difíceis de encontrar. Mas, no caso de “Topaze”, a pessoa a quem ela é dedicada
permanecerá em segredo por enquanto.
Espero lançar o álbum completo “Gemstone”, talvez no próximo ano. Mais duas faixas já estão prontas: “Emeraude” e “Aigue-Marine”.

Musicalmente, em que se concentrou nesta canção?

Escrevi esta peça no outono passado. É uma época do ano em que sempre sinto nostalgia — um humor que tenho frequentemente, mas o outono na Europa realmente o intensifica: as folhas caem das árvores, o céu fica cinzento e um vento gelado varre as ruas. Do ponto de vista técnico, peguei emprestada a estrutura do estilo brasileiro de choro, especialmente das obras de Pixinguinha, que admiro muito. A peça tem três
partes: um tema principal, uma ponte e, em seguida, o retorno do tema principal em uma nova tonalidade.

Há algo curioso que gostaria de destacar?

Não sei se é curioso, mas percebo que, na verdade, não ouço muita música no dia a dia. A maior parte da minha inspiração vem da leitura — os meus autores favoritos: o escritor francês Georges Simenon, o americano Ernest Hemingway, a chilena Isabel Allende, para citar alguns.

E, finalmente, quem é o artista francês Jean de Aguiar?

Com fortes raízes espanholas e portuguesas, sinto-me francês quase por acaso, como tantas pessoas que se mudaram por várias razões: guerra, ecologia ou fome. A minha formação permite-me apreciar todos os tipos de música sem limites. Através da minha própria pesquisa, tento combinar as qualidades técnicas da guitarra clássica com a energia, o ritmo e a emoção da música popular — principalmente do Brasil e da Espanha.

E, finalmente, quem é o artista francês Jean de Aguiar?

Com fortes raízes espanholas e portuguesas, sinto-me francês por acaso, como muitas pessoas no mundo, deslocadas por várias razões: guerras, ecologia, doenças. A minha situação não me impõe limites para apreciar todos os tipos de música. Através da minha própria pesquisa, tento fundir as qualidades técnicas da guitarra clássica com a energia, o sentido de ritmo e as emoções da música popular, principalmente do Brasil
e da Espanha.

Respostas de Jean de Aguiar

Johanna Linnea Jakobsson (Dinamarca) – “Better Off”

Qual a melhor sinopse para esta música?

A música fala sobre deixar um relacionamento para trás, não necessariamente romântico – pode ser também uma amizade, sobre aceitar que é o melhor a se fazer. É como uma música de término com uma pegada mais otimista. 

O que inspirou esta música?

Experiências da minha vida, como a evolução de certos relacionamentos ao longo do tempo. 

Por fim, o que você diz na letra e qual é a sua mensagem?

A essência da mensagem e da letra são praticamente as mesmas da sinopse. Resumindo, gira em torno de “Eu tentei, mas não deu certo, e tudo bem”.

Musicalmente, o que você explorou nesta música?

Tentei misturar o som do jazz tradicional com uma abordagem um pouco mais “moderna” para compor. A pegada é swing e a formação é um trio de jazz básico, mas a melodia é provavelmente um pouco mais “pop” do que você ouviria em músicas de jazz antigas.

É possível estabelecer alguma conexão entre esta música e o seu país, a Dinamarca, e outros países?

Hum, não exatamente – além do fato de que ela fala sobre a minha vida e é aqui que eu moro.

Respostas de Johanna Linnea Jakobsson

Vanessa Finney (EUA) – “Once I Loved”

Primeiro, como você descobriu essa música?

Somos músicos de jazz, então conhecemos muitos clássicos da Bossa Nova, como “Once I Loved”. Muitas músicas brasileiras de Tom Jobim são consideradas parte do repertório de um músico de jazz comum.

Essa interpretação é acelerada, com batidas jazzísticas, e apresenta um baixo sem trastes tocando na mesma extensão suave de contralto do vocalista. O padrão de arranjos de Mark é sempre criar introduções e saídas originais e adequadas.

O que você acha dela e do artista original?

Como Frank Sinatra disse na década de 1960, Jobim é um mestre “moderno”. Temos várias músicas dele em nosso repertório – e “Meditation” e “Waters of March” estão em nosso álbum, junto com “Once I Loved”. Uma melodia de Jobim é algo inesquecível

Por que você decidiu gravá-la?

Mark diz: “Foi originalmente gravada como um áudio para praticar para um show do Jazz Vespers no sul do Oregon, depois eu a reempacotei para o nosso álbum Besame Mucho. É muito comum eu reutilizar material, refazer músicas inteiras para mudar um pouco o andamento, ou mover a tonalidade, transpor uma nova ponte, etc. Como Picasso!”

Musicalmente, o que há de especial na sua versão?

Mark: “Bem, isso é um pouco como uma produção de Jacob Collier, eu acho – tocando tudo sozinho em um estúdio caseiro. É uma Bossa Nova (lenta) originalmente, mas eu aumentei o andamento consideravelmente, fazendo com que soasse mais como um samba animado. A versão em inglês é sobre amor perdido, sentir-se totalmente envolvido, e então tudo se vai. É feita dos meus acordes mais tristes e jazzísticos que uma boa música triste precisa. Ela apresenta um baixo elétrico sem trastes em uma melodia, entregando-a aos vocais encantadores.”

É possível estabelecer uma conexão entre esta música e seu país, os EUA ou outros países?

A bossa nova é uma das melhores exportações brasileiras para os músicos de jazz americanos. A bossa nova se popularizou na década de 1960, mas parece nunca desaparecer. É tão facilmente identificada como parte da cultura jazzística quanto Charlie Parker. As primeiras lembranças de Mark são os discos do Brazil 66 que seu pai costumava tocar; Vanessa descobriu a bossa nova aos vinte e poucos anos, graças ao seu estudo de cantores de jazz do século XX. A colaboração começou quando Vanessa se mudou para o Oregon e procurou um guitarrista especializado em bossa nova. Todos os dedos apontaram para Mark.

Respostas de Vanessa Finney

The Sound of Paros (Grécia) – “My Foolish Heart”

Primeiramente, como conheceu essa música? 

Uma das versões mais lindas e que me fez descobrir a música My Foolish Heart é a versão do trio de Bill Evans, Live at The Village Vanguard com Scott Lafaro e Paul Motian.

O que pensa à respeito dela e do artista original?

Esta é uma bela melodia com uma letra muito boa. A versão de Bill Evans é, obviamente, instrumental, mas suas harmonias e a sensação de espaço, sensibilidade e sonoridade geral a tornam uma experiência única de ouvir.

Por que resolveu gravá-la?

Estávamos procurando um standard de jazz que combinasse com a voz calorosa da vocalista grega Nefeli Fasouli e também deixasse espaço para as linhas líricas do lendário Franco Ambrosetti no flugelhorn.

Musicalmente, o que sua versão tem de especial?

O diálogo entre a voz de Nefeli Fasouli e o flugelhorn de Franco Ambrosetti cria um som quente e envolvente, como um abraço sônico. O uso do piano Fender Rhodes e das congas confere outra sonoridade à música, talvez com ainda mais exuberância e sensualidade. Esta versão se encaixa bem no conceito de todo o álbum Spacetime e cria um belo contraste com as outras faixas do álbum.

É possível estabelecer uma ligação dessa música com o seu país, a Grécia? 

Spacetime, o álbum do The Sound of Paros, que será lançado em 7 de novembro, foi concebido e gravado na bela ilha de Paros, Grécia, por um grupo de músicos, artistas e poetas da França, Grécia, Itália e Suíça.

Em particular, My Foolish Heart é uma música sobre o amor e sobre a noite, duas coisas muito presentes nas noites gregas, especialmente nas ilhas Cíclades, onde o céu limpo e a lua… deixam o coração louco!

Respostas do Diretor Musical Marc Buronfosse

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