19 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] O início da vida adulta é a inspiração do EP de estreia do projeto Giramundocão

giramundocão

(Capa do EP)

 

Colocando em canções os sentimentos geracionais e as dificuldades do mundo contemporâneo, o cantor e compositor Lucas Depê apresenta sua nova persona artística giramundocão. O projeto lança seu trabalho de estreia, um EP de 3 faixas intitulado “paradoxos complexos da vida e suas tecnologias”, com produção musical de André Vinco (Ceano).

O nome do trabalho adianta bem o clima das canções. Essa nova faceta do artista, nativo de Petrópolis, na serra do Rio, surgiu após o fim de sua antiga banda e é considerado como um reflexo do seu próprio crescimento e de sua jornada pessoal.

 

 

“Eu decidi pegar todo o material que eu possuía e começar a lançar isso num projeto solo. Foi assim que eu concebi a ideia do giramundocão, como se fosse uma espécie de alter ego onde eu cantava sobre diversos acontecimentos relacionados a se tornar adulto, desilusões amorosas e afins. Esse é sem dúvida o projeto que mais me empenhei para realizar em toda a minha vida”, conta Lucas.

O EP foi produzido por André Vinco, que também participa do registro cantando em uma das faixas, no estúdio Creasehouse, em Campinas. Eles dois tocaram todos os instrumentos das canções. O álbum está disponível em todas as plataformas de música digital.

 

 

Com este EP, você crava o lançamento de Giramundocão. Afinal, qual seria o conceito desse seu nome/projeto artístico e o EP como um todo? E por falar nisso, achei a capa do EP extremamente conceitual…

Eu sou muito fã do Cícero, cantor da nova mpb, e em uma das faixas do seu cd de estreia, “Ponto Cego”, a palavra “giramundocão” é repetida várias vezes e isso sempre me chamou atenção, por se tratar de um neologismo. Quando surgiu a ideia de criar um projeto musical, giramundocão me pareceu um nome muito bom para trazer à tona essa persona, alter-ego que eu queria explorar.

Sobre a foto: aconteceu super sem querer, eu tinha outra ideia para a capa do EP, mas depois de ver essa foto que tirei, em um ensaio com o Pedro Guarilha, eu achei que ela representava muito bem o conceito das músicas.

 

A faixa de abertura do EP reflete as dificuldades de “crescer”, de se tornar adulto. O nome do EP tem a palavra “Tecnologia”. Para você, qual a relação que você estabelece entre a tecnologia e a passagem para a vida adulta?

Atualmente tudo acontece muito rápido, internet, redes sociais, smartphones, tudo isso é muito presente na nossa sociedade. Essa somatória de coisas acelera de uma forma hiperbólica todas as transições que temos, infância para adolescência, início da vida adulta, coisa que não acontecia, sei lá, quando na época dos nossos pais.

 

Você diz que “Rotina” é a faixa mais complexa do EP, quando o assunto é melodia. Pensando nisso, como foi o processo de composição dessa faixa?

Existe uma “Rotina” antes e depois do André Vinco, que produziu o meu EP. A antiga versão era um pouco mais engessada na sua melodia, e o André ajudou a deixar ela bem mais fluida e com várias camadas que eu não tinha pensado antes: sintetizadores, mais riffs, arpejos, que compõem a versão final da música.

 

 

Ainda nessa pergunta, o que você quer dizer com o impactante verso “O problema de crescer é a ressaca”?

Quando nós somos mais novos, sempre pensamos em sair da casa dos nossos pais, nos tornar independentes, e etc, mas a gente nunca pensa na quantidade de consequências que vem atreladas com o fato de se tornar um adulto, as contas para pagar, as responsabilidades, trabalho de carteira assinada. Então nessa frase eu tento fazer uma metáfora com a parte ruim de ser crescer.

 

Quais foram suas inspirações musicais para a criação desse EP?

Tenho muitas referências de bandas internacionais como Death Cab for Cutie, Wombats, Motion City Soundtrack, que são bandas que possuem um estilo de composição e letras, muito diferentes do habitual. Mas bebo muito da fonte de bandas nacionais que seguem essa linha como Alaska, Ceano, os primeiros discos da Supercombo, etc.

 

E as referências pessoais?

Eu não sei se consigo nomear exatamente, mas como eu já disse antes, eu gosto de pensar no giramundocão como um alter-ego e não como o Lucas, pra poder falar de situações cotidianas que eu sei que as pessoas vão conseguir se identificar. Então meio que tudo que eu vivo, observo, descubro, acaba se tornando uma referência pra eu explorar nesse projeto.

 

(Crédito: Pedro Guarilha)

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

O EP foi gravado em 2 dias em Campinas, no creasehouse do André Vinco (Ceano). Eu saí de Petrópolis numa sexta-feira a noite e viajei para lá só pra gravar as músicas com ele. Foi uma correria danada, mas que valeu muito a pena.

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Primeiro gostaria de agradecer o espaço e a oportunidade, obrigado de verdade! Segundo que ainda tem muita coisa nova pra sair, vamos ter clipe das outras duas faixas do EP e eu já estou dando os primeiros passos para o primeiro disco completo do giramundocão, que pode sair em 2020 mesmo!

 

 

 

 

 

 

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