22 de setembro de 2026

6º Episódio da série “Clarice no País da Putaria” de Luan FH

 

Sucesso na internet e com dois livros escritos, ‘’Vou te desenhar em braile’’ e‘’Cigarette, sex and alcohol’’, o jovem escritor Luan FH se aventura ao escrever a série escrita “Clarice no País da Putaria”, inspirado em um livro de Clarice Lispector. O projeto foi apresentado com exclusividade pela Revista Arte Brasileira, com dez episódios sendo postados todos os dias no site do veículo. Quer saber mais: clique aqui.

 
6º EPISÓDIO – “Pegação”

 

—  O que mais você gosta em mim?

— Sério que você vai tentar essa manha?
— Sim, não é nada demais, não?
— A boca. Tá satisfeito?
— Por quê?
— Dá vontade de beijá-la.
— E qual o porquê de não beijá-la?
— Você querer.
— Deixa eu calar ela, vem.
     Eu sei o que você está pensando agora. Sinceramente. Me chamando de vadia ou pensando que me entrego fácil ou sei lá. Bom, faz um tempo que estamos conversando e porra, ele é uma jogada que eu arriscaria fácil. Todas as fichas de um poker. Me tornaria milionária fácil. A gente se beijou e que beijo… Uma boca com sabor de morango e em poucos minutos, causava euforia, tesão, fogo, calor. Meu corpo tremia dizendo: ”Filho da puta, eu te amo sem querer.” Sinto que vou acabar numa cama com bolo de pote na mão e lençóis do outro lado da cama, lágrimas escorrendo junto com o nariz. Vale a pena tentar.
— Caramba, você beija muito bem.
— Obrigada. Você também.
— Vai pedir algo?
— Eu não quero comer. Só quero o vinho, pensando bem, cairia bem um açaí. 
— Tudo bem. Garçom…
— Pois não, senhor? — Fala o Garçom com elegância.
— Um vinho e duas tigelas grandes de açaí, por favor? 
— Belo pedido, senhor. É pra já. Licença. 
     O que é isso? Restaurante para rico? Vejo muita gente de pele clara, logo me pergunto: Desigualdade social? Sim. Respondo. Falta de oportunidade? Sim. É complicadissimo, mas sorrio quando vejo um Djonga, Barack Obama, Baco Exu do Blues no topo, conta bilionária. O sucesso vem de acordo com a disposição de lutar, quando paramos para ouvir críticas que destroem e levamos isso negativamente, nos fodemos. Precisamos manter o foco, acreditar na gente e levantar o peito, a cabeça e quebrar quaisquer barreiras através da nossa intelectualidade adquirida através de conhecimentos; estudos. Ou seja, lute até o fim. Lute!
Desculpa. Desabafei. 
— Você compra jornais e lê? Ou revistas?
— Eu costumo comprar sim, principalmente revistas que retratam a arte do Brasil. 
— Você parece ter um grande potencial mesmo sendo mulher. 
— Obrigada, só não seja machista. 
— Relaxa, eu apoio a causa. De verdade.
— Se você for tóxico ou demonstrar ser assim, a gente não terá mais nada, nem pegação, nem nada. 
— Digo o mesmo a você. De namorei diversas mulheres tóxicas que tentaram me proibir que amigas de infâncias. Estamos nessa, Clarice.
— É, parece que sim.
— Olha, sei que já disse isso, mas sério, você está maravilhosa. Puta que pariu. 
— Você está bem cheiroso, dá até um prazer de conversar.
— Vou assumir que passei o melhor perfume. Tinha que transparecer beleza, não é?
— Conseguiu, engraçadinho. 
    Passamos um tempo muito bom conversando hoje, ele não é igual aos outros. Finalmente. Não me chamou para o apartamento, nada disso. Falou ”Até outro dia”, me beijou novamente. Eu até estranhei, mas era isso que eu queria. Passou no teste. Respeitou. Quando o carro que eu estava, o 99pop saiu, ele mandou mensagem: ”Já estou com saudade.”, é vai ser um grande romance, eu acredito nisso.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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