30 de setembro de 2026

A arquitetura do vazio: Rafael Allmark lança “Não me sinto em casa” e investiga o não-pertencimento na vida moderna  

Com produção de Lucas Nunes, o artista une a melancolia do rock alternativo ao lirismo da MPB em um single que antecipa novo álbum conceitual

Em um mundo onde a hiperconectividade muitas vezes mascara o isolamento, o cantor, compositor e produtor Rafael Allmark surge com um questionamento visceral sobre a identidade e o espaço que ocupamos. No dia 02 de fevereiro de 2026, Allmark lança o single “Não Me Sinto em Casa”, uma obra que traduz a estranheza de quem habita muitos lugares, mas não se reconhece em nenhum deles. Nascido em Porto Alegre, mas hoje com a rotina fragmentada entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o artista utiliza sua própria vivência nômade para dar voz a um sentimento universal: o vazio silencioso em meio ao caos urbano.

A canção nasceu de conversas profundas entre Allmark e Deco Martins sobre a sensação persistente de ser um “estranho conhecido” em seu próprio cotidiano. O que começou como um desabafo informal rapidamente se transmutou em uma peça central de sua nova fase artística. Para Allmark, o processo de criação foi um exercício de revisitação de memórias e reflexões sobre ausências e silêncios acumulados. É um trabalho que marca sua transição definitiva para um território de vulnerabilidade e honestidade brutal, onde a música serve como ferramenta de cura e organização interna.

A sonoridade de “Não Me Sinto em Casa” é um híbrido fascinante. Sob a produção assinada por Rafael Allmark e Lucas Nunes, a faixa caminha por texturas do rock alternativo e do pop contemporâneo, alternando momentos de calmaria introspectiva com explosões rítmicas que sustentam a intensidade da letra. A presença de Lucas Nunes nas guitarras e violões, somada ao baixo de Allmark e à bateria de Vitor Peracetta, cria uma parede sonora que dialoga com a sensibilidade narrativa de ANAVITÓRIA, mas com uma visão estratégica de universo conceitual que remete a movimentos modernos da cena urbana, como o projeto “333” do trapper cearense Matuê.

A trajetória de Rafael Allmark é marcada por essa capacidade de transitar entre mundos. Do vigor da cena EMO de Porto Alegre, onde iniciou sua caminhada entre 2008 e 2013, à elegância do violão e voz da MPB que marcou seu primeiro disco em 2017, Allmark refinou sua estética. Hoje, influenciado profundamente por nomes como Caetano Veloso, ele não apenas compõe, mas atua como membro atuante da Academia do Grammy Latino, trazendo uma visão técnica e crítica para dentro de sua própria criação. Sua atuação como produtor audiovisual também empresta ao single uma qualidade cinematográfica, onde cada verso parece projetar uma cena.

Letra: 

Não me sinto em casa em lugar nenhum 

Sou um estranho conhecido 

Em um apartamento frio 

Vou me desdobrando pra não ser só um 

Mas com tantos endereços 

Fiquei tão vazio 

Essas paredes mórbidas 

Me devolvem o que eu evito 

Pretendo ir muito Além do que eu já vi 

As vezes eu sou tão fora de mim 

O mundo é minha casa 

E o meu teto incendiou 

E o sol me arde 

Tão turvo é 

Os sonhos que alguém me desejou 

Vou me fingindo inteiro sendo só metade 

Seja bem vinda a esse caos 

Só não repara o que eu já fiz em mim 

Nessa ferida eu joguei sal 

Tudo que era bom desfiz nessas 

Essas paredes mórbidas 

Me devolvem o que eu evito 

Pretendo ir muito Além do que eu já vi 

As vezes eu sou tão fora de mim 

O mundo é minha casa 

E o meu teto incendiou 

E o sol me arde 

Tão turvo é 

Os sonhos que alguém me desejou 

Vou me fingindo inteiro sendo só metade 

Ficha Técnica: 

Produção Musical: 

Rafael Allmark e Lucas Nunes 

Lucas Nunes – Guitarras e Violões 

Rafael Allmark – Voz e Baixo 

Vitor Peracetta – Bateria  

Siga Rafael Allmark e fique de olho no próximo lançamento 

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