18 de julho de 2024
Google News Lupa na Canção

Olhos de pouca melanina; Samba despreocupado; Rock sujo com metais; Grandeza do povo africano; A poesia da Quimeranos [lupa na canção #29]

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Bem vindos ao Lupa na Canção!

Esta é uma lista de novidades lançadas recentemente, de diferentes temáticas e gêneros musicais. Dificilmente você verá no Lupa canções do mainstream. A ideia é apresentar com uma “lupa” coisas novas e alternativas aos grandes sucessos, afinal é este uma das missões da Revista.

É importante ressaltar que as posições são aleatórias, não indicando que uma seja melhor que a outra.

Jovem Lorena Braco é apaixonada por olhos, e sua nova música é para os que tem “pouca melanina”

O que diz a letra de Pouca Melanina?
Tenho fixação por olhos, “Pouca Melanina” fala sobre os olhos azuis com base em estudos e um pouco de poesia. Falarei de outras cores de olhos com certeza.

Qual sua mensagem ao mundo?
A arte é necessária, ela revela, ensina, ajuda, atualiza e só faz bem. Especialmente a música.

Como e porque surgiu essa música?

Quando vários ritmos brasileiros que eu ouço começaram a aflorar em mim, não teve jeito.

O que esta música diz sobre o Brasil, especificamente?

Que sozinhos ou separados, porém, atualizados,  os estilos brasileiros são muito ricos e devem ser explorados pelos jovens, ainda que sob resistências antiquadas.

Afinal, quem é a Lorena?

Sou uma sonhadora de 19 anos, que se alimenta de boa música desde a minha mais tenra idade, e que por achar esse alimento bom e necessário, procuro semear para as pessoas.

Respostas de Lorena Braco

“Se Eu Sou Feliz”: Um samba despreocupado de Sys

Você tem que apresentar esta música a um amigo, o que diria?
Eu diria que este é um samba despreocupado, aquele tipo de música despretensiosa que você coloca em um belo domingo de manhã, quando sente que está em uma vibe gostosa e leve. Tem um bom arranjo, uns detalhes de piano muito charmosos e delicados, junto com uma letra bem legal e fluída.

O que diz a música e qual sua mensagem?
Esta música explora temas como a busca pela felicidade, a solitude e os momentos de contemplação; trata do mundo interior da protagonista, que descreve seus dias passados em contemplação e introspecção.

A letra trata da beleza das experiências cotidianas, da liberdade encontrada nas pequenas aventuras que nos permitimos experimentar. Desde os lamentos ouvidos, momentos de boêmia até os momentos de relaxamento com nossos livros favoritos, neste samba somos convidados a refletir sobre pequenos detalhes encontrados na simplicidade da vida.

Como e por que esta música surgiu?
Esta música surgiu na época em que eu tocava nos bares esporadicamente e estudava Filosofia. Nesta fase, eu escrevia muito, consumia muita arte em geral e tinha um grande apreço por diferentes artistas mais poéticos e com uma pegada mais boêmia como Vinicius de Moraes, alguns poetas malditos e alguns pintores boêmios. Eu tinha este gosto pelo estilo “flâneur” de perambular sem muita direção e também por aquela concepção clássica de “ócio criativo”, de modo que escrevi a letra pensando na experiência de uma personagem que fosse boêmia, completamente despretensiosa e conectada aos pequenos momentos da vida cotidiana.

Quais referências temos nesta música?
Na música ou na literatura, eu gosto muito de enredos que nascem de algo trivial ou que invoquem de alguma maneira nuances da vida cotidiana, mas eu não tive nenhuma base que serviu como referência para esta música. Por gostar também destas narrativas que não necessariamente carregam uma mensagem mais reflexiva e profunda, a intenção foi criar um enredo que fosse distante de temas como decepções amorosas ou questões sentimentais mais complexas.

Há alguma curiosidade sobre o lançamento que você queira destacar? Abraço de paz do Brasil!”
Gostaria de destacar que este samba está disponível nas plataformas de streaming e também no youtube com um lyric video. Tem tido uma recepção bem legal até o momento e espero que os leitores da Revista Arte Brasileira também apreciem.
Obrigada pela oportunidade e um abraço!

Respostas de Sys

“Rock sujo com metais”, Dani Bessa?

Resuma este lançamento em poucas palavras, imagine que está apresentando a música a um amigo.

“Flor de Cerejeira” mescla de maneira criativa o indie rock à la Strokes com metais dançantes e potentes. O single, que antecede meu primeiro disco, traz uma letra que fica na cabeça e um refrão pra cantar alto, seja no quarto, no carro, ou em um show no fim de semana. A música ainda conta com um videoclipe gravado em São Paulo e no Japão, trazendo referências estéticas de filmes do diretor Wong Kar-Wai.

Qual a mensagem de “Flor de Cerejeira”?

“Flor de Cerejeira” fala sobre várias coisas, dentre elas a conexão emocional entre duas pessoas muito parecidas, e penso que às vezes este tipo conexão pode extrapolar pra outras vidas (como abordo na letra), falando de uma maneira mais cinematográfica assim. Outro ponto explorado é a diferença de expectativas em um relacionamento, quando uma pessoa parece estar muito mais envolvida que a outra. Além disso, o single aborda a sensação de parecer que você irá encontrar a pessoa que ficou pra trás em algum lugar a qualquer momento, e quando encontra alguém parecido, vai conferir pra ver se é ela de fato ou é coisa da sua cabeça. Spoiler: provavelmente é coisa da sua cabeça!

Qual a proposta musical?

Bom, eu e meu produtor, Leandro Bessa, pensamos em trazer um pouco dessa estética de rock sujo pra música, uma coisa meio The Strokes meio Sophia Chablau E Uma Enorme Perda de Tempo. Além disso, rolou a ideia de introduzir metais na música, e assim fizemos! Estava numa época em que ouvia muito city pop, e este gênero é muito marcado pela presença de metais, então quis tentar explorar isso neste single. Os instrumentos de sopro foram gravados ao vivo, com Reinaldo Godoy no trombone e Theo Necyk no trompete. Usamos Los Hermanos como referência também, e assim surgiu Flor de Cerejeira.

E o clipe, o que diz?

A música conta com um videoclipe gravado no bairro da Liberdade (São Paulo) e em Tóquio (Japão). A estética, sugerida pelo diretor do clipe, Junior Mantovani, foi baseada nos filmes Chungking Express e Fallen Angels do diretor Wong Kar-Wai. Os vídeos gravados em Tóquio são assinados pelo meu primo Rian Costa.

No clipe, o interlocutor aparece visitando um lugar conhecido pela cultura oriental, parecendo que está em um “pedacinho” do Japão quando, na realidade, nunca esteve lá. A ideia foi fazer essa brincadeira de parecer estar num lugar em que o interlocutor nunca esteve de fato. Afinal, o Japão sempre esteve do outro lado do planeta!

Há alguma curiosidade sobre este lançamento que você queira destacar?

Tem algumas curiosidades boas! Bom, nessa música eu faço referências à Djavan, Dragon Ball GT e ao rapper BK, mas vou deixar pra galera encontrar as referências na letra! Outra coisa que rolou foi que me programei pra passar menos de 1 dia em São Paulo para gravar o clipe. Então, peguei o ônibus no Rio de madrugada, cheguei na casa do diretor, tomei um banho e já fomos direto pra Liberdade, onde passamos cerca de 12 horas gravando sem parar. Depois disso, voltei pra casa dele e de lá fui pra rodoviária pra pegar o ônibus de volta pro Rio! Acho que dá pra dizer que foi minha primeira viagem a trabalho! 

Respostas de Dani Bessa

Em “Negro Divindade”, Dênio de Paula apresenta e exalta a realeza, a luta e a grandeza do povo africano

Com quais palavras você pode apresentar este lançamento?

40 Anos fazendo e vivendo de música, cheio de satisfação. I can get no (Eu não consigo viver sem música).

Qual a mensagem de “Negra Divindade”?

Apresentar a realeza, a luta e a grandeza do povo africano.

Qual a fonte de inspiração desta composição?

Essa música foi inspirada numa canção do Peter Gabriel (Mercy Street), tanto na forma, quanto na concepção dos arranjos.

Há alguma curiosidade sobre este lançamento que você queira destacar?

É um álbum com várias participações especiais e homenagens a pessoas importantes em minha vida, inclusive o meu cachorro.

O que esta música diz sobre você e sua carreira?

Em 1987, com a minha primeira banda, Oficina de Luz, tive a alegria e o prazer de fazer uma tour pela Nigéria, onde fizemos 05 shows em Lagos e gravamos um videoclipe. Essa é a minha segunda canção em homenagem à África e à sua Negra Divindade.

Respostas de Dênio de Paula

Trio paulistano Quimeranos beija a boa poesia em “O Convicto”

Em resumo, o que é esta música? 

O “Convicto” é nosso primeiro single. É uma música que sintetiza algumas referencias e nossas vivencias musicais, mas de certa forma, impressa de maneira singular com a mistura da individualidade da visão de cada um de nós.

O que diz a letra e qual sua mensagem ao mundo?

A letra fala sobre quando nosso excesso de convicção excede nossa empatia e capacidade de perceber e acompanhar as transformações ao nosso redor. 

Qual a fonte de inspiração desta composição?

A melodia e harmonia dessa música estavam “guardadas” desde meados de 2011, e foi letrada durante a pandemia, pós eleição onde muita gente estava muito convicta e pouco aberta a escutar.

O que tem de música brasileira e música “mundial” em “O Convicto”?

Difícil responder essa pergunta, a gente bebe de tantas aguas ao longo de nossas carreiras… mas posso citar The Cardigans e Los Hermanos como fortes referencias nessa música, e tem algo das guitarras dos álbuns do Caetano da década de 70/8o no refrão. 

Respostas de Djean Lourenço

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Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.