3 de maio de 2026

Raissa Ijanc, artista independente, lança EP de estreia nessa sexta-feira

Entre as primeiras composições da paulista Raissa Ijanc estavam justamente aquelas que mais tarde dariam forma às quatro faixas do seu EP de estreia, “De Dentro Pra Fora”. Foi um amigo quem a incentivou a gravá-las, reconhecendo o valor daquelas canções que, até então, existiam apenas como expressões autênticas e despretensiosas. Disponíveis a partir deste 18 de abril, elas continuam sendo, como a própria Raissa diz, um jeito de “liberar e esvaziar o peito”.

São sentimentos relacionados à recortes de sua vida pessoal, que transitam por relacionamentos, paixões, liberdade individual e protagonismo feminino. “Em todas as minhas letras, eu canto histórias reais, coisas que eu vivi. É uma representação das diversas fases e emoções de um ser humano que sente, se questiona, se apaixona, se descobre. É a expressão de tudo que acontece dentro. Poderia dizer que é a vida e um olhar sobre os sentimentos que afloram quando a gente se permite viver.”, pontuou Raissa.

Embora seja possível perceber uma conexão clara entre as sonoridades das faixas, ainda é complexo e delicado categorizar musicalmente o EP “De Dentro Pra Fora”, por isso, não é recomendável associar a estreia de Raíssa Ijanc à um ou dois gêneros musicais de forma quadrada. Nesse sentido, Raissa destaca os gêneros e movimentos ragga, ijexá, piseiro, pop, funk carioca e influências baianas.

“Rachel Reis, Gilsons, Marina Sena, Maju, Luedji Luna, MãeAna e Joyce Alane são algumas referências para as composições do EP que foi produzido pelo instrumentista e arranjador Raphael Cortezi. “As faixas mostram como eu sou uma mulher-artista multifacetada. Eu não navego por um único estilo, não sou uma pessoa singular, sou plural.”, contou ela.

O EP “De Dentro Pra Fora” está, enfim, disponível em todas as plataformas de áudio. Além disso, Raissa Ijanc apresenta o show de estreia desse trabalho no dia 3 de maio, em São Paulo, no Teatro Basalto. Na noite de lançamento, ela estará acompanhada por uma equipe atuante na cena cultural paulista, formada por Raphael Cortezi — violonista, baixista e produtor do EP —, Tavinho Damascenno (percussionista), Cláudio Borici Jr. (pianista e tecladista), Guigo Arraias (percussionista e mestre de bateria), além das cantoras Priscila Vilela e Luana Fernandes. A parte visual do espetáculo fica por conta de Giovanna Ijanc, responsável pelas projeções e pelo audiovisual.

Faça o pré-save do EP “De Dentro pra Fora”

Foto por Giovanna Ijanc (divulgação)

Faixa a faixa (nas palavras de Raíssa)

1) “Sereia do Mar”

Sinopse: É um axé marcado pela mistura de ritmos e percussão, que remete tanto à Bahia quanto aos toques dos terreiros de umbanda e candomblé. A letra fala de uma paixão arrebatadora, permeada pela incerteza da reciprocidade. Ao mesmo tempo, aborda o livre-arbítrio e o amor como algo livre, que não se prende nem se impõe.

Como surgiu? Eu tinha acabado de conhecer uma mulher, estava apaixonada, mas estava longe, pois estava viajando à trabalho na Argentina. Era fim de semana e eu estava sozinha no quarto de hotel. Essa mulher em questão me ligou e no meio da conversa, ela me disse que tinha conhecido uma pessoa e que ela tinha tido atração. Eu disse a ela “faça o que tiver vontade de fazer”, mas por dentro eu estava ansiosa e com medo de que ela pudesse não estar sentindo a mesma coisa que eu e que pudesse, de verdade, se envolver com a outra mulher que ela tinha conhecido. Daí, botei Luedji Luna pra ouvir, fui tomar um banho, sai do banho e essa música veio de uma só vez.

2) “Só uma trepada”

Sinopse: Tem uma pegada de funk carioca. Fala sobre uma paixão não correspondida que termina com a consciência e o desejo de viver amores livres. Essa música retrata – com um tom bem humorado – uma fase de interesse e descoberta da não monogamia como uma possibilidade.

Como surgiu? Eu estava ficando com uma mulher e estava carente e apegada  à ela,  vivendo uma paixonite. Ela não estava a fim de ter nada sério e, um dia, tivemos uma DR pelo Whatsapp e ela me disse “Eu só queria uma noite em claro trepando com você”, eu fiquei chateada, mas a vida seguiu. Um tempo depois, eu me vi vivendo vários romances ao mesmo tempo, e foi quando eu percebi que estava curtindo a ideia de dividir minha cama com quem eu quisesse.

3) “Desmonto”

Sinopse:É uma baladinha pop, em tom de reflexão. Fala sobre a impermanência e a ressignificação do amor. É sobre querer ir e, ao mesmo tempo, querer ficar numa relação amorosa.

Como surgiu? Veio de uma vez só. Eu tava passando por um momento bem complicado, logo depois do divórcio, tentando dar um novo sentido aos sentimentos que ainda tinha pela minha ex. No meio de tanta reflexão e dúvida, entendi que era hora de seguir em frente — mas, ao mesmo tempo, eu não queria simplesmente virar as costas e ir embora de uma vez por todas.

4) “Tu me querendo”

Sinopse: É um piseiro. Fala sobre uma mulher livre, protagonista e dona dos seus próprios desejos.

Como surgiu? Essa letra fala da dificuldade que eu tinha ao me relacionar com alguns homens que pareciam não estar prontos pra minha personalidade. As desculpas eram sempre as mesmas, de que não estavam preparados e não sabiam lidar com uma mulher livre e bissexual como eu. Então é meio que um recado para esses homens.

Foto por Giovanna Ijanc (divulgação)

Sobre Raíssa

Raíssa nasceu no interior de São Paulo e atualmente vive em Vitória, no Espírito Santo. Estreou em 2025 como cantora e compositora com o lançamento do EP autoral “De Dentro Pra Fora”. Também é literata e artista plástica. “Contudo, a música sempre esteve dentro de mim, é meu sonho de criança, aquele sonho escondido. Com a maturidade, entendi que é preciso correr atrás do que faz meu coração pulsar e por isso decidi me dedicar a isso.”

Fã da atual música popular brasileira, Raíssa Ijanc conta que suas influências de artistas contemporâneos são diversas, como Liniker, Clara Valverde, Gilsons, Mariana Volker, Johnny Hooker, Marina Sena, Jota pê, Avuá, Luedji Luna, Maria Rita. Dos clássicos, Elis Regina, Gal Costa e Rita Lee.

“Em outras áreas da arte, eu costumo ler mais mulheres do que homens. Adoro línguas estrangeiras e todo o estudo em torno da diversidade cultural e linguística dos povos. Sou admiradora de cinema francês e de música francesa, escuto especialmente Julien Doré, Clara Luciani, Pauline Croze, Ben Mazué. Gosto de tudo o que é místico, minhas crenças misturam a arte da leitura de cartas, a umbanda, o espiritismo e a astrologia.”

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