26 de junho de 2026

Filme “Getúlio”, uma perda de tempo não assisti-lo

Demorou, mas em 2014, a Globo Filmes presenteou o público vidrado na política brasileira com o filme “Getúlio”, dirigido por João Jardim e roteirizado por George Moura. (Imagem do filme)

O suicídio de Getúlio em decorrência da pressão dos seus últimos dias como presidente, alinhado ao seu “apelido” midiático e popular de “Pai dos pobres e mãe dos ricos” foram pilares importantes para que sua história tenha sido contada em um longa-metragem, ainda que algumas cenas tenham sido fantasticamente romantizadas.

A ideia certeira da produção foi introduzir o contexto político nacional e histórico da época (1951-1954), com praticamente zero manipulações ideológicas, com o impacto causado na política brasileira como uma das intenções.

O ROTEIRO

Logo de cara, o filme surpreende. A primeira cena apresenta Getúlio (Tony Ramos) refletindo sobre os longos espinhos que o feriram durante seus mandatos. Ainda aqui, de forma atemporal, o político viaja ao futuro em pensamento, o que dá ao público um gostinho do que o filme vai retratar.

Depois, o filme se foca no momento de crise final do mandato (1951-1954), no período que ficou conhecido como “Crise de Agosto”, os últimos 19 dias de Vargas, na qual teve maior dificuldade em governar, sendo pessoas próximas de seu governo inconfiáveis.

Dentre muitas curiosidades da trajetória política de Getúlio, posso destacar o atentado ao jornalista e político Carlos Lacerda, que acarretou a morte do aviador Major Rubens Florentino Vaz. O acontecimento recebeu o nome de “Atentado na Rua Tonolero” (Copacabana, Rio de Janeiro). Gregório Fortunato, um dos homens de confianças de Vargas, era em teoria o mandante do ataque, o que levou Getúlio a fazer parte desse crime.

CURIOSIDADE: Algumas cenas foram gravadas no próprio Palácio do Catete, o que garante mais realismo e impacto no expectador.

 

GETÚLIO VARGAS (1882-1954)

Filme Getúlio

(Retrato de Getúlio Vargas)

São Borja (RS) foi a cidade que ouviu o primeiro choro de Getúlio. Pela UFRS veio a se formar em direito em 1907, e sua atuação na advocacia foi dedicada à política brasileira. Depois, já em 1930, Getúlio liderou a Revolução que colocou fim a “República Velha” (Café X Leite), e assim, tomou posse da presidência da República pela primeira vez.

Com duração de quinze anos, seu mandato foi dividido em três fases: “Governo Provisório” (1930-1934), “Governo Constitucional” (1934-1937) e “Estado Novo” (1937-1944). Duas dessas fases foram marcadas pela queda da constituição, e pela forte industrialização. Nesses momentos, um golpe de estado se consagrou para Getúlio manter-se no poder.

Apesar de tudo, o político foi eleito por voto popular em seu último mandato. Nesse período, Getúlio sofreu diversas complicações políticas, o que o levou ao suicídio em 1954. Seu legado se manteve como líder de grandes feitos e como o “amado e odiado”.

Texto escrito por Pablo Afonso em novembro de 2018 e editado por Matheus Luzi em 2019

Newsletter

Pacífico Medeiros: ressignificando a fotografia

No fundo, a fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.                                                              Roland Barthes Pacífico.

LEIA MAIS

Uma história que esperou 200 anos para ser contada – Por Victor Mascarenhas

Há 200 anos, mais precisamente no dia 7 de setembro de 1822, nas margens plácidas do riacho Ipiranga, D.Pedro deu.

LEIA MAIS

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

A Via Dolorosa de Iaperi Araujo Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce.

LEIA MAIS

Manuelito: para além de um mestre da fotografia

Oriundo do Ceará,Manuelito veio residir em Mossoró, aqui permanecendo e trabalhando até o final de sua vida. Suas fotografias deixavam.

LEIA MAIS

Literatura: uma viagem literária (Clarisse da Costa)

Em se tratando de literatura posso dizer que ela é assim como a vida, uma caixinha de surpresas. A literatura.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Por que Sid teima em não menosprezar o seu título de MC?

Sobre seu primeiro single de 2022, ele disse que “quis trazer outra veia musical, explorar outros lados, brincar com outros.

LEIA MAIS

Mário Rasec: a celebração das coisas simples

 Por eso, muchacho, no partas ahora soñando el regressoQue el amor es simpleY a las cosas simplesLas devora el tempoCesar.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS