23 de outubro de 2026

“Acredito que o álbum nasceu dessa minha necessidade de dizer algo novo”, disse Lennon Fernandes

 

Lennon passou por várias bandas e projetos em grupos. Mas acabou em decidir seguir carreira solo, justamente pela questão autoral. Esse novo lançamento ABSTRATO SENSÍVEL mostra muito essa perspectiva de liberdade de escolha de expressão artística. 

— O lance da carreira solo demorou para cair a ficha até (Risos). Quase sempre tive uma função de musicista nas bandas, o que naturalmente deixava o microfone longe de mim. Ou seja, minhas ideias musicais sempre estavam presentes, mas o que eu tinha pra falar com palavras esteva em segundo plano até então. Acredito que o álbum nasceu dessa minha necessidade de dizer algo novo. Na verdade, as canções estavam prontas, foram surgindo ao longo dos anos. Só tive o trabalho de selecionar dez (rsrs). — comentou Lennon.

 

 

As raízes desse disco estão nascendo desde 2015, quando você tinha apenas ideias. De lá pra cá veio a produção e gravação. A pergunta é: por que levou esse tempo até chegar ao resultado final?

Acredito que levou dois anos, porque fiz praticamente tudo sozinho. E paralelo a tudo isso, eu ainda tinha as minhas atividades de produtor e músico em outros projetos. Mas para o próximo disco quero levar apenas alguns meses.

 

Chama a atenção também que o disco é praticamente feito em especial por você, desde as criações, os arranjos até os instrumentos e gravações…

Então, foi meio sem querer. O fato de eu trabalhar num estúdio me deixou com a faca e o queijo na mão. Fui gravando e em algum momento até pensei em convidar amigos músicos para participar, mas já estava quase tudo pronto e me dei conta que esse seria o caminho. E por minha ligação com arte, fotografia e audiovisual também me envolvi diretamente na parte visual da álbum.

 

Você escolheu uma temática diferente para esse disco. Pelo o que vi, nele você fala um pouco da vida conturbada e vazia do paulistano. Por que escolheu falar disso?

Sempre tive admiração por compositores que exploravam assuntos diversos. Naturalmente isso me comove e me faz querer falar do tempo, das distâncias, da solidão, dor, sonhos, religião etc. Em VIAJANTE DO TEMPO, por exemplo, falo de se libertar das coisas materiais porque no futuro nada disso importará, falo de família, relações afetivas tantas vezes esquecidas, e por fim falo de assumir a loucura que a sociedade nos reprime. Na faixa SEMPRE quero transcender algumas dualidades, tempo/espaço, feio/bonito, passado/futuro, homem/mulher… acredito que podemos ser mais que isso.

 

FIOS ELÉTRICOS conta com alguns elementos psicodélicos, o que realmente dá um ar de originalidade ao álbum.

Fico feliz com todo feedback que recebo da FIOS ELÉTRICOS. Acho que ela representa bem meu ser, um coração pós-moderno meio psicodélico. Todo dia que vejo pessoas cortando árvores ou desrespeitando a natureza fico louco, chateado… quero construir uma nave e sair daqui.

 

Você tem alguma história interessante que envolva o disco?

Acho interessante que ninguém conhecia de fato as músicas. Gravei praticamente escondido. Num processo parecido com de um pintor em seu atelier. Quando lancei o álbum muitos amigos próximos até se assustaram (Risos).

 

Fale mais sobre o álbum.

O ABSTRATO SENSÍVEL tem dez faixas, tiradas da gaveta com muito carinho. E olhando pra ele pronto vejo um pouco de mim lançado ao vento. Estou ansioso para esse vento reverberar no mundo e quem sabe oferecer um sorriso, um arrepio.

 

 

 

 

 

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