9 de junho de 2026

[ENTREVISTA] Em grito de liberdade, Assini lança o EP “Genesis”

(Capa do EP “Genesis”)

 

É num amanhecer que uma nova vida floresce. É com o EP “Genesis”, que o compositor e cantor catarinense Assini revela seu renascimento, sem dar chances aos seus “demônios internos”. Sendo o segundo EP de sua carreira, o trabalho compacta cinco faixas inéditas e autorais, e como marca registrada de Assini, a produção é independente.

Em parceria com a musicista Lizia, a faixa “Beasts Inside Of Me”, é justamente sobre se libertar, como explica o músico: “Ela fala sobre os demônios que temos em nosso interior. Todos temos. Eles criam nossas guerras internas”. E como presente de criatividade, a música encerra com um sample do filme “O Exorcista”.

Com produção musical de Lucas Bruns, e gravado no Peery Records, Assini define o conceito musical do EP como Indie Pop, e com algumas pitadas da música eletrônica. Em síntese, o jovem artista define que “Tudo isso é uma forma de encontrar um caminho pra si mesmo e começar a seguir ele”.

 

 

SOBRE ASSINI

Sem medo, e com muita liberdade, o cantor e compositor catarinense Assini, abre espaço para revelar seus sentimentos mais íntimos, em um mundo cada vez mais violento. Em diálogo com o pop Indie, influenciada pelo rock dos anos 1980 e 90, o músico encontrou o ritmo perfeito para exercer seu ativismo LGBTQ+. “Meu sonho é fazer música pro resto da vida. Isso não significa uma monstruosa fama. Se vier reconhecimento, é incrível também.”

Os primeiros versos de Assini, surgiram aos 13 anos de idade, quando a auto aceitação ainda era uma tarefa difícil e dolorosa. Por viver em uma cidade do interior, com aproximadamente 4 mil habitantes, a resistência contra os preconceitos é diária. E a resposta dele para isso tudo é “Não deixe ninguém te aprisionar. Seja orgulhoso de quem você nasceu para ser”.

Nascido na cidade de Brusque (SC) em 1996, o artista carrega em seu repertório autoral. o EP “Tragic but Magic”, com 4 faixas, sendo duas delas já presenteadas em forma de clipe. Segundo suas próprias palavras “Esses primeiros lançamentos foram um teste, para encontrar o próprio sentido da minha sonoridade”.

 

 

Matheus Luzi – Assini, primeiramente, quero muito saber o que vem a ser esse renascimento para você. O que tem a dizer sobre o “Genesis” em sua vida?

Assini – Artisticamente falando, é muito importante mergulhar de cabeça e começar do zero. Foi assim que nasceu “Genesis”: um passo muito importante para mim como artista e ser humano.

 

Matheus Luzi – Achei muito interessante você adotar a música eletrônica no EP. Como foi este processo?

Assini – Eu tive fortes influências de artistas como Grimes durante o processo de criação. Eu amo a música pop, o indie e também amo os graves do eletrônico. Por que não juntar os dois?

 

“A primeira música que surgiu desse projeto foi sobre liberdade, se libertar de tudo que te deixa acorrentado e ser quem você é e fazer o que tem vontade”

 

Matheus Luzi – Você é um artista independente, certo? Como é ser independente, e qual os desafios, principalmente, falando no contexto “Brasil”?

Assini – Ser artista independente é para os fortes apenas. Se você faz pelo dinheiro, retorno ou pretende ficar famoso do dia pra noite, é melhor parar. O amor pela arte é a única coisa que faz com que artistas independentes não desistam. No Brasil, o caso é ainda um pouco mais complicado, na maioria das vezes desvalorizam o artista até onde puderem.

 

Matheus Luzi – Quais são suas reflexões sobre as letra e sonoridade das canções de “Genesis”?

Assini – A primeira música que surgiu desse projeto foi sobre liberdade, se libertar de tudo que te deixa acorrentado e ser quem você é e fazer o que tem vontade. As demais músicas de certa forma abordam algo parecido também. “Alien” é sobre um relacionamento entre um humano e um alienígena. Existe algo mais libertador que isso?

 

“Sou muito grato por tudo que já vivi com a música e espero sim novos momentos mágicos”

 

Matheus Luzi – Quais são os seus principais desejos de impacto com “Genesis”, no público? Quais suas ambições nesse sentido?

Assini – Eu estou disposto a abraçar o que o universo me prepara, com expectativas na medida certa. Expectativas demais atrapalham. Sou muito grato por tudo que já vivi com a música e espero sim novos momentos mágicos.

 

Matheus Luzi – Você disse que em “Genesis”, você foi influenciado por suas origens religiosas. Explique isso para nós.

Assini – Eu vivi toda minha infância e adolescência na igreja católica. Isso criou muitos conflitos internos sobre ser gay, ser católico, pecado e outros assuntos. Decidi usar isso pra criar o conceito do EP.

 

Matheus Luzi – Você tem alguma(s) curiosidade(s) ou história(s) para nos contar?

Assini – Há uma música chamada “Beasts Inside of me”, com minha amiga Liza, que fala justamente sobre demônios internos e ela termina com um sample do filme “O Exorcista”, com as falas do padre enquanto pratica o exorcismo.

 

 

 

 

 

EUA, a esperança do mundo? Artista português diz que sim em depoimento sobre sua música

Fritz Kahn and The Miracles é um projeto musical de um artista português. Sua discografia é extensa, embora tenha sido.

LEIA MAIS

Música Machista Popular Brasileira?

A música, diz a lógica, é um retrato da realidade de um povo. É expressão de sentimentos de um compositor,.

LEIA MAIS

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

Diante do novo, “O que Pe Lu faz?”

Sucesso teen da década passada com a Restart e referência no eletrônico nacional com o duo Selva, Pe Lu agora.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Quem foi o poeta Roberto Piva (com Jhonata Lucena)

O 10º episódio do Investiga se debruça sobre vida e obra de Roberto Piva, poeta experimental que viveu intensamente a.

LEIA MAIS

Muitos artistas querem o mercado; Tetel também o quis, mas na sarjeta encontrou sua liberdade

Tetel Di Babuya — cantora, compositora, violinista e poeta — é um projeto lançado por uma artista do interior de.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo:  a geometria do corpo e suas personas

 Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido. Fernando Pessoa  .

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS