19 de maio de 2026

Balneário uruguaio que é refúgio de músicos e hippies inspirou novo disco da cantora brasileira Tamy

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Através de uma pesquisa na internet, encontrei uma notícia sobre o lançamento de PARADOR NEPTUNIA da cantora e compositora Tamy, que é brasileira, mas radicada no Uruguaio há 5 anos, quando se mudou para lá. Me chamou muito a atenção as circunstâncias em que este álbum surgiu. Tem muitas histórias por trás desse disco novo, o que será tema para próximas matérias aqui na Arte Brasileira.

O disco foi inspirado no Neptunia, que segundo a artista, é um balneário de refúgio para músicos e hippies, ou melhor dizendo, quase um lugar secreto, onde a cantora encontrou um espaço muito valioso para divulgar sua brasilidade. Agora, neste novo disco, Tamy fez a maestria de juntar a música brasileira e seus ritmos particulares com a música uruguaia.

 

Entrevistamos a artista sobre o seu novo trabalho, que marca sua história com o Uruguaio. Veja na íntegra:

 

 

Em release, você fala que uma das marcas do disco, é a liberdade. O que isso quer dizer?

Falo da liberdade de cantar em outra língua, em um disco metade português metade español, de trazer referencias culturais de outro país, pouco conhecidas pelo Brasil, liberdade de fazer a música que me toca a alma, escolher cantar autores pouco conhecidos, porque esse é o repertorio que me representa neste momento, independente do mercado ou do que as pessoas esperam de uma cantora brasileira.

 

Como você chegou a desenvolver um disco tão diversificado como esse?

A concepção do disco começou quando eu entendi um pouco mais a cultura deste país. Porque a vivencia da música brasileira eu já trazia em mim, ela é minha, e nenhum lugar, nem ninguém me vai tirar isso. É muito íntimo e próprio. Mas a música uruguaia não, eu me vi encantada por ela mas tive que entender. Dessa união, aquilo que eu já trazia, misturado com a novidade música popular uruguaia, veio a vontade de registrar algumas canções que eu conheci aqui, de autores daqui e ainda novas canções que eu fiz nestes 5 anos, muitas vezes em parceria com alguns dos meus convidados no projeto TAMY Invita, onde recebo artistas da cena indie brasileira e junto com artistas do Uruguai.

 

Qual a influência brasileira e uruguaia no novo disco PARADOR NEPTUNIA

A influencia Brasileira é a minha primeira base quanto artista, nos meus outros 3 discos eu já havia mostrado isso, e neste sigo mostrando que eu sou uma artista do Brasil, influenciada principalmente por João Gilberto, Caymmi e Tom Jobim e que com o tempo e novas experiências de vida e música, fui agregando o Rock, Soul e agora milongones e candombe.

 

E no momento das gravações, como foi fazer isso entre o Uruguaio e o Brasil?

Foi super tranquilo. Com a internet não existe dificuldades para fazer um disco entre 2 países.

 

A produção e criação das músicas, como aconteceu?

O produtor do disco Rodolfo Simor está em Vitória e eu em Montevideo. Conversamos muito antes de começar. Mostrei pra ele o repertório que eu já tinha selecionado, apresentei a ele meus novos encantamentos sonoros e discutimos como fazer essa mistura tendo uma unidade e a cara da TAMY. Rodolfo me conhece há muito tempo, e ele tem sua própria linguagem pop, e uma facilidade de sintetizar que é própria dele também. Ele fazia as bases lá, me mandava, eu gravei alguns instrumentos no UY, como tambores de candombe, bateria, e algumas guitarras, as vozes também coloquei em Montevideo. Mandava tudo pra ele, ele manipulava o som, invertia, brincava com timbres e texturas, e assim fomos fazendo. Levamos 1 ano.

 

Como o Balneário (refúgio de músicos e hippies) influenciou neste novo álbum?

Um dia eu fui parar em um lugar chamado Neptunia, porque soube que aos sábados rolava um som. Neptunia é um balneário uruguaio quase secreto, até para os próprios uruguaios. É um tipo de comuna hippie que se junta todos os sábados para tocar e cantar. Eles têm o seu próprio maestro, Ney Peraza (Ney é a pessoa que me chama para entrar na festa, no clipe de Te Parece). A partir deste dia começamos a entender um pouco mais da cena daqui, suas canções, instrumentações, a conexão com a música brasileira e o candombe [gênero uruguaio de origem africana], que mexeu bastante comigo. Esta convivência com a turma de Neptunia foi inspiradora, me rendeu novas canções, parcerias e vontade de fazer um disco, que chamei de PARADOR NEPTUNIA.

 

O seu disco contempla métodos que variam entre orgânicos e eletrônicos de cara limpa. Gostaria que você falasse um pouco mais sobre isso.

É um disco sonoramente minimalista. Pensamos que por conta dessa diversidade, 2 línguas, 2 culturas e a mistura disso tudo, que a produção deveria ser “minimal” para termos o contraste que estávamos buscando.

 

Fale um pouco mais sobre o disco.

PARADOR NEPTUNIA é meu quarto álbum e a novidade em relação aos outros discos é que trago esse tempero da música uruguaia, principalmente o candombe, e o uso da língua, o espanhol, em 6 das canções. Além de parcerias inéditas com Cesar Lacerda, Francisco Vervloet, como Neptunia e Festa de Iabá, novas canções que compus aqui como Amor de Filha, Pra ti Vê e Sabiá e ainda reinvenções de temas da musica popular uruguaia.

 

 

 

 

 

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