22 de setembro de 2026

SALVADOR – Batalha do alto do Cabrito, a famosa BAC

 

Alto do Cabrito é um bairro de Salvador. Um bairro histórico e cheio de cultura para aprender e entender, com seus 70 anos de fundação e povoamento, há muito a contar.

A situação da violência em Salvador é crítica, mas com as chegadas das queridas rodas culturais, há uma ligação constante da literatura, vivência, e ideologia para os jovens, eles que passam suas visões críticas ou do mundo para a plateia, às vezes com um flow agressivo ou mais tranquilo. Um contra um ou batalha de dupla o objetivo é dar o melhor de si… 

A roda cultural mudou a vida de muitos jovens, já que com ela existe uma grande oportunidade para demonstrar talento, capacidade e flow, o que é mais importante.

O encaixar no beat é um ato que exige treinamento e costume, às vezes um MC pode ser de menor, ter seus 14 ou 13 anos e mesmo assim manda muito bem e consegue vencer algumas batalhas ou sair campeão. O Rap não exige muito, apenas determinação para tentar ser melhor a cada dia que passa… 

Seja no Boombap ou no Trap, a única importância que colocada como aviso é a vontade de crescer. As batalhas começam a dar certo quando um MC passa a ser conhecido e reconhecido pelo seu talento nato e um flow impecável, suas respostas que sangram o peito do adversário, mesmo sem querer ofender, mas que toca a alma e faz sentido ao coração.

A batalha do alto do Cabrito tem meu apoio e lá o lar de muitos poetas e poetisas que precisam apenas de um microfone para mostrar o real valor da vida através das vozes. 

Batalha Alto do Cabrito. A história é muito longa, anos e anos na ativa. 

 

A HISTÓRIA

por Alexandre Ribeiro, um dos fundadores

Tudo começou com uma brincadeira entre amigos em 2013, onde geral se reunia na casa de Alexandre para fazer o free (freestyle), não tínhamos intenção alguma de se tornar conhecido ou algo do tipo (coisa que atualmente não somos). Mas era algo que era sagrado, estávamos lá todas as quintas tomando vinho e rimando sem compromisso.

Até que em 2014 tivemos a brilhante ideia de criar a batalha, até aí não levamos essa ideia a sério e meio que deixamos isso de lado. No fim de 2017 voltamos a tocar no assunto e foi aí que fizemos nossa primeira batalha aqui no final de linha do alto do cabrito (local que acontece a BAC atualmente), nesse dia só tinha os amigos que eram antigos e parentes dos mesmos, arrisco em dizer que foi algo mágico.

Assim, todos pararam para presenciar aquele momento, depois disso resolvemos concretizar aquilo fazendo a batalha todos os sábados, até aí não tínhamos colocado o nome “BAC”, foi quando um de nós conseguiu ter a ideia do nome. Logo de princípio a organização era formada pela mesma galera que estava lá em 2013, rimando todas as quintas, só que com os trancos e barrancos a formação foi mudando até chegar na formação atual.

Nesse meio tempo conhecemos muito MC’s bons que estão até hoje frequentando a batalha, e também discutimos que a cada dia que passa, existe algo novo para mostrar. Trouxemos esse movimento ao nosso bairro com o famoso rei da BAC. Primeiro evento de Hip Hop do cabrito, posso até dizer que da suburbana, lembro o corre corre que foi, todos querendo garantir sua entrada e querendo estar lá com a gente.

O nosso primeiro evento lotou, tivemos uma ótima noite e no fim dela já tinha gente querendo saber quando seria o próximo, foi algo surreal, e que no fim agradou a todos.

Atualmente eu vejo que a BAC pode gerar grandes nomes, pois, eu acredito no potencial de todos!

 

   

LUAN FH – Qual a sensação de saber que um projeto que você faz parte e fez parte na criação e fundação está avançando cada vez mais e tendo um tal reconhecimento?

ALEXANDRE RIBEIRO – Sinceramente, as vezes eu não acredito que um sonho em uma roda de amigos podia ser algo tão grande assim. Fico ansioso com a chegada das sextas só em saber que vão estar lá, dando o melhor de si e fazendo seu papel. Atualmente eu sinto orgulho, seja dos Mc’s ou da organização, todos dão o seu melhor e isso me deixa feliz!

 

LUAN FH – Você acredita que a batalha possa levar MC’s para o nacional?

ALEXANDRE RIBEIRO – Creio eu que sim. Atualmente temos muitos MC’s bons e que estão fazendo seu nome em meio à BAC… Acho que ali no meio tem certos MC’s que vão fazer essa proeza e eu vou estar lá para dizer que acompanhei a evolução daquele cara!

 

LUAN FH – Quais os nomes dos organizadores?

ALEXANDRE RIBEIRO – João, Fátima e o Alexandre, que sou eu.

 

SOBRE O ENTREVISTADO

Alexandre Ribeiro, 22 anos, mais um jovem que apoia e se interessa no crescimento da cultura nas comunidades de Salvador, mais um colaborador e é uma honra poder deixar exibido a história dessa roda cultural, dessa batalha, um projeto encantador que inspira outros a fazer o mesmo em seus bairros.

Espero que o RAP só evolua e cresça cada vez mais nessa gigante cidade, com uma imensidão de sentimentos e gratidão, muito obrigado ao organizadores da BAC por ter me dado essa oportunidade. 

 


ENTREVISTA DE LUAN FH – 20 anos, escritor e colunista, gosta do indie brasileiro e coisas antigas.

 

 

 

 

Sonoridades dos continentes se encontram em “Saudoso Amarais”, disco do artista campinense Leandro Serizo

O projeto solo discográfico do paulista Leandro Serizo se iniciou em 2021, quando o single “Libertas Navy” foi disponibilizado. Aproximadamente.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: uma dimensão lúdica da vida

1. Há artistas cuja obra não nasce apenas da técnica, nem do aprendizado formal das escolas de belas-artes, nem muitos.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Quem foi o poeta Augusto dos Anjos? (com Augusto César)

O 9º episódio do Investiga buscou informações sobre os principais pontos da trajetória pessoal e profissional do poeta brasileiro Augusto.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: A arte como resistência política e social (com Gilmar Ribeiro)

Se a arte é censurada e incomoda poderosos do capital, juízes, políticos de todas as naturezas, chefões do crime organizado,.

LEIA MAIS

Kelline Lima: linhas sinuosas e orgânicas como arquétipos do feminino

O  coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate. Provérbios, 15:13 1. Kelline Lima.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não.

LEIA MAIS

Certamente, esse filme é um dos mais atrapalhados que eu já vi (Crítica de Matheus

Ontem fui dormir cedo, e não sei porque acabei perdendo totalmente o sono quando acordei as 2 horas da madrugada..

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS