14 de setembro de 2026

Duo Gisbranco compõem canções para poemas de Chico César em novo disco [ENTREVISTA]

 

Elas aceitaram o desafio. Musicaram pérolas de Chico César, que antes eram apenas poemas. Certamente, foi uma grande aventura para o Duo Gisbranco fazer 15 canções em cima de poesias de Chico. A ideia e início disso tudo aconteceu em 2010, quando o Duo ainda nem tinha pretensões de transformar essas músicas em um disco.

— Naturalmente, fomos compondo aos poucos a partir de alguns poemas do Chico e, ao longo do tempo, percebemos que seria um projeto lindo. Cada poema mostrava em si um universo diferente, e buscamos traduzir isso em música. Uma das coisas mais incríveis que aconteceu durante o processo foi a de compormos juntas, simultaneamente. Isso trouxe muita fluidez e muitas surpresas também. As musicas foram se configurando lentamente e tomando uma forma própria, que era essa mistura dos três. — comentou a cantora e compositora Claudia Castelo Branco.

 

A seguir, você verá na íntegra uma entrevista especial que fizemos com Claudia Castelo Branco do Duo Gisbranco:

 

 

Minha primeira curiosidade: como conheceram Chico César?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Já conhecíamos a música de Chico César desde adolescentes, mas o conhecemos pessoalmente em 2009, quando ele participou de um show do Gisbranco no Teatro do Ibirapuera em SP e, então, tivemos a oportunidade de ensaiar com ele diversos dias seguidos e iniciar o laço artístico e de amizade.

 

E seus poemas, como conheceram?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Os poemas conhecemos a partir deste período de 2009.

 

PASSÁROS marca uma nova etapa na carreira de vocês. É a primeira vez que vocês gravam um álbum cantado. Como foi essa transição?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Nos dois discos anteriores gravamos algumas músicas cantadas, seja através de vocalize ou canção com letra; mas eram casos isolados. Este projeto de musicar os poemas do Chico nos inspirou a fazer um disco inteiro de canções, por se tratar de um projeto especial. A Claudia já gravou um disco todo de canções chamado VOCÊ NA NUVEM, em que ela canta em todas as faixas (além de ter recebido alguns convidados, como a cantora Ná Ozzetti), mas, para o Duo, foi uma descoberta e felicidade muito grande.

 

E o que isso trouxe de novo musicalmente e poeticamente ao álbum?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: O disco é muito diferente para o Gisbranco por conta das canções, do número de convidados e instrumentos (tanto cantores diversos como instrumentistas) e da abertura para que a canção se mostre, sem que os pianos dominem completamente a cena musical.

 

Esse disco é mergulho profundo na criação da canção brasileira, de forma experimental e livre… Comente.

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Como não musicamos os poemas pensando em um disco ou em algum parâmetro mais formal, nós fomos criando as músicas e os arranjos de uma maneira completamente livre, experimentando e juntando diversos estilos (e, também, diversos músicos), num trabalho artesanal e sem pressa. Nos surpreendíamos a cada etapa do processo e fomos descobrindo a linguagem desta canção brasileira feita a partir de poesia.

 

Neste álbum, vocês tiveram a colaboração de outros artistas nas gravações. Como foi trabalhar com essa galera?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Foi maravilhoso, porque procuramos exatamente esta intervenção musical de cada um deles. Buscamos esta linguagem diversa e nos emocionamos, até hoje, com a interpretação de cada convidado.

 

Dá pra perceber um toque erudito nesse álbum… Comente.

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Nossa formação tem uma base muito grande na música erudita, no piano clássico e instrumental. Todos os estilos que percorremos ao longo da nossa carreira estarão, inevitavelmente, fazendo parte da nossa linguagem. Além disso, a poesia do Chico é dotada, também, desta mistura do folclore, do popular com uma erudição e contemporaneidade.

 

Conte para gente como foi os processos de produção e gravação durante os 6 anos em que o álbum estava sendo gerido.

CLAUDIA CASTELO BRANCO: A primeira fase, ainda sem saber que se tornaria um disco, foi o de composição. Algumas feitas individualmente, mas a grande maioria composta com as duas juntas ao piano, tocando e cantando juntas. Em seguida, passamos um ano ensaiando com os músicos Rodrigo Pacato Silva (percussão) e Fabio Nin (violão), buscando uma sonoridade que mesclasse os pianos na canção brasileira, procurando este caminho da música popular, onde a voz pudesse soar e a poesia ficasse clara. Depois, começamos a gravar, e tudo foi feito aos poucos, num processo de descoberta e experimentação; tanto os pianos, como a percussão, o violão, até as vozes e os convidados; a cada etapa íamos tendo novas ideias e nos lançávamos para experimentá-las. Como precisamos de dois pianos para gravar, não é simples. É bastante diferente do processo de gravação de um conjunto de instrumentação tradicional, que muitas vezes passa uma semana no estúdio gravando. Para nós, tudo foi sendo feito aos poucos, a medida em que possibilidades se abriam. Por isso o processo foi de uma longa caminhada, talvez por termos nos aventurado a ir muito fundo.

 

Tem alguma história interessante que envolva o disco?

CLAUDIA CASTELO BRANCO: Como foi um disco que levou muito tempo para ser criado, ele foi recheado de histórias interessantes.

Uma delas foi a forma como começamos a gravar. Por acaso, no momento em que estávamos com as musicas quase prontas, conversamos com o André Mehmari e ele tinha acabado de comprar um piano novo e ainda não tinha vendido o antigo. Por isso ele estava com dois pianos em seu estúdio, ambos de excelente qualidade. Isso é raro, praticamente inédito no Brasil! Aproveitamos e fomos pra lá (SP) gravar, e nos demos conta de que alguns arranjos não estavam totalmente prontos! E enquanto gravávamos conseguimos criar muita coisa, muitas idéias surgiram lá, inclusive o próprio André fez um arranjo que ficou absurdamente lindo (da música FIO DE SISAL). 

Newsletter

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

Damião Costa: a pintura como morada do instante

O artista Damião Costa (São Vicente, RN, 1987), desde a infância, quando os olhos se detinham nos leilões televisivos de.

LEIA MAIS

LITERATURA DO RAP, por Luiz Castelões

O rap é o mais importante gênero musical-literário do final do séc. XX.Assim como o post de rede social é.

LEIA MAIS

Heavy metal, juventude e interior paulista; conheça a banda Savage

Porks, um clássico bar de rock n roll em Araçatuba, interior de São Paulo, ousou em convidar uma banda quase.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Queriam vê-lo como um monstro, morto ou perdido no crime; e GU1NÉ os respondeu com

“Nasce Mais Um Monstro”, o EP de estreia do rapper GU1NÉ, é também uma resposta aos que não acreditaram nele..

LEIA MAIS

Curso Completo de História da Arte

Se você está pesquisando por algum curso sobre história da arte, chegou no lugar certo! Aqui nós te apresentaremos o.

LEIA MAIS

CONTO: O Desengano do Rock Star Paulistano (Gil Silva Freires)

Tinha uma guitarra elétrica, canções e sonhos na cabeça. A paixão de Alécio pelo rock and roll era coisa herdada.

LEIA MAIS

Uma nova oportunidade de conhecer a censura no Brasil

Gilberto Gil e Caetano Veloso em exílio na Europa, entre 1969 e 1972. Foto: Reprodução do site da Folha de.

LEIA MAIS

Historiadora lança minicurso gratuito sobre a história da arte, com vídeos curtos e descomplicados

(Divulgação) Aline Pascholati é artista visual e historiadora da arte diplomada pela Sorbonne (Paris, França) e trabalha há mais de.

LEIA MAIS