24 de junho de 2026

[ENTREVISTA] Banda Alaska firma própria identidade sonora em seu novo disco NINGUÉM VAI ME OUVIR

Foto de Stefano Loscalzo

 

Lançado em 2015, o disco ONDA causou grande impacto na carreira da banda Alaska, levando-a para um lugar prestigiado na nova música brasileira. Mas o grupo se focou em melhorar seu som e trazer mais identidade própria, e o resultado disso, é o álbum NINGUÉM VAI ME OUVIR, com 13 faixas autorais e inéditas.

“A ruptura surgiu de uma maneira natural, como resposta dos nossos próprios descontentamentos e frustrações enquanto artistas, em relação ao que era – e ainda é – esperado de nós como uma suposta ‘banda de rock’. Um modelo que se sustenta pelo mesmo tipo de conteúdo e retórica, sendo fotos de show-sempre-sucesso nas redes sociais, ou exigindo que as canções sejam sempre dominadas pelas guitarras. Isso freia o desenvolvimento dos artistas, a reflexão do público e a dimensão do estilo, o que de certa forma empobrece todo o circuito e as possibilidades de conexão com a nossa audiência. Parece algo incoerente e bastante arrogante. E se é isso que se associa a uma banda d rock, queremos estar bem distantes daí”, comentou André Ribeiro, vocalista da Alaska.

NINGUÉM VAI ME OUVIR é um lançamento da Sagitta Records.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com o vocalista André Ribeiro.

 

 

O quanto de “underground” tem em NINGUÉM VAI ME OUVIR?

André Ribeiro: Não sei direito como responder. Acho que a definição de underground vem se tornando cada vez mais confusa. Mas, considerando que ainda somos um projeto não muito reconhecido, o disco é naturalmente underground…eu acho.

Vocês dizem que navegaram por caminhos opostos aos trabalhos anteriores neste novo álbum. O que isso quer dizer?

André Ribeiro: Estamos quebrando alguns hábitos enraizados que pertencem à rotina da “banda de rock”, como a relação fria com o público, a venda da personalidade “rockstar” no instagram e estamos repensando alguns processos que não funcionam pra nós, e claro que isso reflete na estética sonora e visual desse disco.

Ainda temos muito pra reavaliar e reestruturar. Não é uma mentalidade com objetivos a curto prazo.

 

E qual o resultado disso?

André Ribeiro: O resultado disso são as 13 faixas do disco e todas as coisas que estamos aprendendo nesse processo.

Qualquer consequência positiva ou negativa disso tudo, é impossível de medir, por enquanto. E isso é extremamente libertador.

 

Em algumas letras de NINGUÉM VAI ME OUVIR, vocês optaram por mensagens mais diretas. Por que?

André Ribeiro: Eu considero muito importante falar sobre os temas explorados nas letras do álbum e não acredito que a melhor forma de abordar tudo isso seja mascarando e evitando o assunto o tempo todo.

Como foi isso de vocês terem se inspirados em relatos pessoais de fãs?

André Ribeiro: Foi uma forma bem intensa de me identificar com pessoas que eu não tinha o acesso à identidade. Me ajudou muito a externalizar muitas coisas que existiam dentro de mim e eu não sabia, ou não queria saber.

Como foi o desenvolvimento de NINGUÉM VAI ME OUVIR, de uma maneira geral?

André Ribeiro: Foi um aprendizado enorme e um pouco doloroso pra todos os envolvidos, eu acho.

Foi como segurar o ar durante muito tempo, e agora que o disco está lançado, parece que estamos soltando todo esse ar bem devagar.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o trabalho?

André Ribeiro: Chamamos o Teago da Maglore pra cantar em CHUVA PASSAGEIRA, mas nossas agendas nunca funcionaram, então usamos o riff de “Valeu, Valeu” no meio da música. 

 

Fiquem à vontade para falarem o que quiserem. 

André Ribeiro: Obrigado pelo interesse e pelo espaço.

 

 

 

 

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