15 de agosto de 2026

[ENTREVISTA] Duo Binarious voa alto nas reflexões em EP de estreia

(Capa do EP)

 

O EP de estreia do duo Binarious, é um prato cheio para a reflexão. As seis faixas do trabalho versam os sonhos, esperança, sexualidade, ciência, filosofia, além de traduzir em música suas inseguranças e fragilidades. Alinhado a isso, os versos ganham vida a partir de um som experimental, que brinca com o trip hop, o indie e o folk.

“O primeiro EP é uma forma de consolidar e dar uma cara para a gente. Apesar de ser um compacto, toda a parte conceitual não foi deixada de lado, tendo um fio condutor através das seis faixas”, reflete o brasiliense Jan Silva, parceiro musical da mineira Andressa Munizo.

Juntos, gravaram todos os instrumentos, os vocais (em parceria com Desidério de Moraes, na faixa “Passageiro”, que também assina a produção do EP com a banda). A edição, mixagem e masterização é de Ricardo Ponte.

Um lindo trampo, que merece, sem dúvidas, uma entrevista aqui no site. Confira:

 

 

Um prazer entrevistar vocês sobre este trabalho incrível. O EP como um todo, me trouxe uma primeira curiosidade: vocês falam sobre muitos assuntos, e essa variedade temática é muito boa. Parabéns!

Andressa Munizo: Obrigada! Bem, a ideia era trazer letras contemporâneas e existencialistas que tivessem um olhar atemporal sobre assuntos como ciência, filosofia, sexualidade, sonhos e fragilidades humanas, afinal estamos vivendo um momento sensível no Brasil com toda essa crise política, social e econômica.

 

Apesar disso, também é evidente que o EP é todo conceitual. Também vejo que vocês fizeram um som que reflete muito a “cara” de vocês, quem vocês são e o que pensam…

Andressa Munizo: Se uma palavra define as composições desse EP e o projeto como um todo, essa palavra é amor. Fazer música para mim é fazer com que as pessoas se sintam abraçadas e uma boa forma de fazer isso é transmitir uma mensagem forte e sincera através do nosso som.

 

Vocês dois são a banda como um todo. Tocam todos os instrumentos e fazem os vocais. Com a ajuda de Ricardo Ponte, como foram os processos de composição, produção e gravação do EP?

Andressa Munizo: O processo como um todo foi bastante experimental, não tínhamos muita certeza do que ouviríamos quando todas as ideias se juntassem no EP, deixamos tudo fluir pensando apenas em fazer o nosso melhor e passar a nossa mensagem, mas não sabíamos que tipo de complicações teríamos para concretizar todas essas ideias.

O processo de composição em conjunto nunca existiu de verdade, todas as ideias de músicas vieram individualmente de cada um e apresentadas para que o outro completasse. Algumas músicas são bastante antigas, como “Artificial”, que eu compus e fiz a primeira ideia de produção em 2014 antes de vir para Brasília e conhecer o Jan. Ele acrescentou a linha de baixo e fez algumas alterações na bateria junto com a Sand e o Ricardo, e também alguns novos timbres de sintetizadores. “Galhos” veio de uma antiga banda do Jan, ele me passou pra que eu colocasse letra, guitarra e alguns sintetizadores.

Todo o processo de composição e produção foi feito dessa maneira, alguém tinha uma ideia inicial e essa ideia ia sendo alternada entre cada um até nós dois batermos o martelo e enviasse para o Ricardo, depois eram apenas ajustes de produção e mixagem em conjunto com ideias do Ricardo. Com a produção, o Ricardo ajudou muito na finalização dos timbres e também na bateria, afinal usamos uma bateria criada por plugins de computador.

“Artificial” foi a única música que gravamos vozes, baixo e guitarra no estúdio, todas as outras foram gravadas na minha casa aqui em Brasília, utilizando os recursos mais baratos possíveis sem prejudicar a qualidade sonora, isso facilitou com que tivéssemos mais tempo e liberdade em testar as nossas ideias.

 

Um breve comentário sobre a pergunta anterior. É muito difícil achar um trabalho com tanto apelo a um instrumental que às vezes até sobressai os vocais.

Andressa Munizo: O apelo musical vem pelo fato de que ambos são produtores musicais do mesmo nível, influenciados por música experimental e estilos diversos.

 

Quero muito saber a mensagem que vocês querem passar com as faixas.

Andressa Munizo: Com certeza é uma mensagem de amor, liberdade e reflexão sobre a nossa existência.

 

Vocês tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) que queiram nos contar?

Andressa Munizo: Eu sinto como se o EP inteiro fosse uma grande história sobre o que passamos desde a minha vinda a Brasília, muita gente esteve envolvida nesse processo, muita coisa aconteceu, muitas dificuldades e também aventuras. Só quem participou de perto de todo o processo e viveu todas as angústias com a gente sabe, mas estamos bastante orgulhosos e gratos por ver tudo isso sendo transformado em linguagem musical.

 

Fiquem à vontade para falar algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Andressa Munizo: Bem, gostaria de agradecer à Revista Arte Brasileira pela oportunidade e dizer que, em tempos difíceis como esse, eu me sinto bastante grata por saber que a minha arte pode contribuir de alguma forma na vida de algumas pessoas. Esse EP é totalmente feito para quem acredita no amor, liberdade e em um futuro melhor.

 

 

 

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