19 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Fabrício Beck estreia carreira solo com álbum autoral e nova versão de “As Rosas Não Falam”

(Capa do álbum)

 

Foram 17 anos como vocalista da Vera Loca, banda gaúcha que já coleciona cinco álbuns de estúdio, e aproveitando o hiato deste que é seu projeto principal, Fabrício Beck lança o álbum “Fabrício Beck & Banda Alabama”, inspirado no blues, no folk e no rock ao longo das 9 faixas autorais e de uma versão de “As Rosas Não Falam” de Cartola, lançada na década de 1970.

“Sinto que chegou o momento de mostrar essas músicas para as pessoas, elas não aguentavam mais ficar na gaveta e eu também sempre acreditei que elas tinham que voar. Quanto ao tempo que levou para isso, penso que foi o tempo suficiente”, reflete Fabrício. “A Vera, por ser uma banda, são 5 pessoas compondo, arranjando, criando… Esse álbum é fruto de apenas minhas composições, sem fusão de ideias como numa banda”.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Fabrício Beck.

 

 

As músicas do álbum estão “na gaveta” desde quando? Como foi tirá-las do papel?
Muitas músicas foram feitas recentemente para o álbum, mas músicas como “Azul”, “Nenhuma metade se vai”, por exemplo, já tem algum tempo. Sempre gostei de tocar para meus amigos, e elas sempre tiveram uma ótima aceitação. Poder mostrar para o grande público estas músicas “engavetadas” é um motivo de muita alegria, pois tenho um apreço muito grande por elas. Elas marcaram uma época de minha vida, e tirá-las do papel, é como contar um pouco de mim…  
 
No álbum, você gravou uma releitura em blues de “As Rosas Não Falam”. Fale um pouco sobre isso.
Minha mãe era professora de música, então tive a sorte de ouvir na minha infância muita música boa, inclusive música brasileira. Esse clássico do Cartola eu já canto desde minha infância, nas apresentações de piano que minha mãe realizava anualmente. Essa música, como muitos outros chorinhos, etc, foi de certa forma uma música escolhida por ser linda, mas também uma homenagem a quem me incentivou e me mostrou as maravilhas da música, uma das minhas maiores inspirações, minha mãe, que nos deixou há quase 2 anos.  
 
O álbum versa muito o blues. Como você acredita que esse estilo está sendo visto no Brasil e no mundo? Como “Fabrício Beck & Bando Alabama” tem sido recebido?
A música esta passando por uma transformação, não só no Brasil, mas no mundo. O blues não é um estilo popular aqui e lá nos EUA também existem coisas mais populares, e de maior exposição na mídia. A maneira como faço blues não agrada somente aquelas pessoas que só gostam de blues. Faço uma música despreocupada com rótulo, muitos xiitas nem deram que é blues (risos). Prefiro dizer que o blues, o folk, o rock estão presentes no que escrevo. Percebo uma boa aceitação do trabalho, por parte do público que já me conhece por outros trabalhos, como na Vera Loca… percebo que estamos num bom caminho para trilhar.  
 
Quais são as influências para este lançamento?
São muitas influências para este atual trabalho. Eu destaco Buddy Guy, BB King, mas também gosto de Stevie Ray Vaughan, Clapton, assim como Norah Jones, Dylan, Roy Orbison, Johnny Cash… Assim como no Brasil, Cazuza, Barão (o começo), Angela Ro Ro, Celso Blues Boy, Garotos da Rua, Bebeco Garcia… e tantos outros.
 
Como você definiria a parte musical e poética do álbum?
Eu costumo escrever quando a inspiração brota… tento não desperdiçar este momento nunca. Sempre escrevo de coração aberto, minha cabeça é um turbilhão de ideias, nem tudo que escrevo eu aproveito, mas quando consigo organizar esse turbilhão, as letras, as melodias encaixam. E eu acredito muito no poder dessa sublimação que existe quando se expressa o inconsciente na arte.  
 
Você mesmo produziu o trabalho. Como foi esse momento para você? E as gravações, como foram?
Foi um prazer muito grande, pois já havia produzido trabalhos de outros artistas, e na própria Vera Loca, já participei da produção de alguns álbuns em parceria com meus colegas de banda. Neste foi diferente, pois 100% daquela vontade de expressar algo, de vestir aquelas canções que foram feitas apenas de voz e violão, de uma maneira muito pessoal, foi possível. Claro que nos ensaios, contei com a experiência e talento dos músicos que me acompanham atualmente e formam o Bando Alabama. O vasto conhecimento de blues da parte deles foi de grande valia para a realização do trabalho.  
 
Você tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum? Fique à vontade para falar o que quiser.
Este álbum sempre foi um sonho, não somente por ser solo, mas por também dar asas a canções que escrevi, e que há tempos queria registrar de forma bacana, mostrá-las para velhos amigos, conhecidos. Agora com arranjo, e bem gravadas, é uma curtição! Quero agradecer muito aos meus colegas de Vera Loca, que muito me ensinaram nestes anos todos. Agora neste novo trabalho, quero seguir levando minha música para todos. Onde houver palco, quero estar. Obrigado à Revista Arte Brasileira, pelo espaço, e podem sempre contar comigo.
 
 
 
 
 
 
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