17 de abril de 2026

[ENTREVISTA] Inspirado nos anos 60/70, Alan James lança carreira solo no álbum DESPERTAR

Por Jardel Muniz

 

Os anos 70 e 60 sempre foram celeiros de inspirações para a carreira de Alan James. O Clube da Esquina, assim como Beach Boys, e tantos outros clássicos da música brasileira e internacional despertaram o DESPERTAR, disco em que Alan assume não somente como compositor, mas também intérprete e até mesmo o próprio produtor.

“Sempre quis fazer um álbum solo. Depois de discos e EPs com outros projetos como artista, compositor, músico, produtor e arranjador, só agora aos 34 anos embarco nessa jornada, porém ao lado de grandes amigos, sendo que alguns deles estão ao meu lado não apenas nesse disco, e também futuramente nos palcos, mas na vida”, transparece ele.

O álbum que reúne vários momentos da vida de James, é um lançamento do selo Discobertas.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Alan James sobre o álbum DESPERTAR.

 

 

Como foi a experiência de mudar de lado, agora como intérprete, ainda que de suas próprias canções?

Pra mim foi algo muito natural, vindo de 2 discos e 1 EP autorais com os Geminianos, nos quais já interpretava o meu próprio material. Desde que comecei a estudar música mais seriamente aos 12 anos tentava compor minhas músicas, depois estudei produção musical (me formando em Produção Fonográfica e fazendo cursos de áudio) e usava os discos dos Geminianos como um laboratório, e por fim depois vieram os projetos que produzi ou coproduzi. Tudo foi parte importante pra vir a fazer o que faço hoje, inclusive ser intérprete das minhas músicas na carreira solo.

 

Ainda nessa pergunta, o que você acredita que o fato de você ser o intérprete, produtor e compositor acrescenta no álbum DESPERTAR?

Que a minha verdade esteja mais presente do que nunca, e que o disco seja realmente autêntico de todas as maneiras: lírica e musicalmente falando. Que tudo somado mostre bem qual a minha visão da música e da vida, culminando em uma experiência bem pessoal entre mim e o ouvinte.

 

Como chegou nessas influencias dos anos 60/70 em DESPERTAR?

Costumo dizer que nasci e vivi na época errada (risos). Desde criança, minhas duas primeiras referências musicais foram Roberto Carlos e Beatles, nessa ordem. Mas quando descobri os Beach Boys com 17 anos, minha vida mudou para sempre! Sempre procurei ouvir de tudo, inclusive o que é contemporâneo, mas sempre tive uma predileção pela música antiga, ou seja, tudo até os anos 70. É o que me fascina desde que descobri o que é a música.
Fico encantado quando descubro algo novo e depois fico sabendo que é dos anos 60 ou 70, ou quando descubro novos artistas que seguem aquela estética sonora e/ou visual.

 

Que emoções/sentimentos/pensamentos você acha que DESPERTAR pode “despertar” no público de uma maneira geral?

Espero que desperte o valor do verdadeiro amor (algo que parece desparecer em um mundo cada vez mais dinâmico e moderno), e a capacidade de superação de momentos que acham serem insuperáveis, até mesmo se for o pior momento da vida. E que aqueles que ouvirem me conheçam totalmente.
Citando meu grande ídolo Dennis Wilson (dos Beach Boys): tudo aquilo que sou ou serei está nas músicas.

 

E as músicas que você compôs? Como foi esse processo para você?

Quando decidi pela carreira solo e fazer esse disco, eu vinha de uma crise criativa, e a primeira ideia era resgatar músicas guardadas no baú. Porém, o Luiz Lopez (coprodutor, que também tocou no disco) insistiu pra que eu fizesse músicas novas. E então, de repente, saíram várias músicas novas e foi algo que me deixou feliz e surpreso, pois não achava que conseguiria, e tudo de uma forma bem natural. Porém, no disco ainda ficaram músicas que resgatei, sendo uma de 12 anos atrás e algumas de meses antes de começar a compor as que foram especialmente pra esse trabalho. 

 

Desde quando esse álbum vem sendo idealizado?

Desde o fim de 2015, que foi quando comecei a reunir e compor as músicas e fazer a pré-produção, com a gravação das demos, que duraram 4 meses, até o início de 2016. As gravações de fato começaram em agosto de 2016, e terminaram no fim de 2017. Porém, é algo que sempre sonhei em fazer, inclusive tendo um disco anterior que não foi lançado. 

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

O disco quase se chamou “James… Alan James”, numa brincadeira com o James Bond, mas acharam melhor que eu mudasse o título porque poderia não ser sério o suficiente (risos). Tem a história da composição de VISCONDE DE MAUÁ. Estava na cidade de mesmo nome ouvindo música, e quando estava no banho, de repente uma música completamente diferente da que estava ouvindo (mas no mesmo tom) começou a vir a minha cabeça, só que estava sem instrumento algum! Corri pra gravar no celular cantando todo o riff da música, torcendo para não perdê-la! Assim que voltei ao Rio de Janeiro uns 2 dias depois, gravei a demo completa e fiquei mais aliviado.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Quero mandar um grande abraço pra todos os leitores e da equipe da Revista Arte Brasileira, e agradecer pela oportunidade de falar mais sobre a minha música. Espero que gostem bastante de DESPERTAR, e que seja um prazer pra vocês ouvirem o disco, tal como foi pra mim fazê-lo.

 

 

 

 

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