18 de agosto de 2026

[ENTREVISTA] Suzie Franco vai do popular à música de concerto no primeiro álbum solo ESVOAÇA

Crédito: Kraw Penas.

 

Suzie Franco que vem se destacando nos vocais nos grupos Tao do Trio e Vocal Brasileirão, aposta agora na carreira solo com o lançamento do álbum ESVOAÇA

A ideia da cantora foi realmente trazer músicas de autores famosos e também de autores atuais e que não são tão conhecidos. O resultado é ESVOAÇA que também traz elementos da cultura popular às músicas de concerto.

ESVOAÇA foi idealizado em 2015 e finalizado neste ano. Porém, esse sonho foi possível graças a um processo de financiamento coletivo e também com a grandiosa ajuda de Vicente Ribeiro, que assina os arranjos e a produção musical do CD.

“Queríamos fazer um disco de canções brasileiras com um tratamento camerístico. Essa vontade, de certa forma, gerou um garimpo de composições. O fio condutor foi a roupa com a qual as canções foram vestidas”, avalia Suzie Franco.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Suzie.

 

 

Em ESVOAÇA, você uniu composições de artistas renomados e também não tão conhecidos. Como seu processo de criação do repertório?

Queria gravar canções que me tocavam, em primeiro lugar. Claro que tivemos, eu e Vicente Ribeiro – produtor e arranjador do álbum – um fio condutor: que fossem canções que pudessem ter um tratamento camerístico e que, também, tivessem uma força na letra, resultando num certo lirismo.

 

Você também uniu a música popular com a música de concerto, não é?

Sim! A ideia de promover um diálogo entre a música popular e a de concerto esteve presente desde o início. Escolhemos compositores que transitavam por estes dois mundos, por exemplo: Tom Jobim e Villa-Lobos. Tom, compositor popular, mergulhou profundamente no universo da música erudita. Fazendo o caminho inverso, temos Villa-Lobos que pesquisou e inseriu nas suas obras muito das canções populares.

 

O álbum foi possível também graças a um projeto de incentivo cultural. Como foi isso?

Apresentamos este projeto no edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de 2015. Fomos aprovados neste edital da Fundação Cultural de Curitiba e demos sequência ao processo todo. A Lei de Incentivo junto à Celepar (apoiadora do projeto) tornaram possível a realização deste CD, assim como o seu lançamento.

 

Fale para nós o que rolou entre 2015 (quando o projeto foi idealizado) até 2018? O que aconteceu nesse tempo?

Bem, desde a concepção do projeto até a sua finalização vai um longo tempo. Primeiro revimos o repertório, trocamos algumas canções por outras que estariam mais bem inseridas na proposta, enfim, amarramos o projeto. Os arranjos começaram a ser feitos em julho de 2017 e em setembro já entramos no estúdio para o início das gravações. Finalizamos no começo de 2018 e lançamos em junho.

Paralelamente ao CD, continuei desenvolvendo minhas atividades como professora de canto e cantora do Tao do Trio e do Vocal Brasileirão.

O Tao lançou seu terceiro CD – FIOR DE DOR, TAO DO TRIO CANTA ETEL FROTA – que foi indicado ao prêmio da Música Brasileira no ano passado como melhor grupo de MPB, concorrendo com MPB4 e Quarteto em Cy.

Com o Vocal Brasileirão a atividade sempre é intensa. São vários shows durante o ano, muitos deles com um convidado de fora. Este ano fizemos Tom Jobim na abertura da Oficina de Música com a Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba e a cantora Jane Duboc.

Também desenvolvo um trabalho de canto com ex-alunos meus do Conservatório de MPB de Curitiba e da Faculdade de Artes do Paraná. Este grupo de alunos, o Café no Canto, existe há dez anos.

 

Quais foram suas inspirações e influências em ESVOAÇA?

Ah, várias… Escuto muita coisa diferente mas Chico, Tom, Milton, Guinga, Egberto, Gil, Caetano, Wisnik, Cartola, Paulinho, entre outros compositores que adoro, estão sempre presentes. Ouço também vários intérpretes que me emocionam profundamente, como Célia Cantora (que nos deixou cedo demais), Zé Luiz Mazziotti, Leny, Elis, Milton, Eveline Hecker, Bethânia, Gal, Mônica Salmaso, Ceumar, Renato Braz e outros muitos. Também escuto bastante os grupos vocais em formações diversas: Boca Livre, MPB4, Quarteto em Cy, Vidro e Corte… Adoro!

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Bem, sempre gosto de mencionar que este é um trabalho de parceria entre mim e Vicente Ribeiro, arranjador e produtor do ESVOAÇA (e meu marido, hehe). Pensamos e executamos juntos, desde o início.

Também tenho participações bem especiais no CD: Zé Luiz Mazziotti em MODINHA de Tom e Vinícius, Cris Lemos em LUAR DO MEU BEM de Cláudio Santoro e Vinicius de Moraes, e o Tao do Trio (em todas as suas formações, que acabou virando o Tao do Quinteto) em A MAIS BONITA do Chico. E na canção DO CONTRA de Lucina e Iso Fischer, consegui reunir todos os nossos quatro filhos. Cantamos todos: Vicente e eu, Fernanda, João Pedro, Lucas e Miguel. Esta canção ganhou um arranjo bem bacana de um deles, o Lucas Franco, que também assina a composição BOITATÁ, junto com Etel Frota.

E, falando de filhos, o projeto gráfico é de outro deles, o Miguel Franco. Um lindo trabalho que tem sido bastante elogiado. Enfim, minha família presente!

 

 

 

 

 

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