9 de maio de 2026

Guilherme Fanti Quarteto lança álbum instrumental, inspirado em ritmos brasileiros e no jazz [ENTREVISTA]

 

É sobre os “holofotes” dos ritmos brasileiros e da liberdade jazzística que surge o primeiro álbum da carreira solo de Guilherme Fanti, intitulado CASA NOVA

O trabalho traz 8 músicas inéditas, instrumentais e autorais, e participações de outros grandes músicos, Salomão Soares (piano e acordeon), Fi Maróstica (baixo acústico) e Rodrigo “Digão” Braz (bateria e percussão).

A ideia de CASA NOVA surgiu da descontração, em encontros pessoais entre o quarteto. “São músicos com quem eu possuo uma grande afinidade e, apesar das composições serem todas de minha autoria, todos os músicos integrantes possuem a liberdade para criar “, comenta Fanti.

O álbum foi produzido de forma independente, e traça uma nova história na carreira musical de Guilherme. 

CASA NOVA é o meu primeiro disco autoral, diferente de outros trabalhos, tive essa experiência nova de produzir, compor, e cuidar de todo o processo. Tive a alegria de ter ao lado grandes músicos e amigos que abraçaram esse som.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Guilherme.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

Como chegaram na concepção do álbum?

A concepção foi surgindo conforme as primeiras músicas foram feitas. Diferente de outros trabalhos, como no Grupo Cincado, onde existem composições minhas, a concepção do disco sempre foi mais voltada para a música brasileira e seus ritmos, nesse meu primeiro disco eu busquei ter mais liberdade, deixando o disco sem uma “definição” quanto ao estilo. A música brasileira sempre está implícita, é inevitável e importante que exista, justamente pela vivência tocando com André Marques Sexteto, no Grupo Cincado, na minha base de estudo e em outros trabalhos que sempre teve essa pesquisa. Mas nesse disco, desde as primeiras composições, procurei um caminho no meio de tudo que eu gosto: ritmos brasileiros (maracatu, baião, samba…), a canção brasileira, a música de Minas, os ritmos argentinos, o jazz, o funk (não o carioca…rs) e a música clássica. Tudo isso eu gosto, e as primeiras composições surgiram dessa forma, então esse primeiro disco foi uma maneira de registrar estilos, linguagens que ainda não tinha gravado. Teve composições que foram feitas para o violão, e depois arranjadas para o quarteto. Enfim, é um caminho no meio que encontrei, de tudo que eu gosto. Mas se existe um ponto em comum no disco, acredito que seja a melodia, que nesse trabalho sempre quis deixar claro, sempre meio “cantável”.    

 

Vocês se inspiraram muito na música brasileira, como também no jazz, não é?

Com certeza a música brasileira é uma forte influência pra todos no quarteto, na época que convidei o Salomão, o Fi e o Digão, tocávamos em um outro projeto que era voltado aos ritmos brasileiros, então já havia uma afinidade, e isso também se estende aos músicos que participaram do disco: Jota P, Vanessa Moreno e Diego Garbin. Acredito que esse seja um dos pontos em comum dessa formação, até porque a vivência de todos é muito parecida, estudamos no mesmo lugar (em épocas diferentes), ouvimos a mesma coisa, conhecemos a maneira de cada um interagir no som. E apesar de não ser um disco de jazz, é claro que tem a influência, está na improvisação, algumas vezes no timbre, na sonoridade. Então, por isso que esse disco, para mim, está nesse caminho do “meio”.  

 

O quanto o fato de você ser guitarrista, violonista, compositor e arranjador contribuiu para o álbum?

O disco é autoral, são 8 composições onde também fiz os arranjos para elas. E cada uma tem a sua história nesse repertório. Tem música que fiz para violão solo e depois arranjei para quarteto, outra a guitarra tem mais presença, seja no timbre ou na improvisação. Mas para se ter um resultado musical, a contribuição não é só minha, mas também de todos que estão tocando. Aliás, sem a participação do Fi, Salomão, Digão, e dos convidados, não existiria o disco, a contribuição é de todos, em cada música é igual, todos foram muito importantes para gravação, porque também muito dessas músicas foram feitas pensando no jeito como cada um toca. E sou grato a eles por terem abraçado esse som.

 

O álbum é composto por músicas instrumentais. Nesse sentido, como aconteceu o processo de criação das faixas?

Algumas delas surgiram como composições para o meu instrumento, no caso, duas eu fiz para o violão e depois arranjei para quarteto. Algumas delas surgiram através de uma melodia, e depois foram se desenvolvendo. Outras já apareceram prontas, para o quarteto. Enfim, é muito difícil definir um processo de composição já que existem muitas maneiras de começar uma música. E depois, escrevi e levei para o Quarteto, tocamos algumas vezes (em casas de música instrumental), deu para “sacar” como estava “soando”, mudei o que não estava gostando e depois fomos gravar.

 

Além de CASA NOVA ser um álbum independente, também marca uma nova fase na sua vida…

O nome do disco é por causa de uma música que está no disco, que se chama CASA NOVA, que foi feita em 2014 ou 2013, logo que me mudei para a casa onde moro. E foi a partir dessa composição que comecei a definir a formação, a sonoridade, a concepção do disco. Então, nesse ponto ela é importante. Depois as outras músicas foram compostas ou “resgatadas” e se encaixando no repertório do disco. E acredito que por se tratar de um projeto novo para mim (formação nova e sonoridade nova) acho que esse nome veio a calhar muito bem para todo o álbum.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Não, (risos)… nesse disco não teve nenhum acontecimento fora do comum.

 

 

 

 

Newsletter

Queriam vê-lo como um monstro, morto ou perdido no crime; e GU1NÉ os respondeu com

“Nasce Mais Um Monstro”, o EP de estreia do rapper GU1NÉ, é também uma resposta aos que não acreditaram nele..

LEIA MAIS

Da MPB a Nova MPB; Conheça Bruna Pauxis

Reprodução do instagram da artista. Presente nas plataformas digitais desde 2021, a jovem Bruna Pauxis tem nos fatores regionais influências.

LEIA MAIS

Bárbara Silva: mais um caminho para compreender a Nova MPB

Recentemente, nós publicamos sobre “o que é, afinal, a Nova MPB?”. A matéria que pode ser acessada aqui nos traz.

LEIA MAIS

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

Livro de Autoajuda

Nem todas as pessoas que escrevem livros de Autoajuda conseguiram resolver seus próprios problemas, mas sempre tem a fórmula mágica.

LEIA MAIS

“O único assassinato de Cazuza” (Conto de Lima Barreto)

HILDEGARDO BRANDÂO, conhecido familiarmente por Cazuza, tinha chegado aos seus cinqüenta anos e poucos, desesperançado; mas não desesperado. Depois de.

LEIA MAIS

A arquitetura sonora de Roberto Menescal

Gênio da bossa nova e ativo no mercado até hoje, Roberto Menescal já teve sua trajetória retratada em seis livros..

LEIA MAIS

“Repousa”, o R&B sensual de ÀRT e Vini Del Rio

Os cantores e compositores cariocas ÀRT e Vini Del Rio se unem no single “Repousa”, um sensual R&B. Amigos de.

LEIA MAIS

CONTO: Fixação Autêntica e Gêmeas Idênticas (Gil Silva Freires)

Antônio Pedro estava casado havia mais de um ano e ainda não tinha aprendido a distinguir sua esposa da irmã.

LEIA MAIS

Carlos Gomes: um naïf registra e exulta uma pintura lúdica

O homem benigno faz bem à sua própria alma, mas o cruel perturba a sua própria carne. Provérbios, 11, 17.

LEIA MAIS