19 de outubro de 2026

Jéssica Berdet, expoente da Nova MPB revela segundo single de sua trilogia

(Crédito: Mandy Medeiros)

A cantora e compositora Jéssica Berdet teve a ideia, durante o período pandêmico, de lançar uma trilogia de singles, material que revisita seu primeiro álbum, o “(In)visível”. Com uma pegada orgânica e muitas das vezes, com passeios pelo neosoul de Duda Raupp, a artista já revelou, no ano passado, o primeiro lançamento deste projeto, duas novas versões para “Singular”. O segundo, “Sorri” chega as plataformas no próximo dia 29.

O QUE HÁ DE NOVO?

É importante lembrar que os singles foram gravados durante a pandemia e, assim entendemos um pouco mais da atmosfera que rodeia as gravações. Em meio a tudo isso, a artista buscou inovar, principalmente, nos arranjos, na forma de interpretar e, em algumas situações, até mesmo em ressignificar as músicas.

“Em ‘Singular’, por exemplo, foi muito interessante observar a percepção das pessoas de que, embora a letra seja a mesma, as sensações e sentimentos de cada uma das versões é totalmente diferente.”, explica ela que, curiosamente, é quem assina praticamente todos os processos, até mesmo a produção musical, mercado ainda muito restritivo ao universo masculino.

“A versão com voz e gaita de boca (‘Singular II’, com Bernardo Zubaran) traz uma singeleza que leva ao ouvinte ares de um amor puro, simples, quase imaculado, que remete à clássica mpb. Alguns já me disseram que dá até vontade de se apaixonar [risos]. Já o remix feito por Duda Raupp (‘Singular I’) tem uma pegada diferente, trazendo a ideia de um amor mais “humano”, com pitada de sensualidade no clima neo soul.”

EXPLORANDO O SOM!

Com o compromisso de assumir um novo papel, a ideia de fazer uma trilogia revisitando seu primeiro trabalho surgiu em meio à pandemia, o que pode ser considerado uma autoimposição para que ela desbravasse o inexplorado de cada canção.

“No ‘(in)visível’ (2018), eu dividi a produção com Amaro Neto. Já no atual projeto, eu assino a produção sozinha. Então, além de explorar mais o potencial das músicas, também acabei descobrindo coisas sobre mim, sobre a minha forma de criar e sobre capacidades que às vezes desacreditamos, mas que precisam apenas de um ‘sim’ para virem à tona e proporcionarem novos horizontes.”

REFLEXÃO…

Para a cantora, as aparências enganam. Jéssica acredita que, apesar de existirem muitas plataformas e muitas maneiras de ouvir música, o mercado se tornou ainda mais restritivo para o artista independente. Em sua forma de enxergar a situação, ela dá ênfase a questão de que a quantidade de informações na qual estamos expostos diariamente e o domínio das grandes produções são pontos cruciais para que o artista independente acabe tendo dificuldades em alcançar o público desejado.

“Fazer música brasileira de forma independente, é um jeito de resgatar e manter viva uma parte importante da nossa identidade cultural, uma identidade que muda conforme o mundo se movimenta, mas que precisa ser fortalecida. Acredito que o nosso maior desafio neste cenário seja furar a bolha e alcançar as pessoas que desejam consumir um tipo de música diferente do que tem sido massivamente impulsionado.”, comenta ela.

OLHA QUE LEGAL!

Uma curiosidade ressaltada por Jéssica sobre as gravações é de que a intimidade com o momento é grande, em vista que as captações são feitas dentro de sua própria casa. É nessa ideia que “o guarda-roupa vira uma cabine de gravação, os cobertores e colchões ajudam em uma melhor captação, e assim a gente vai construindo. Sem mania de grandiosidade, o negócio é fazer o melhor que se pode, sendo feliz durante o processo. A gente aprende lidando com as dificuldades e tudo isso que está acontecendo resulta em um agregado de ferramentas que serão úteis pro resto da vida.”, como ela diz em suas próprias palavras.

PARA ENCERRAR…

Berdet acredita que tudo o que vem produzindo nos últimos tempos seja uma maneira efetiva de cravar uma nova mudança em sua vida profissional e até mesmo pessoal: um novo olhar sobre sua obra e tudo o que faz. No dia 29 de janeiro, ela lança “Sorri” nas plataformas digitais de música e no Youtube. Se trata de mais uma música marcante do seu primeiro trabalho e que vem para compor a trilogia.

“Pra não dizer que não falei das flores”, o hino contra a ditadura

  Dizer que a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré foi um hino contra.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O funcionamento de um cineclube (com Cadu Modesto e Tiago Santos Souza)

Neste episódio, Matheus Luzi investiga os cineclube, casas de cinema independentes cujo o viés comercial é, na prática e teoria,.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS

Crítica: Rui de Oliveira pelos Jardins Bodoli – de Mauricio Duarte

 Crítica: Rui de Oliveira pelos Jardins Boboli – de Mauricio Duarte   O que acontece quando um mestre da arte.

LEIA MAIS

Resenha do filme “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”, de 1986 (por Tiago

Olá a todos! Feliz ano novo! Vida longa e prospera! Bom, a primeira obra do ano se chama “O Dia.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

Cuba, a Ilha da Utopia

Artigo escrito em maio de 2024 pelo maestro Kleber Mazziero sob encomenda para a Arte Brasileira Em fevereiro de 2023,.

LEIA MAIS

Edilson Araújo: verde que te quero verde

Verde que te quiero verde.Verde Viento. Verdes ramas.El barco sobre la mar y el caballo em la montãna. Federico García.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo de Avião e o Vôo na Contramão (Gil Silva Freires)

Alcindo ganhou uma passagem pra Maceió. Acontece que era uma passagem de avião e Alcindo tinha pavor de avião. O.

LEIA MAIS