29 de abril de 2026

“Ouvir esse EP é uma montanha russa de emoções para mim”, diz Igor Delfino em entrevista especial

Divulgação

 

Fazer parte de uma banda, é muitas vezes, uma espécia de “censura”. Ou seja, os artistas não conseguem se expressar pessoalmente como gostariam. Após sair dessa fase, e assumir o projeto OHomemSó, Igor Delfino se sente em total liberdade para fazer o que quiser. E foi exatamente isso que aconteceu no EP BEM VINDO A SUA VIDA.

“Mesmo compondo e cantando nas bandas por onde passei, nunca consegui me expressar totalmente pois sempre tinha que ceder o formato da música aos anseios e desejos dos outros membros. Nunca consegui gravar, arranjar, fazer um clipe ou divulgar 100% da forma que imaginei quando escrevi a música. Costumo dizer que esse trabalho surgiu do fundo do meu egoísmo”, se diverte Igor.

Pensando dessa forma, fica claro o quanto o EP demonstra as transformações vividas por Igor, principalmente entre 2014 e este ano, quando as músicas foram criadas. Inclusive, uma das curiosidades do trabalho é o “luto”. A canção O HERÓI NÃO RESOLVIDO, foi composta após a morte de um grande amigo artista de Igor.

“Um amigo meu, que faleceu no início do ano, sempre dizia que eu tinha que fazer uma ‘parada sozinho’, nas palavras dele. Como o formato de banda para mim estava desgastado, tanto musicalmente quanto emocionalmente, decidi dar uma chance a mim mesmo”, conta Delfino.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com OHomemSó.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão branco no lado esquerdo e superior do quadro abaixo.

 

Segundo o release, você está se reinventando neste novo EP. Fale mais sobre isso.

Na verdade, estou assumindo o que eu sempre quis fazer, voz e violão foi o ponto de partida para todas as músicas, sempre foi assim. O que eu me reinventei foi o meu pensamento que achava ter necessidade de ter mais gente tocando junto comigo, achei que não precisava mais e que as músicas no violão já falavam por si só.

 

Qual o conceito do nome BEM-VINDO A SUA VIDA?

O nome veio da música que também está no EP, muitas vezes a gente pensa em uma vida de um jeito e acontece de outro, é natural, e isso não quer dizer que é uma coisa melhor ou pior. É simplesmente diferente e quando a gente abraça a nossa vida do jeito que é, ficamos mais felizes.

 

As faixas foram criadas entre 2014 e 2018. Como foi seu processo criativo e a escolha das músicas que entrariam para o EP?

Todas essas músicas, exceto a O HERÓI NÃO RESOLVIDO já haviam sido gravadas e lançadas com minha última banda, porém nunca foram devidamente trabalhadas. Eu sentia que eram músicas deslocadas do conjunto geral e quando veio a necessidade de criar esse projeto, eu decidi que elas mereciam outra chance.

 

 

Nas letras, você faz relatos de depressão até momentos de êxtase, não é?

Sim, existem momentos meio alto astral melancólico, como em BEM VINDO A SUA VIDA, onde verso sobre que devemos aceitar a vida que temos. Em AUTO INTITULADA, é uma pegada mais motivacional. Costumo dizer que é como se fosse um mantra que eu uso para seguir nos momentos de dificuldade – “o que passou, passou. Um dia tudo chega ao fim e todos os dias ruins não foram tão ruins assim”.

ACASO é sobre o nascimento da minha primeira filha, Alice, um ápice emocional de felicidade na minha vida; e O HERÓI NÃO RESOLVIDO é sobre um amigo que perdi no começo de 2018, é a única inédita do disco que compus e gravei em 2018 exclusivamente para essa nova fase.

Ouvir esse EP é uma montanha russa de emoções para mim.

 

No EP, você pode agora se manifestar como quiser, ao contrário quando participou de bandas. Como está sendo isso para você?

É libertador, posso colocar instrumentos que eu quiser, falar o que eu quiser, do jeito que eu quiser. É um ode ao meu egoísmo.

 

Tem alguma história ou curiosidade que envolva o EP?

Na AUTO INTITULADA, que gravei em 2014, o Teco Martins, músico independente muito importante para o cenário nacional, participou cantando comigo. No dia da gravação, eu estava com a letra e ele pegou o papel pra dar umas pinceladas e tal. Para minha surpresa, ele não quis mexer em nada, exceto inserir uma única frase no final da música que originalmente não estava lá: “Ensinaram algo a mim”. Ele captou todo o sentido da letra e deu uma conclusão perfeita.

 

 

 

 

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