17 de fevereiro de 2026

Diante do novo, “O que Pe Lu faz?”

Sucesso teen da década passada com a Restart e referência no eletrônico nacional com o duo Selva, Pe Lu agora é solo, mas o que ele tem a dizer?

Três citações inevitáveis sobre a banda Restart: a explosiva estreia em 2010 com disco homônimo; um novo movimento teen (e inesperado); e a tempestade de insultos que a assolou, ao ponto de definir o término, em 2015, e a reputação dos membros. Um deles, o vocalista Pe Lu, nome artístico de Pedro Lucas Munhoz Convá, ao lado do parceiro de voz Pelanza, recebeu a maior fatia dos ataques.

No entanto, o paulistano Pe Lu, apesar da juventude e consequente imaturidade, desatou do desanimo fatal. Antes do comunicado público do fim da Restart, ele e seus companheiros de banda já programavam quais prováveis caminhos poderiam seguir. Ele, dentre os outros, destacou-se em sua decisão. No mesmo ano, Pe Lu e o conterrâneo e amigo Brian Cohen idealizaram o Selva, duo dedicado à música eletrônica.

Em 2013, o fenômeno Alok já havia entrado em ascensão, causando metamorfose no gênero, rumo à massa. Selva, em convergência com essa novidade nacional, não morreu no anonimato. Em considerável curto tempo, garantiu seu ingresso no cenário. A exposição no mercado posicionou o duo como referência no gênero na década de 2010, segundo resenha publicada pelo portal R7 em 2019.

Próximo passo

Nos três meses de estreia de 2021, momento crítico da pandemia de Covid-19, Pe Lu deixou o projeto. Ousado, apostou na carreira solo. Ela, porém, apresentou-se às plataformas de streaming oficialmente apenas em setembro daquele ano. “Transbordar” é o nome deste lançamento, e revelou um novo artista, agora aos 31 anos, e distante do adolescente da Restart e do frenético do Selva.

O que o paulistano é em “Transbordar”, assim como os outros três singles já lançados, não se resume a poucas análises. Porém, o toque baiano é um assunto que merece brevíssimo resumo. Em entrevista coletiva, Pe Lu mencionou seus laços familiares com a Bahia, e suas passagens enquanto duo e banda pelo estado, em especial, no carnaval. O constante e satisfatório contato, então, mirou seus olhos para a sonoridade regional.

Divulgação.

A busca para chamar de seu

Ciente da imensidão da música baiana, o artista ocupou-se em pesquisas, mas três resultados (Banda Eva, Timbalada, Babado Novo,e Chiclete com Banana) o aproximou do seu “eu”. Igualmente importante, sabia da representação carnavalesca desses nomes, pontua-se a isso a sua paixão pela festa da carne in bahia. Contudo, o “tira o pé no chão” não rimaria com as suas pretensões.

Pe Lu capitou a melodia, mensagem, o espírito, e a escondida malemolência dessa baianidade, e adaptou-as para si. Percebeu, então, a desconhecida face dessa safra, traduzida por ele na melancolia e sensibilidade, algo liderado por seu imaginário MPB.

Solo, mas não sozinho

A iniciativa do Pe Lu solo é acompanhante, em certo grau, do seu próprio selo, o Papaya Music. Fundado em parceria com os compositores e produtores Renato Frei e Fred Vieira antes do boom da pandemia, o projeto ganhou força em 2021. O isolamento social causado pelo transtorno pandêmico gerou tempo e escassez financeira, que repercutiu em investimentos aprofundados.

O Papaya é apoio para artistas em início de carreira, mas não peca em profissionalismo, tampouco em coletividade. A rotina entre equipe e agenciados é a relação entre todos, um grupo de troca de informações, músicas, estratégias, conhecimentos. Por ser ainda pequeno (ou minúsculo, como diz ele), tem o trabalho humanizado e árduo.

Além disso, é um desafio para Pe Lu, que atua artisticamente, na produção e direção. É sua primeira vez, em mais de uma década em estúdios e palcos, como o próprio apoiador, ao invés de ser mediado por multinacionais, ou empresário de outros cantores em grandes empresas.

Carnaval de Sofá?

Sim! É este o nome do primeiro EP solo do Pe Lu. Ilustrativo, o trabalho de quatro faixas (sendo três inéditas) é realmente intencionado em levar o carnaval às casas das pessoas, já sabendo da possibilidade deste ano repetir 2021: nada da festa por enquanto. O que foi citado anteriormente, ou seja, a paixão do artista pela Bahia, é a essência deste EP: Carnaval e MPB, uma coisa só para Pe Lu.

Para ele, a ideia de unir introspecção com a folia pode parecer um desafio, mas que esse dualismo é uma maneira do público se conectar com mais uma “maluquice” sua.

CURIOSIDADES

– Duas maiores referências: sua mãe (amante do rock), e seu pai (devoto da música popular brasileira, em especial, a MPB e a instrumental);

– Uma das opiniões sobre o mercado atual da música: acredita que a escassa organização e união da classe underground (artistas e público em geral) é crucial para o fracasso da manutenção e ascensão de um gênero ou movimento. Ele cita o sertanejo como um exemplo de sucesso, e o rock, como de ruína;

– “Transbordar”, sua estreia, é até o momento o seu top 1 enquanto cantor solo;

– O Papaya Music atualiza sua playlist no Spotify que é descrita como “Ou a gente compôs, ou produziu, ou compôs e produziu”. A lista é uma coleção de artistas pequenos, mas também grandes nomes como Alok, Carol Biazin, Paulo Ricardo e Luísa Sonza. Em todas, há as mãos de Pe Lu. Confira:

Reportagem e edição: Matheus Luzi (27 de janeiro de 2022).

FONTES

– Entrevista com Pe Lu (coletiva realizada pelo curso digital “Quem Vai Ler Isso?”

– Consultas nos créditos e dados disponíveis no Spotify;

– Pesquisa: R7 (https://entretenimento.r7.com/musica/ex-restart-pe-lu-vira-revelacao-da-musica-eletronica-com-duo-selva-05102019),

– Pesquisa: Revista Arte Brasileira (https://revistaartebrasileira.com.br/nova-mpb-pe-lu-e-pedro-alterio-lancam-o-single-transbordar/);

– Pesquisa: Blog do Deezer (https://www.deezer-blog.com/br/alok/#:~:text=O%20come%C3%A7o%20da%20ascens%C3%A3o%20da,festivais%20ao%20redor%20do%20mundo.)

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