21 de abril de 2026

Vinicius Castro dá continuidade à projeto de musicalização de obras de escritores lusófonos

Vinicius Castro Volúpia

(Retrato de Vinicius Castro – Crédito: Tiago Chediak)

 

Cantor e compositor, Vinicius Castro sempre foi um apaixonado pelas palavras e pelo seu poder. Atualmente radicado em Portugal, ele se dedica a um novo projeto onde trabalhará melodias para textos e poemas escritos por grandes nomes da literatura em língua portuguesa. O novo lançamento desse projeto é “Volúpia”, versão de um soneto de Florbela Espanca, que conta com voz da portuguesa Cristina Clara.

Natural de Recife e carioca de coração, Vinicius começou a se destacar na cena independente no início dessa década com seu disco de estreia “Jogo de Palavras” (2010). Entre os destaques de sua jornada artística estão o fato da sua canção “Ser diferente é normal”, parceria com Adilson Xavier, ser regravada por Lenine, Gilberto Gil, Biquini Cavadão, entre tantos outros, e foi apresentada na ONU (Nova York) com uma versão em inglês feita por Emily Perl Kingsley e Sharon Lerner, roteiristas de Vila Sésamo.

Castro compôs canções originais para o seriado Gaby Estrella (parceria entre a produtora brasileira Panorâmica e a americana Chatrone, veiculado pelo canal Gloob), que foi nomeada ao Emmy Kids Awards como Melhor Série Infantil em 2015. Ele também dirigiu e compôs o repertório do grupo CRIA, indicado ao 25o. Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum Infantil de 2013.

Sua relação com textos literários vem desde o começo da carreira. Após o debut, ele trabalhou no projeto de home studio e vários intérpretes Som na Sala durante todo o ano de 2012. Na ocasião, musicou o “Soneto XXV”, de Pablo Neruda, que chegou a ser regravado no disco “Flor”, de Daíra. Ele também transformou em canção o poema “A criança que ri na rua”, de Fernando Pessoa, presente no EP “Prematura”, de Taiana Machado.

 

 

SAIBA MAIS

A relação entre literatura e a música de Vinicius ficou mais evidente em 2017, quando, morando em Nova York, musicou 9 poemas do norte-americano Patrick Phillips, e lançou o álbum “Broken Machine Project”. O disco contou com a participação de nove cantores da cena independente da metrópole americana. 

“Esse disco foi ao mesmo tempo uma continuação e uma ruptura no meu trabalho. Continuação porque a letra continua sendo o principal elemento das minhas obras, e uma ruptura porque dessa vez eu tive que vestir o eu-lírico de outrem e me entregar a esse universo poético”, reflete Castro.

Morando em Lisboa, ele aprofundou seus laços com a literatura lusófona e a convite da Casa Fernando Pessoa, participou do evento Dias do Desassossego, para o qual musicou três trechos da prosa pessoana – excertos do Livro do Desassossego e do Teatro Estático. Essas canções foram registradas e lançadas mensalmente projeto Estúdio Quintinha Apresenta, que une Vinicius com o cinegrafista Rodrigo Rezende, da Miragem Films, com artistas portugueses. 

 

BOM SABER

Agora, na edição de outubro, o projeto traz a cantora Cristina Clara interpretando o soneto “Volúpia”, da poetisa Florbela Espanca. A artista, que revela nuances de fado nas melodias brasileiras de Castro, é natural do Minho mas vive em Lisboa desde 2005, onde faz um trabalho que dialoga com os limites da canção tradicional urbana, em particular, pelo fado. 

Neste novo lançamento, Vinicius Castro fica a cargo, além da composição da música, também de todos os instrumentos, dividindo-se entre a bateria, baixo, violão e escaleta. O registro está disponível no canal de YouTube do artista.

 

FICHA TÉCNICA

Soneto de Florbela Espanca

Música de Vinicius Castro

Gravação e Mistura – Estúdio Quintinha [Lisboa/PT]

Filmagem e Correção de Cor – Rodrigo Rezende – Miragem Films

Voz – Cristina Clara

Guitarra, Baixo, Bateria e Melódica – Vinicius Castro

 

LETRA

No divino impudor da mocidade,

Nesse êxtase pagão que vence a sorte,

Num frêmito vibrante de ansiedade,

Dou-te o meu corpo prometido à morte!

 

A sombra entre a mentira e a verdade…

A nuvem que arrastou o vento norte…

– Meu corpo! Trago nele um vinho forte:

Meus beijos de volúpia e de maldade!

 

Trago dálias vermelhas no regaço…

São os dedos do sol quando te abraço,

Cravados no teu peito como lanças!

 

E do meu corpo os leves arabescos

Vão-te envolvendo em círculos dantescos

Felinamente, em voluptuosas danças…

 

Textos de Nathália Pandeló – Edição de Matheus Luzi

 

 

 

 

 

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