23 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Novo álbum de Tantão e Os Fita expressa viés politizado em suas músicas

(Capa do álbum)

 

Você já deve ter ouvido dizer que o Rio de Janeiro não é uma cidade tão maravilhosa assim. Com suas letras diretas e objetivas, o trio Tantão e Os Fita (formado por Adel Duarte, Cainã Bomilcar e Tantão) mostram muitas realidades tanto do Rio como do Brasil como um todo, por meio do disco “Drama”, um trabalho cheio de força e crítica.

“As letras trazem muitas referências da violência que o capitalismo avançado aplica no corpo do povo. Aqui no Brasil, país de ‘terceiro mundo’, dividido, subdesenvolvido, colônia, essa violência é praticamente inescapável. Isso tudo assumiu uma forma muita clara e direta nos últimos anos — pós-golpe — quando todos os últimos resquícios de uma certa segurança social e todo e qualquer mecanismo de proteção dos trabalhadores e principalmente das ‘minorias’ passaram a ser destruídos e atacados diretamente pelo próprio estado”, diz Abel Duarte que também assina a produção do disco ao lado de Cainã Bomilcar e de Tantão.

“Drama” é um lançamento do selo QTV.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com os integrantes do trio. Confira:

 

 

Qualquer um percebe que “Drama” é um álbum muito politizado, e que reflete problemas e situações sociais. O que chama a atenção é o fato do trabalho ter sido gravado durante as eleições presidenciais de 2018. Como a “cabeça” de vocês estavam nesses momentos? Como foi gravar este álbum presenciando o cenário polarizado da política?

Cainã (integrante do duo Os Fita): Olha, o momento foi um dos piores que já passei no cenário político nacional. Inclusive era um dos motivos pelo qual queríamos muito ter lançado o álbum até o fim do ano de 2018, para que fizesse sentido expor aquelas canções. Inclusive nós soltamos na internet uma das músicas que viriam a compor o álbum, no período eleitoral. “Nação Pic Pic” era um grito de guerra, uma música de união, para nos sentirmos acolhidos e pensarmos no grupo que queremos pertencer. Foi muito difícil e será muito difícil passar por esse momento que viveremos e que estamos vivendo desde 2016. No entanto, esses momentos não derrubaram a gente não. Mesmo com tantos golpes, a gente conseguiu fazer o nosso trabalho.

 

Explique para nós a relação entre a “Cidade não tão maravilhosa assim” com o álbum “Drama”.

Tantão: A nossa dramaticidade da cidade é que é maravilhosa.

Cainã: “Drama” é um álbum de música bem distante do imaginário que existe em relação à música brasileira de qualquer gênero. Assim como a cidade em que vivemos está bem distante desse imaginário de ser “maravilhosa”.

 

Pelo o que vi, vocês usam algumas linguagens subjetivas, adicionadas a linhas “claras”, vamos dizer assim. No geral, o que vocês discutem nas letras do álbum?

Cainã: Quem é o letrista é o Tantão, ele vai saber melhor. Ao meu ver é tudo muito na cara, há pouca subjetividade, acho o Tantão um letrista muito objetivo e direto. Engraçado, acho que são poucas as vezes eu acho que ele quer dizer uma coisa e ele quer dizer outra. Nesse álbum ele está sempre em cima do mesmo tema, Dramas urgentes.

Tantão: A gente não discute (risos). São músicas de cunho político. Não queremos morrer.

 

E o que querem impactar na sociedade com este trabalho?

Tantão: Queremos acrescentar músicas políticas.

Cainã: Enquanto produtor, um dos êxitos deste trabalho para mim é elevar esse artista que é o Tantão, e isso não é uma via de mão única. O Tantão é responsável pelo sucesso deste trabalho tanto quanto eu ou o Abel. Sobre o impacto na sociedade, eu não tenho nenhuma pretensão nesse sentido. Até mesmo por saber que nosso trabalho circula muito pouco.

 

O que simboliza a capa do álbum?

Cainã: O Drama da imagem, entenda como quiser.

 

Em relação a parte poética e musical, quais foram suas referências?

Tantão: A inspiração foi a minha vida. As nossas vidas.

Cainã: Para mim seria vago destacar qualquer referência. A minha pesquisa é tão longa e são tantos anos de trabalho. É impossível resumir isso em 28 minutos de álbum. Mas certamente, música-doida, música-extrema e música-pop.

 

Vocês se uniram, o Tantão e o duo de beatmakers Os Fita. O que cada um de vocês acrescentaram para o álbum como um todo?

Cainã: Prefiro não falar sobre isso. Todos somam, e todos participam. E tanto esse trabalho quanto o primeiro, foi totalmente produzido por nós mesmos.

 

Vocês têm alguma história ou curiosidade interessante que queiram nos contar?

Cainã: infinitas, mas isso seria conversa para uma mesa de bar (risos).

 

 

 

 

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