21 de outubro de 2026

Cantora e compositora KAZU estreia carreira solo com o álbum “Adult Baby”

(Capa do álbum)

 

“Hipnotizante” é a palavra para “Adult Baby”, o primeiro álbum solo da artista Kazu Makino, mais conhecida como KAZU. Depois de nove álbuns com o grupo Blonde Redhead, de Nova York, a cantora, compositora e multi-instrumentista nipo-americana mergulhou de cabeça em uma nova persona, mais intimista e totalmente singular.

Ao longo das faixas de “Adult Baby”, há ecos de Blonde Redhead aqui e ali, mas o disco apresenta KAZU em sua essência mais pura e visceral. Em um caminho existencial que começou a ser percorrido no final do verão de 2017, a cantora se viu impulsionada por uma necessidade quase fisiológica, como ela explica: “Eu precisava fazer um álbum que fosse todo meu, longe da dinâmica própria de ser parte de uma banda”.

Ela continua:  “Eu era um gato curioso, fiz viagens à lua e voltei algumas vezes”. O resultado é um disco difícil de classificar, mas que em termos de atitude e som pode ser descrito como enraizado no pop refinado e de vanguarda, no qual os vocais calorosos e sensuais de KAZU são os principais veículos que trazem à vida um mundo etéreo, delicado e sonhador. 

 

 

A INSPIRAÇÃO PARA O ÁLBUM

Para ela, esse é um assunto difícil de explicar. “É quase como se eu pudesse ver um fantasma. “Quando componho, entro em um determinado estado e, em algum momento, eles começam a aparecer. Tenho que pegá-los na hora para evitar que desapareçam, para não os perder, antes que voltem ao seu estado invisível. E para isso, você não pode fazer anotações para mais tarde ou algo assim: não, você precisa ficar lá e gravar”.

Foi o que ela fez para criar “Adult Baby”, um álbum que co-produziu com Sam Griffin Owens, com convidados especiais como o renomado pianista Ryūichi Sakamoto, o percussionista brasileiro Mauro Refosco e o aclamado baterista Ian Chang, apoiado por uma orquestra de formação completa.

 

 

O QUE ERA PROBLEMA VIROU INSPIRAÇÃO

Foi um desafio que KAZU decidiu enfrentar. A raiz era um mal-estar interior. “A certa altura, entendi que precisava descansar um pouco”, explica ela. “Quando você pra, corre sempre o risco de perder alguma coisa, mas a necessidade era tão urgente que em setembro de 2017 deixei minha casa em Nova York”.

Ela continua: “Lá, eu não estava mais saudável, com o ar tão poluído que desenvolvi problemas respiratórios, e encontrei refúgio na Toscana, na ilha de Elba, no meio do mar, onde a natureza é adorável, em sua maneira suave e amena. No momento em que cheguei lá, comecei a me sentir mais calma, protegida, segura”.

Pouco tempo depois, a cidade americana se tornou seu novo lar. “No momento minha casa está lá, em Capoliveri: foi onde escrevi as faixas para ‘Adult Baby’. Tudo fluiu tão naturalmente que acho que nunca gravei um disco com tanta serenidade: sempre sofri um pouco com a música, mas desta vez me senti diferente, como se tivesse começado a viver novamente. Talvez o melhor ainda esteja por vir”.

 

A VOZ ALÉM DO CANTO

(Foto/Divulgação)

KAZU conta uma curiosidade: “Não penso na minha voz como de cantora, e nem me sinto cantora: o único momento em que canto é quando tenho um microfone à minha frente. Nem mesmo quando estou sozinha, nem no chuveiro. Isso porque eu realmente não sinto que minha voz me pertence, assim como não sinto que minhas músicas sejam todas minhas. Não acho que elas estejam dentro de mim, mas que estão lá fora, no ar, e o que tenho que fazer é apanhá-las”.

 

SOBRE A ARTISTA

Durante sua carreira, que já dura quase três décadas, KAZU penetrou na imaginação coletiva de um subterrâneo planetário que, nos Estados Unidos e na Europa, na América Latina e no Oriente Médio, viu-se nela uma artista de incomum qualidade, com personalidade e bom gosto especiais.

Uma mulher fascinante e talentosa, delicada e forte, ao longo dos anos KAZU testemunhou as mudanças no mercado da música, mantendo-se fiel a si mesma, com uma atitude que insiste na liberdade de ação, sem se prender a tendências. 

(Foto/Divulgação)

Com o tempo, ela se tornou um ícone do rock elegante, adorada em igual medida por homens e mulheres e considerada uma das melhores vocalistas do cenário alternativo, isso porque, também colaborou com as bandas The Black Heart Procession, Beach Fossils, Battles, TV On The Radio, Trentemoller, Liars, Nosaj Ting.

Seu estilo também a transforma num ícone, por ser apaixonada pela moda e não se importar com as últimas tendências. Em seus shows, o look é reinventado com tecidos macios: mini vestidos, calças de lantejoulas, blusas vitorianas, vestidos abertos, macacões, jaquetas militares e blusas de malha.

KAZU é uma artista cativante, uma figura misteriosa e carismática, com um espírito selvagem e ao mesmo tempo tão aristocrático.

 
 
 
 
 

A nossa relação com os livros 

Como diz um autor anônimo, “a leitura nos traz amigos desconhecidos”, e de alguma forma inesperada constrói essa relação “leitor.

LEIA MAIS

A luta da mulher e a importância de obras que contribui nessa jornada

Não tem uma receita básica, não nascemos prontas. Aprendemos com a vida. Diariamente temos que lutar para se afirmar. Porque.

LEIA MAIS

Resenha do filme “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”, de 1986 (por Tiago

Olá a todos! Feliz ano novo! Vida longa e prospera! Bom, a primeira obra do ano se chama “O Dia.

LEIA MAIS

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Historiadora lança minicurso gratuito sobre a história da arte, com vídeos curtos e descomplicados

(Divulgação) Aline Pascholati é artista visual e historiadora da arte diplomada pela Sorbonne (Paris, França) e trabalha há mais de.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Literatura de Renan Wangler reforça ancestralidade e luta da população negra

A população negra precisa estar conectada com a literatura, cultura e arte, dessa forma podemos estar conectados com a nossa.

LEIA MAIS

A invisibilidade da mulher com deficiência física (por Clarisse da Costa)

Eu amei o tema da redação da prova do ENEM de 2023: Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho.

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS

Vida em letras:  A jornada literária de Clarisse da Costa

O começo de tudo Na infância eu rabiscava mundos através de desenhos. Quando aprendi a desenhar palavras comecei a construir.

LEIA MAIS