9 de agosto de 2026

Brô Mc’s: Grupo indígena de rap e sua resistência

bro-mcs-1-agambiarra

 

Brô Mc’s: Grupo indígena de rap e sua resistência

 

Com o advento da Internet pudemos ter conhecimento de várias formas de comunicação, de modo mais rápido, seja a partir de vídeos, fotos, músicas, etc, além de descobrirmos outras pessoas e grupos ao redor do mundo. Assim, também temos a oportunidade de enxergar e entrar em contato com outras culturas diferentes das nossas, a fim de entender suas mentalidades, tradições, crenças e modos de vida.

Na tentativa de não perder seus costumes e tradições, muitos povos ou grupos indígenas, em parceria com instituições, ou mesmo sozinhos, estão utilizando os meios digitais para informar, preservar e deixar registrada sua cultura. Para ilustramos essa ideia apresentamos o grupo musical Brô MC’s.

 

 

É um grupo de jovens indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru, no sul de Mato Grosso do Sul, especialmente no município de Dourados; formado por Clemerson Batista, Kelvin Peixoto, Charlie Peixoto e Bruno Veron. Criado em 2009, o grupo de rappers canta em português e no idioma nativo, o Guarani-Kaiowá, e tem como objetivo valorizar a cultura nativa.

Por muitos séculos, esses povos viram renegada a sua história, seus costumes, tradições e valores, especialmente pela violência de grupos que tentavam adentrar as suas terras ou mesmo por aqueles que as tomaram. Entretanto, apesar de muitas intrigas, anseios por terras para fins econômicos e políticos, mortes e sofrimento, os indígenas resistiram ao longo de todo esse tempo.

O grupo musical Brô MC’s escolheu o rap como forma de resistência ao racismo e violência que até hoje permeia os povos da terra, dentre eles, os grupos nativos. Desta forma, as letras são recheadas de críticas a invasão de suas terras, ao “descobrimento do Brasil”, a destruição da natureza e ao preconceito, entre outros temas denunciando a violência e o massacre que vivem diariamente, como podemos observar no trecho da música Eju Orendive:

 

Vamos todos nós no rolê

vamos todos nós, índios festejar

vamos mostrar para os brancos

que não há diferença e podemos ser iguais

aquele boy passou por mim

me olhando diferente

agora eu mostro pra você

que sou capaz, e eu estou aqui

mostrando para você

o que a gente representa

agora estamos aqui

porque aqui tem índio sonhadores

agora te pergunto, rapaz

por que nós matamos e morremos?

em cima desse fato a gente canta

índio e índio se matando

os brancos dando risada

por isso estou aqui

pra defender meu povo

represento cada um

e por isso, meu povo,

venha com nós.

 

Como um grito de resistência, os rappers dão muitas aulas sobre sua história marcada há anos por sangue dos massacres, violências e conflitos, mas também de persistência e de muita resistência pela preservação das suas manifestações culturais, religiosas, no anseio de serem aceitos e de verem a sua cultura e seus modos de vida respeitados.

Para ouvirmos seu som, podemos encontrarmos os Brô MC’s pela sua página no Facebook, ou mesmo acessar a primeira rádio indígena online no Brasil: a Yandê . Além de ouvirmos diversas outras músicas, o site Yandê é recheado de informações e textos que tratam de  assuntos que abrangem a cultura indígena.

 

 

Reportagem de Vanessa Aparecida Camperlingo Serra

 

 

 

 

 

LITERATURA DO RAP, por Luiz Castelões

O rap é o mais importante gênero musical-literário do final do séc. XX.Assim como o post de rede social é.

LEIA MAIS

Manuelito: para além de um mestre da fotografia

Oriundo do Ceará,Manuelito veio residir em Mossoró, aqui permanecendo e trabalhando até o final de sua vida. Suas fotografias deixavam.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: uma dimensão lúdica da vida

1. Há artistas cuja obra não nasce apenas da técnica, nem do aprendizado formal das escolas de belas-artes, nem muitos.

LEIA MAIS

A bossa elegante e original do jovem Will Santt

No período escolar do ensino médio, nasceu o princípio do pseudônimo “Wll Santt”. As roupas retrô e o cabelo black.

LEIA MAIS

Streaming gratuitos: filmes, séries, novelas, jornalismo, entretenimento e educação

Com o crescimento do acesso à internet e a popularização das smart TVs, inclusive com modelos mais robustos, como uma TV.

LEIA MAIS

Adonay: universais variações sobre o mesmo tema

Como saber, se há tanta coisa do que falar ou não falar?E se o evitá-la, o não falar, é forma.

LEIA MAIS

Bersote é filosoficamente complexo e musicalmente indefinido em “Na Curva a Me Esperar”

A existência é pauta carimbada na música brasileira, como apontamos nesta reportagem de Jean Fronho (“Tom Zé já dizia: todo.

LEIA MAIS

Danilo Martire exercita o uso saudável da IA Generativa ao gravar single com Kate, cantora

“Eu canto a beleza de ver minha filha dormindo na mais perfeita harmonia”, é esta a fala de Danilo Martire.

LEIA MAIS

CONTO: O Operário Dedicado e O Regozijo do Aposentado (Gil Silva Freires)

Seo Leocádio era o tipo de homem totalmente estável e mantivera o mesmo emprego durante toda a vida. Se haviam.

LEIA MAIS

SP/RJ: Bloco dos Dubladores se manifesta contra o uso indiscriminado da inteligência artificial no enredo

O carnaval deste 2024 nas metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo também questiona o uso indiscriminado das Inteligências Artificiais.

LEIA MAIS